Ano passado, Carlos Celso Cordeiro escreveu esta análise.
O retrato frio da interrupção do jogo Salgueiro x Náutico.
No dia 26 de março de 2008 o Náutico foi ao sertão para enfrentar um duro compromisso pelo 2º turno do Campeonato Pernambucano. O jogo contra o Salgueiro, no Estádio Cornélio de Barros.
A dificuldade prevista logo se materializou. Num gramado encharcado, aos 27 minutos do 1º tempo, o Salgueiro fez 1×0. Aos 44 Paulo Almeida, jogador do Náutico, foi expulso.
No intervalo da partida caiu um temporal.
O 2º tempo nem deveria ter sido iniciado face às péssimas condições do gramado.
Não iniciar o 2º tempo significaria que a partida seria suspensa e nova partida seria jogada integralmente.
Mas o 2º tempo foi iniciado.
Agora, se a partida fosse suspensa, seria marcada uma data onde seriam jogados os minutos restantes.
Bastaram 9 minutos para o juiz tomar a decisão que deveria ter tomado logo que caiu o temporal do intervalo. Suspender a partida.
A narração acima teve o objetivo de contextualizar situação que abordaremos a seguir.
A complementação da partida foi marcada para o dia 9 de abril.
Com a proximidade da data ficou previsível que o Cornélio de Barros continuaria sem condições de ser utilizado para esta complementação de partida.
Começaram as conjecturas. Os 36 minutos finais seriam jogados em outro campo.
Aí entrou a diretoria do Sport. “Se o Náutico não jogar em Salgueiro o Sport também não joga”.
Até aí, tudo bem. Dá para compreender. Afinal, a diretoria do Sport estava apenas puxando a brasa para sua sardinha.
O que fica difícil de entender é a opinião dos nossos analistas esportivos. Em seus comentários e nos bate-papos, após o noticiário esportivo.
Todos que ouvi aceitaram o discurso da diretoria rubro-negra e repetiam: “Se o Náutico estava sendo beneficiado por não jogar em Salgueiro, seria justo que o Sport também não jogasse”.
Não ouvi nenhum analista mencionar as verdades a seguir:
1) O Náutico jogou em Salgueiro 60% do tempo da partida, tendo tomado 1 gol e perdendo 1 jogador por expulsão.
2) O Náutico vai jogar fora de Salgueiro a complementação da partida, ou seja, 40% do tempo de uma partida completa.
Perguntas ficam no ar:
Será que é justo o Sport obter o direito de não jogar em Salgueiro só porque o Náutico não pôde jogar o complemento do seu jogo naquela cidade?
Por que os analistas não expuseram todos os fatos, preferindo assumir a posição da diretoria rubro-negra?
Ao pessoal que pedia a cabeça de RF, estão felizes?
Nosso time batendo uma pelada com o salgueiro.
Que decadência…