A vitória do Náutico sobre o Corinthians, sábado no Pacaembu, é antológica. Pelo seu contexto na história do nosso futebol e pelas coincidências envolvidas no duelo.
Economicamente, São Paulo possui o maior PIB do Brasil. Um terço de toda riqueza produzida no país é originada do território paulista. Pernambuco está em décimo lugar. A outrora poderosa capitania é responsável por meros 2% do PIB nacional. Trinta por cento dos pernambucanos são analfabetos funcionais. Estamos em antepenúltimo lugar no ranking da mortalidade infantil. Atrás de Pernambuco, apenas Maranhão e Alagoas. Um pernambucano vive, em média, seis anos a menos que um paulista.
Futebolisticamente falando, o abismo talvez seja ainda maior.
A primeira grande partida oficial entre Pernambuco e São Paulo ocorreu no dia 16 de agosto de 1931, no Parque Antarctica. Pelas semifinais do Campeonato Brasileiro de Seleções. Pernambuco era o campeão da Zona Nordeste. Havia goleado Paraíba e Ceará. O jogo foi irradiado para nosso estado pela Associação dos Cronistas Pernambucanos. As informações chegavam pelo Telégrafo Nacional, transmitidas pelo chefe da delegação, o também presidente da Associação dos Cronistas, Carlos Rios. O público ouvia as notícias no antigo campo do Náutico nos Aflitos.
Pernambuco alinhou Diógenes no arco, o futuro árbitro Sherloque na zaga e tinha como grande destaque Oswaldo Oliveira Salsa, artilheiro final da competição com oito gols. Oswaldo que fazia uma dupla endiabrada com Julinho Fernandes. Os paulistas traziam no gol, o futuro presidente do Santos, Athiê Jorge Cury, e no ataque, simplesmente, os lendários Feitiço e Friedenreich, o Fenômeno daqueles tempos.
O jogo foi um massacre. São Paulo venceu por 11 x 3. Um placar compatível com o futebol praticado na época. Houve festa no final, apertos de mão, salamaleques, e Pernambuco voltou pra casa, não sem antes perder um amistoso diante da equipe do Santos por 5 x 2. A torcida pernambucana reconheceu o esforço dos atletas, enfrentando um adversário poderoso após uma extenuante viagem de vapor. Os mais apaixonados entretanto, imaginaram o resultado caso o local do encontro fosse Recife. Com as distancias e os precários meios de transporte da época, o que já era difícil, vencer os paulistas, tornava-se virtualmente impossível.
Setenta e oito anos depois, novamente na capital bandeirante, o Clube Náutico Capibaribe enfrenta o Corinthians paulista. No banco do Timão, Mano Menezes, algoz alvirrubro na inesquecível Batalha dos Aflitos. No ataque corintiano, Ronaldo, o novo Friedenreich. Osvaldo e Julinho já não existem, agora chegou a vez de Bruno, Bala e Lessa. A distancia orçamentaria permanece estratosférica. O clube mais popular de São Paulo comanda uma fábula em propaganda e cota do Clube dos 13. O Náutico engatinha no marketing esportivo e nas migalhas dos poderosos do futebol brasileiro.
Mas eis, meus senhores, que o futebol se ganha em campo. Futebol são onze contra onze, embora muitas vezes haja um árbitro no meio. E dentro de campo, o Náutico não perde do Corinthians desde 1992. Um tabu mais antigo que o célebre tabu do Timão contra o Santos de Pelé. Como no futebol, PIB ganha campeonato, porém não marca gol, o Náutico ressuscita a mística de Ivanildo e Bita, Ivan Brondi e Salomão, e passa de virada sobre o temível mosqueteiro alvinegro.
Mano Menezes assiste em silêncio ao seu time jogando trinta minutos contra 10 heróis alvirrubros. Um silêncio que se torna pasmo, ao observar o toque de calcanhar de Nilson, a bomba de Bala e a frieza glacial de Aílton. O Náutico passa por cima das desigualdades regionais, econômicas e desportivas e vira o jogo em cima do Corinthians: 3 x 2.
Pudesse Pernambuco observar este jogo e voltar a ser forte. Pudessem nossas crianças aprender a ler, escrever e pensar. Pudessem nossos políticos compreenderem o conceito da imortalidade da nossa terra.
Talvez não houvesse necessidade de antologias. Talvez o texto nem fosse necessário. Talvez o jogo no Pacaembu fosse apenas mais um jogo. E não uma inesquecível batalha…
AMIGOS TORCEDORES…
Tem cada cidadão por aqui, que realmente é uma tristeza. Vão
te CATAR bando de torcedores SANGUE-SUGA. Pôrra meu, se
voces não acreditam, então cai fora, se voces não tem
confiança, torce por outro time, se voces não são
torcedores, então procura torcer por jogo de XADREZ.
Que cacête, nós torcedores, realmente torcedores, não
seremos o primeiro, tãopouco o último a CAIR prá série B,
times grandes como: Atlético Mineiro, Fluminense,
Corinthians, Vasco, Palmeiras, todos já sentiram o gosto da
série B, agora vem um bando de torcedores medíocres falar
que já estamos na série B, e daí ???, quem tá jogo é prá
ganhar e perder, se a diretoria é uma merda, não seremos
nós, nem o Clube Náutico Capibaribe os culpados. CAI, todos
nós sofremos com a QUEDA, até mesmo em nossas vidas
particulares, temos que sofrer prá um dia sermos grande.
Saudações ALVIRRUBRAS
Antonio Luna
Belo Horizonte
NÁUTICO 3×0 Santo André