MATÉRIA ESPECIAL

O NOVO TESTAMENTO ALVIRRUBRO

O Clube Náutico nasceu aristocrático. Herdeiro da elite pernambucana. Seguiu aristocrático durante 60 anos de história. Até o advento de Gentil Cardoso e José Porfírio.

O que foi orgulho nos Aflitos, era fronteira na vida real. Pois o futebol brasileiro deve sua força exatamente ao ecumenismo. Ao sincretismo do mundo da bola. Muitos que admiravam o futebol de Ivson e Ivanildo, de Fernando Carvalheira e Celso, não podiam transpor as portas do clube. Passavam a torcer pelos seus rivais no Velho Testamento.

O Santa Cruz se tornou o clube das multidões de descamisados em nossa capital. O clube dos brancos, negros, mamelucos, cafuzos, mendigos e excluídos.

O Sport tornou-se o time da outra metade da elite pernambucana. Assumiu o profissionalismo ainda nos tempos do amadorismo. Sua visão de sociedade era mais adiantada que a do Náutico. Adaptou-se ainda a tempo.

Mas que preconceito pode resistir ao futebol de Nado, Bita, Lala e Ivan? Nem mesmo o sangue azul das Laranjeiras quando viu Didi meter um gol de folha seca. O futebol alvirrubro subverteu o orgulho. Subversão em pleno periodo autoritário.

O Náutico tornou-se um clube com sementes populares. Sementes que germinaram.

O Clube Náutico deve seguir seu destino. Ser um clube de massa.

Sei que alguns vão se arrepiar com este conceito. Preferem a intelectualidade. O rapé. Mas o tempo da árvore genealógica acabou. Acabou o poder do sobrenome. Chegou o tempo do Novo Testamento. O tempo dos gentios.

Com sete décadas de atraso, devemos seguir o exemplo do genial presidente do Flamengo José Bastos Padilha. O homem que compreendeu que um clube de futebol não é lugar de almofadinhas. Futebol é coisa pra craque e apaixonado.

(Padilha que contratou Leônidas, Fausto e Domingos da Guia, fazendo enfim jus às cores da sua camisa).

O Náutico deve visitar as cidades do interior em amistosos. Levar seus ídolos ao encontro do povo que só vê futebol paulista pelas parabólicas.

O Náutico deve valorizar o trabalho que já iniciou em escolinhas nas periferias do Nordeste. Deve trazer a juventude para suas linhas. O futuro deve ser alvirrubro.

Para os que duvidam dos novos tempos, uma imagem.

Passando hoje pelo viaduto da avenida Norte.

Numa favela que existe nas proximidades do Torreão. Uma bandeira.

Solitária.

Bravia.

Singular.

Uma bandeira impensável no passado.

Uma bandeira de quem ama o Náutico na pobreza.

Uma bandeira tremulando ao vento que foge do Atlântico.

Nada mais é preciso responder.

Uma bandeira vale mais do que mil palavras!

Uma resposta a MATÉRIA ESPECIAL

  1. Newton Pinheiro disse:

    Gente, lembro que no inicio da decada de '90, la por volta de 1990/1992 vi um caminhao de lixo com 3 (tres)empregados de cor negra com o 'manto sagrado', listrado. Todos os tres. Parecia time de futebol. Ou seja, essa transformacao vem jah hah muito tempo. Quem nao sabe, lembro que nos brasileiros de 83, 84, 85, o Nautico jogava no Arruda e concorria a cada rodada como os clubes de massa no item 'o maior publico da rodada'. E isso em 1983, 1984… 27 mil pagantes contra o Rio Negro/AM (em jogo com o Timbu jah classificado), 36 mil contra Goias, Flu, 45 contra o Palmeiras…e por aih vai.

    Interessante eh ter o prazer de ouvir que jah estamos passando o Santa na faixa etaria abaixo de 24 anos. ISSO NAO FENOMENAL??

  2. Lucídio José de Oliveira disse:

    Roberto: não tenho tido tempo e liberdde para comentar seus posts. Problema crônico no eu equipamento Mas isso passa, como passou a maré braba do Náutico na zona. Daqui de uma Lan House no Bonito, meu abraço de parabéns pela beleza dessa crônica. Como eu gostaria tê-la escrito, amigo! Eu assino embaixo, em cruz, por tudo que você escreveu. Já sei: numa terceira edição de NBL, é só esperar, ela vai aparecer lá. Não são palavras jogadas ao vento, as suas e as minhas. Ao vento, pertence somente a bandeira alvirrubra linda, garbosa e democraticamente desfraldada na favela. Muito obrigado Gentil Cardoso, Gena, Jorge Mendonça, Neneca, Juca Show, Ademir Lobo, Haroldo, Adílson e seu gol maravilhoso, Geraldo, Acosta… Todos os negros, mulatos e crioulos que estão bravamente escrevendo a novo testamento alvirrubro. Um abração.

  3. Júlio de Lemos disse:

    Prezado ROBERTO VIEIRA,

    Ao tempo que o parabenizo por mais uma brilhante coluna, ressalto o detalhe aventado no final dela, sobre o favelado cujo barraco fica do lado do Viaduto da Av. Norte (não gosto de dizer o nome do patrono, pois foi o pior dos títeres da nefanda ditadura militar de 64), pois há muito tempo aquela bandeira me chama a atenção.
    Aliás, sempre que transito por ali (pelo menos duas vezes por dia, pois é trajeto meu para o trabalho), dou aquela buzinada alvirrubra do "quer dançar, quer dançar, o Timbu vai te ensinar", dando a entender que seu gesto não passa despercebido.
    Realmente, é comovente aquela bandeira, posto que vem de alguém sofrido, excluído desta sociedade capitalista concentradora de renda que, a despeito dos esforços do Alvirrubro LULA, continua abissal, em detrimento dos mais pobres.
    Aliás, pretendo, em breve, ir até lá conhecê-lo pessoalmente e, se possível, dar-lhe uma nova bandeira e uma camisa oficial.
    Tão logo reúna condições, farei isso.

    Sds. Alvirrubras!!!!!!

  4. Henrique Silva disse:

    Reforçando sua idéia, lembro que o momento é propício para agregarmos novos torcedores, pois com o Sta.Cruz meio que fora de cena, seremos o principal rival do Sport e isso bipolariza as disputas. Mas para isso é importante mantermos um time forte, uma diretoria guerreira e comprometida e, sobretudo, ganharmos títulos, pelo menos o regional. Pena que a impressão que temos é que a diretoria não se preocupa com isso. Para eles é suficiente administrar o Náutico. Precisamos ocupar o lugar que é nosso, do contrário os outros é que assumem.

  5. Jose Roberto Farias Mendes disse:

    Vamos levar uma para substituir a bandria que está lá desbotada e rasgada.alguem é voluntário?.Vou esperar a resposta hoje e depois encaminhar para a Ouvidoria que embora não resolva nada pelo menos essa pode resolver.

  6. Jose Roberto Farias Mendes disse:

    Tempos atrás eu presenciei uma conversa com um associado e o então diretor de futebol Augusto CArdoso tio de mauricio.O sócio estava convidando o juvenil Náutico para uma viagem à Flores para uma apresentação.Por sugestão dele, o sócio, o clube deveria mandar algumas camisas para sorteio na cidade.Nessa ocasião Raphael estava trocando camisas usadas por novas e com uma volta de 10 reais para ajudar na construção do campo.Pois bem essa cavalgadura Augusto CArdoso negou a ida do Juvenil e disse que o clube não tinha camisa para destribuir com ninguem.Que sabedoria, que competência, que gentileza, que interesse em divulgar o clube, que idiota.Soube dias depois que um outro clube foi lá e destribuiu mais de 500 camisas, pode?.Eles são as um das maiores torcidas do nordeste.Essas excrusões ao interior deve ser feita com muito marketing e o nosso clube precisa de pessoas que pensem e não se aproveitem. ok.

  7. Rodrigo Galvão disse:

    Também vi esta bandeira ! Quando a ví meu pai estava ao meu lado no carro. Assim eu disse: "Olha Pai ! Este sim é mais alirrubro do que nós dois !" Foi de arrepiar, PQ voltávamos de um jogo que o timba havia perdido e já era noite. Quando dobramos à direita rumo Av. A. Magalhães, demos de cara com uma imagem destas, a bandeira alvirrubra tremulando sozinha na favela ! Novos Tempos ? Queira Deus que sim !

    NÁUTICO: Aristocrático no passado !
    Democrático no presente !
    Elitizado Sempre !

  8. Marcelo Ramos de Oliveira disse:

    Roberto Vieira, mais uma vez parabenizo-o pelo belíssimo texto. Já tem um bom tempo que em todos os comentários que faço nos sites, blogs e orkut me refiro a essa massa alvirrubra que cresce a cada dia, em todos os lugares, de todas as crenças, idades, cores, ideologias, etc.
    Essa bandeira que fazes referência já tremula nessa humilde habitação faz algum tempo (inclusive mesmo após sérias derrotas) e no meu orkut tenho a foto dela e de outras espalhadas em outros locais mais simples mostrando que o povão tb é alvirrubro e talvez muito mais alvirrubro que certos pseudos burgueses que usam a camisa do Náutico quando a onda favorece.
    Esse povo alvirrubro sim é o maior patrimônio que o Náutico tem.

  9. Jorge Luiz Rodrigues da Silva disse:

    É uma pena,o Hamilton não poder jogar.Daria mais qualidade ao meio campo.Mas Roberto pode colocar no lugar dele o Derley ou o William.

    Quem quiser apoiar minha candidatura para presidente do Náutico, favor mandar sujestões para meu email:

    jorgeluizpresidente@hotmail.com

    galo 0 x 2 NÁUTICO

  10. Clodomiro de Santana Filho disse:

    Prezado Roberto Vieira,

    Simplesmente esplendido seu Texto.Sempre pensei postar um comentário deste tipo sobre a necessidade de se mudar este pensamento profundamente negativo para o Náutico, de ser rotulado de Clube Aristocrático,da Elite.Continue assim, trazendo estas matérias maravilhosas.Eu que sou de Raça Negra, adorei.Você praticamente falou tudo que eu gostaria de escrever.Parabéns! e Saudações Alvirrubras.

  11. Valdeci Alves dos Passos disse:

    Não gosto de perder, quando entro numa competição faço tudo, procuro me cercar de tods os meios necessários para a vitória, na derrota me calo, não gosto nem de comentar, esqueço. Creiam ganhar é bom, e da coisa do mangue é insdescritível, o que pode ser feito para isso? Vamos vencer Náutico!

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