HISTÓRIA

A NOITE DO HOMEM DO RIFLE!

16 de novembro de 1966.

A maior atuação de uma equipe do Náutico e de Pernambuco na história.

Diante da representação alvirrubra uma equipe mítica: O Santos de Pelé nas semifinais da VIII Taça Brasil.

Para os mais jovens é difícil descrever o poderio do Santos.

A sua chegada nas principais capitais do mundo só tinha paralelo na época com a chegada dos Beatles.

Pelé rivalizava com John Lennon e Paul McCartney como a personalidade mais conhecida na Terra.

O Santos era pentacampeão brasileiro e rumava para o Hexa.

Na Libertadores e no Campeonato Mundial, Boca Juniors, Peñarol, Benfica e Milan ficaram de joelhos ante as camisas brancas de Vila Belmiro.

De vez em quando, apenas uma equipe sobressaía sobre o time do Rei: O Palmeiras.

Quando o Náutico eliminou o Palmeiras nas quartas-de-final, o país imaginou que o resto do campeonato era mero cumprimento de tabela. Não foi.

Esqueceram de avisar Silvio Tasso Lasalvia. A torcida o conhecia como Bita. Gilmar, o goleiro do Santos e da seleção jamais o esqueceria.

O Timbu sob a direção de Duque formou com Aloísio Linhares; Gena, Mauro, Fraga e Clóvis; Zé Carlos e Gilson Costa; Ivan, Miruca, Bita e Nino.

O Santos vinha com Gilmar, Pelé, Pelé, Pelé e Toninho Guerreiro. Aliás, os dois artilheiros da Taça Brasil de 66, Bita e Toninho jogaram uma enormidade.

A bola rolou. Bita fez 1×0. Pelé chutou na trave. Toninho Guerreiro empatou. Bita desempatou no final do primeiro tempo: 2×1.

Os radialistas gritavam que era só uma questão de tempo.

Mas os palmeirenses, silenciosos em suas casas, pareciam antever a mesma tempestade de gols que causou a expulsão do divino Ademir da Guia em Recife.

As equipes retornaram para o segundo tempo.

O Náutico marcou, o Santos reagiu, Miruca aumentou, Toninho diminuiu e prosseguiram assim até o final do jogo como dois boxeadores de peso galo.

O juiz Armando Marques ameaçou expulsar Pelé que não entendia o que estava se passando.

Parecia que o maior time do mundo era pernambucano. 3×1. 3×2. 4×2. 4×3. 5×3!

Fraga anulou o Rei (foto).

Meia-noite. A noite do Recife é longa. Nos jornais, as manchetes já prontas começam a ser reescritas.

De São Paulo, o então repórter esportivo Francisco José manda um texto emocionado.

Fogos acordam a cidade. Gilmar declara aos jornais que nunca alguém tinha marcado quatro gols nele em toda sua vida de goleiro.

Anos depois, no programa Cartão Verde da TV Cultura, perguntaram ao Rei Pelé quais os maiores times que ele conhecera.

Sua resposta relembra aquela noite de novembro em São Paulo:

“O Palmeiras de Ademir, o Cruzeiro de Tostão… e o Náutico de Bita!”

Uma resposta a HISTÓRIA

  1. Nildo Gomes disse:

    HOJE: Foram maravilhosas a garra, a atitude, a volta de RF (pela energia positiva que ele passa para os jogadores) e a vontade do Náutico.
    Mas, por que o time não joga sempre assim dentro ou fora de casa até a última partida que poderá classificar o time para uma competição internacional?

    Fora de casa a pegada tem que
    ser a mesma! Já disse e repito: Sempre fui um ferveroso torcedor mas, já sofri tanto com as lambanças de
    administradores e de planteis que passaram pelo clube que
    infelizmente ou felizmente tenho que ratificar que só continuarei a torcer por este clube se ele pelo não cair para para a famigerada segunda divisão. Sei que atitudes assim
    são raras para um torcedor que ama de verdade o seu clube, mas,
    contrariando o meu desejo, é assim mesmo que vou agir. Se for pra ficar a
    minha vida toda feito otário não quero! Quero o Náutico do
    jeito que vi contra o Santos. Pode faltar tudo mas, não pode faltar atitude, raça e vontade de vencer sempre! PRA CIMA SEMPRE DOS GOIÁS, BOTAFOGOS, etc.

  2. João Gregório de Araújo disse:

    Pedro, foi o inverso. O segundo jogo, nossa vitória por 5×3, foi no Pacaembu, e o terceiro e decisivo foi na Vila Belmiro.

  3. Pedro Náutico disse:

    Tirem me uma dúvida:
    Esse jogo foi na VILA BELMIRO, o primeiro o Náutico havia perdido em Recife, DE 2×1. O terceiro jogo no PACAEMBU, o Náutico começou ganhando c/ um gol novamente de BITA, foi aí que o "NEGÃO" se arretou e só não fez chover virando o placar p/ 4X1.

    CONFERE???

  4. Silo Mendonça disse:

    Eu só tinha 4 anos, hoje tenho 46. Será que meu filho que tem 15 vai ver um Náutico como ele foi na década de 60????

  5. João Gregório de Araújo disse:

    ONDE SE LER CONHECIDO, LEIA-SE RECONHECIDO.

  6. João Gregório de Araújo disse:

    E EU ESTIVE LÁ !!

    POIS É, RECÉM CHEGADO À SÃO PAULO, MORAVA NA PRAÇA MARECHAL DEODORO, E IA AO PACAEMBU A PÉ. NAQUELA NOITE, TIVE QUE CONTER MEUS SENTIMENTOS E MINHA EMOÇÃO, PARA QUE A TORCIDA DO SANTOS (ASSITI NO MEIO DELA) NÃO DESCOBRISSE QUE ERA TORCEDOR DO NÁUTICO. FOI TALVEZ A MAIOR EMOÇÃO QUE SENTI DENTRO DE CAMPO, NA MINHA VIDA.O NORDESTE ERA MUITO POUCO CONHECIDO NO SUDESTE, E A ÚNICA IMAGEM QUE ELES TINHAM DA NOSSA REGIÃO ERA DE MISÉRIA E ATRASO. CLARO QUE SENTÍAMOS COMPLEXO DE INFERIORIDADE, E AQUELA VITÓRIA FOI A VITÓRIA DOS ESQUECIDOS, E A PROVA DE QUE O NORDESTINO É UM FORTE. DAVA GOSTO VER AQUELE TIME DO HEXA JOGAR, UM MISTO DE RAÇA, EFICIÊNCIA E COMPETÊNCIA, FAZIA DO NÁUTICO E DO SAUDOSO BITA, O GRANDE ARTILHEIRO QUE FOI. EU NAQUELA NOITE QUASE NÃO CONSEGUI DORMIR DE TANTA ALEGRIA E NO OUTRO DIA COMPREI TODOS OS JORNAIS LOCAIS, PARA ME DELICIAR COM OS COMENTÁRIOS SOBRE A GRANDE GOLEADA.
    UMA DATA PARA NÃO ESQUECER JAMAIS.

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