O QUE VALE UMA QUIZ!
Salve, salve, o grande jornalista-escritor Givanildo Alves! Eu vivia reclamando do amigo Givanildo que o seu “Histórias do Futebol em Pernambuco”, o primeiro grande livro do gênero em nossa terra, só tratava da história do nosso futebol até 1950. O Náutico tinha contabilizado a seu favor apenas três títulos. Era o quarto colocado na fila. À sua frente – imaginem só! – até o América, que tinha seis.
Quando o livro saiu a primeira vez, em 1978, os números de títulos timbus tinham pulado para 15, uma dúzia a mais. E o Sport, que já amealhara sete até 1934, ano em que o Náutico resolveu entrar na briga, por ocasião do lançamento do livro somava 20. Apenas um título a mais no período: 13 x 12. Pau a pau. A vantagem rubro-negra marcada pela conquista do título recente, duramente disputado um ano antes, na noite das prorrogações sem fim.
Era disso que eu reclamava. Ele precisava continuar contando a história do nosso futebol para que não se fizesse juízo apressado de valor. Ele não chegou a publicar o segundo volume de seu excelente e importante livro. A morte traiçoeira, no final dos anos noventa, não o permitiu. Mas Givanildo teve ainda a felicidade de acompanhar pelo Diário de Pernambuco a publicação de uma sequência de capítuos semanais, em 95-96, com sua assinatura, contando tudo do futebol pernambucano. Dos seus primeiros tempos até 1990. Estava feito o reparo.
E foi do amigo Givanildo que me lembrei para sair do apuro em que a Quiz do Blog de Roberto havia me metido: quem estava carregando o treinador González nos ombros?
Lembrava vagamente da existência de uma foto semelhante à do blog junto ao texto de Givanildo. Talvez alguma informação, uma legenda que viesse em meu socorro. Pior a emenda que o soneto. No artigo de Givanildo, publicado no Diário em janeiro de 1996, o mesmo episódio de González carregado em triunfo. A foto porém registra um outro momento. O jogador que carrega o treinador nos ombros tem o rosto encoberto por um volumoso microfone da época dos repórteres apolinhos, cheios de fios e antenas. Mas está lá, no texto da matéria, o dado que faltava. Eureka! O elenco do Náutico em 1963. Começa pelos goleiros: Lula, Valdemar e Zé Novinho! O cara de calção escuro carregando González, só pode ser ele: Zé Novinho!
Reserva de Lula na noite da decisão, segundo reserva porque tinha Valdemar. Mas, decerto, Valdemar não estava no banco naquela noite! Zé Novinho não chegou a participar do jogo. Lula não dava folga. Também não entrou em campo em nenhuma das 24 partidas da jornada de 63. Daí não ter o seu nome registrado no meu e nos livros de Carlos Celso. Mas, reparando bem, daí o meu palpite definitivo, o jogador de calção escuro da foto do blog bem que tem cara de Zé Novinho… Cara e nome de Zé Novinho. Paraibano, sem dúvida. É ele o cara!
Antes de chegar a Zé Novinho, palpites meus e de Celso na Quiz: Miro e Dão. Pesquisando em minhas caixas de jornais velhos, encontrei essa notícia contrária a um dos palpites: na preliminar do jogo decisivo, na noite da quarta-feira 22 de janeiro de 1964, “com um gol de Dão, o Náutico abre vantagem na melhor de três de aspirantes contra o Centro Limoeirense”.
Dão jogara a preliminar, não podia está no banco no jogo principal. Era também a segunda partida da série, houvera um empate na primeira, na Ilha do Retiro. Um terceiro jogo seria disputado. O título de aspirante também ficaria nos Aflitos. Era só esperar mais uns dias. Dito e feito. Cabelo e barba. Não sei se também bigode, o título dos juvenis. Mas aí é com o amigo Carlos Celso.