HISTÓRIA

Taffarel já era o substituto de Gilmar na camisa um da seleção brasileira. Desde a década de 60, nenhum goleiro havia conseguido fazer esquecer o arqueiro santista bicampeão do mundo.

Porto Alegre teve um verão vermelho e branco.

Porém, o seu grito de guerra foi N-Á-U-T-I-C-O!

Até a chegada de Cláudio Taffarel.

Do outro lado estava Erasmo e o melhor ataque do Brasil. O Náutico precisando da vitória para se classificar a segunda fase do Brasileiro, após virar espetacularmente sobre o galo mineiro quatro dias antes.

22 de outubro de 1989. Beira-Rio.

O Náutico alinha Mauri; Jorginho, Vavá, Freitas e Júnior; Gena, Erasmo e Léo (Lucio Surubim); Nivaldo (Aroldo), Bizu e Augusto. O técnico era o mesmo Paulo Cesar Carpengiani que comandara o Internacional no título brasileiro de 75 ao lado de Falcão. O Internacional formou com Taffarel; Chiquinho, Nenê, Norton e Jaquet; Norberto, Luvanor (Edu), Marquinhos (Dacroce) e Zé Carlos; Nelson e Roberto Carlos. O técnico era Bráulio, meio campista dono do Internacional antes da chegada de Falcão.

Em um jogo no qual a vitória era obrigatória não havia tempo a perder. O Náutico avançou para cima do Internacional e Erasmo estava simplesmente impossível. Várias vezes ele venceu a marcação e deixou Bizu, Nivaldo e Augusto em condições de marcar. Uma, duas, três vezes Taffarel salvou. Quando de repente, numa brincadeira de Júnior, Chiquinho rouba a bola e quando já corria pra comemorar o gol, o Beira-Rio vê Mauri salvar espetacularmente.

O Rio Grande aprende que Pernambuco também tem goleiro bom, tchê!

O 0×0 não interessa, Paulo César dá uma bronca nas vestiárias. Se o time havia feito dois gols em três minutos no Atlético, ganhar do colorado era fácil. Oito minutos do segundo tempo. O sol brilha no Guaíba. Augusto domina a bola e se livra do marcador passando o pé sobre a bola. Toca pra Erasmo. Nas cadeiras Luís Fernando Veríssimo pressente o pior.

Erasmo domina cercado por dois. Dribla Norton. Entra na área. O minuano sopra no paralelo 30. Taffarel sai desesperado para fechar o ângulo. No segundo seguinte a bola desliza mansamente para as redes. A 3779 km de distancia o Bonzão sorri: 1×0!

O Internacional se desespera e parte para cima. Então aos 23 minutos o lance mais bonito daquele final de ano. Erasmo dribla um, dois, três, quatro, cinco adversários e chuta com Taffarel batido. A bola infiel passa tirando tinta da trave. O Internacional tenta atacar, porém não consegue. Todas as vezes que a bola cai nos pés de Erasmo é perigo de gol. Os deuses do futebol, entretanto, insistem no 1×0.

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