1968. Setembro. O Náutico havia empatado três dias antes contra o Internacional em Porto Alegre. No mesmo Estádio Olímpico. O Beira-Rio estava como Chico Buarque: Em Construção.
Pablo Neruda chega em Porto Alegre. No mesmo dia do Timbu. O técnico Duque escala um 4-4-2 tentando chegar ao gol em contra-ataques. Promove a entrada de Ladeira e de Jardel na extrema-direita.
O Náutico entra em campo com João Adolfo; Gena, Limeira, Fraga e Toinho; Zé Carlos e Milton; Jardel, Ladeira, Nino e Lala. O Grêmio vem com Alberto; Renato, Ari Ercílio, Áureo e Everaldo; Jadir e Cléo; Flecha, Paíca (Sérgio Lopes), Alcindo e Loivo (Babá).
Alcindo jogou a Copa de 66 e perdeu gols de cego. Everaldo seria campeão mundial na Copa de 70.
O juiz foi Armindo Tavares da Federação Pernambucana de Futebol. Coisas daqueles tempos de terno e gravata nos aviões.
NCr$ 23.000,00 de renda. O jogo terminou como começou: 0×0.
Toinho colou no veloz Flecha. Mas o grande duelo na partida foi entre dois laterais: Os extraordinários Gena e Everaldo.
O Náutico seguia sem vencer no Robertão. O Grêmio não conseguia repetir os 3×0 na Portuguesa dias antes.
1968 foi um ano de glória para as duas equipes. O Náutico foi Hexa. O Grêmio, Hepta. Os próximos anos assistiriam seus rivais tornando-se fortes.
Três meses depois a escuridão do AI-5 tomaria conta do Brasil.
2009?
O Vasco parou no lugar de sempre: A semifinal.
O Corinthians chegou no lugar do ano passado: A final.
E o Internacional?
Sofreu nos pés do valente Coxa.
Que teve 14 escanteios.
Contra apenas 3 esquinados do Colorado.
Numa Curitiba abaixo de zero.
Faltou técnica na quarta-feira?
Sobrou garra.
Uma bela lição para ser lembrada.
Na quinta-feira.
Na antártica Porto Alegre.
Pelo trópico Náutico.