MATÉRIA ESPECIAL

Já disse, e repito, Rinaldo era um jogador espetacular. No estrito sentido da palavra: um jogador que sabia como poucos promover o espetáculo. Um drible de Rinaldo (depois do drible, o marcador sentado no chão..) , ou cada chute a gol disparado por sua temível canhota, era realmente um show. Vi Rinaldo jogar inúmeras vezes. Em 1962, véspera dos grandes feitos timbus. Ou no ano seguinte, início da jornada dos seis anos. Rinaldo foi o artilheiro do campeonato. Marcou 18 vezes, um a mais que seu companheiro China, comandante do ataque.

Tive o grande prazer de estar ao lado de Rinaldo numa roda de papo, nas comemorações pelo 40º aniversário do Hexa. Homenagem aos jogadores da jornada histórica. Capitaneados pelo grande Ivan Brondi, e sob o sereno comando de Duque, como nos velhos tempos, estavam reunidos em um restaurante na Várzea, vindos de fora, Miruca, Mauro, Coronel, Paulo Choco e o próprio Rinaldo. Aqui da terra, a presença de Salomão, Nado, Lala, Gena, Deda, Ivan e familiares. Como convivas privilegiados, eu e o amigo Lenivaldo Aragão. O papo entrou pela madrugada. Rinaldo, mais uma vez, foi a estrela da noite. Agora, sem a presença da bola, a velha companheira dos shows. Um grande papo, muitas histórias para contar. E para serem ouvidas com prazer.

Falou de sua estréia com a camisa da seleção: Brasil 5×1 Inglaterra no Maracanã*, dois gols de sua autoria. Tinha deixado o Náutico há dois meses, já era jogador do Palmeiras. Mas ainda não tinha vestido oficialmente a camisa verde do time palestrino. Era, para o torcedor alvirrubro, doce ilusão, como se ainda fosse jogador do Náutico… E veja você onde tinha se metido: como ponta esquerda, fazia parte do ataque com Julinho, Gérson, Vavá e Pelé. Pra ele, é como se estivesse numa pelada de fim de semana. Foi o que disse.

O melhor da noite porém ficou com o papo sobre a artilharia do pernambucano de 63. Puxei o assunto, e disse a ele que me sentia feliz com a recente reedição de “O Náutico – a bola e as lembranças”, entre outras coisas porque era a oportunidade de reparar um erro que cometera contra ele. Na primeira edição, deixei registrado que ele e China eram os artilheiros do campeonato, cada um com 17 gols. Carlos Celso, pesquisador infatigável, palavra definitiva sobre dados do futebol pernambucano, se encarregaria de mostrar que não. Consultando todas as publicações disponíveis nos arquivos públicos, verificou que Rinaldo tinha feito um gol a mais, não anotado por mim na primeira edição. Culpa do jornal por mim pesquisado e, claro, falha nossa, por não ter tido paciência de ir um pouco mais além.

Quando acabou o turno, China era disparado o artilheiro. Do time e do campeonato. Uma contusão grave iria deixar China fora do time um bom tempo. Só estaria de volta na reta final do campeonato. Quando voltou, Rinaldo estava à sua frente. Na primeira partida da série decisiva contra o Sport, vitória do Náutico por 3×2 na Ilha, fez dois gols, enquanto Rinaldo fizera apenas um. China reassumia assim a ponta da tabela dos artilheiros, um gol a mais que seu companheiro. Veio a segunda partida, a dos Aflitos. China, mala suerte, foi vetado pelo departamento médico. Havia sentido a velha contusão.

Rinaldo cuidou então de assegurar na noite do título sua condição de artilheiro. Ainda no primeiro tempo, dois golaços – os jornais do dia seguinte referiam-se assim aos gols de Rinaldo, o primeiro aos 22 e o outro aos 36 minutos. E contou pra gente, no encontro na Várzea, que, lamentando a ausência do companheiro China, e sendo ele o batedor oficial de pênalti no time, se China estivesse presente e por acaso houvesse uma pênalti a favor do Náutico, era ele um cara por demais solidário para chegar junto ao companheiro e dizer: Toma, bate você! Assim a gente chega igual na artilharia. Tudo isso foi pensado por Rinaldo no vestiário, no intervalo do jogo.

Mas não aconteceu. Depois que o Sport empatou o jogo no segundo tempo, foi preciso jogar muito para evitar o pior. E não houve pênalti nenhum para ajudar. Isso historicamente nunca aconteceu. Nunca acontece com a gente. Nem China estava em campo. O Náutico faria mais dois em cima do cansado time de veteranos, o do Sport, mas os gols seriam marcados com a bola rolando. Um de Nino, o outro de Bita. Se tivesse havido um pênalti, e China estivesse no jogo, garante Rinaldo, quem iria bater era ele, China. Se amarelasse, aí então era outra história… Ele sem dúvida, assumiria.

No fim do jogo, Rinaldo foi carregado nos braços pelos torcedores. O jornal Última Hora, a grande novidade jornalística da época, reproduzido aqui quarenta e tantos anos depois, mostra esse momento de glória para Rinaldo. Merecida homenagem. Foto de primeira página. Rinaldo era bom demais.

* Ao lado de Pelé, Rivaldo, Zico e Pato, Rinaldo é um dos poucos jogadores a marcar no jogo de estréia na Seleção Brasileira. Foi além, inclusive. É o único a marcar dois gols.

Uma resposta a MATÉRIA ESPECIAL

  1. Pedro Náutico disse:

    Desculpe JOÃO GREGÓRIO, mas, o RINALDO nunca jogou no CAMPINENSE, ele saiu do TREZE de Campina Grande para o NÁUTICO.
    OUTRA RETIFICAÇÃO:
    O NÁUTICO goleou o SANTOS por 5X3 com 4 gols de BITA e um de MIRUCA, na segunda partida, BITA novamente marcou e fez 1X0, aí o MESTRE DA BOLA EDSON ARANTES DO NASCIMENTO resolveu jogar e virou p/ 4X1.

  2. Júlio de Lemos disse:

    Prezados ALVIRRUBROS,

    HOJE SE COMEMORAM OS 108 ANOS DO NOSSO CLUBE.

    Hoje, ao invés de ficar reciclando ódios, frustrações, rancores e outras coisas mórbidas, por que não colocarmos nossas bandeirinhas nos carros, colocarmos, também, bandeiras em nossas varandas, frentes de casa, etc?

    O NÁUTICO VIVE, HOJE EM DIA, APESAR DE ALGUNS PERCALÇOS, UMA DAS MELHORES FASES DE SUA VIDA!

    - ESTAMOS NA SÉRIE A;

    - TEMOS UM CT A TODO O VAPOR;

    - VEMOS MELHORIAS EM NOSSA SEDE;

    - VEMOS AVANÇOS NOS DESPORTOS AMADORES;

    - ENFIM, HÁ, ATÉ, A POSSIBILIDADE DE DEMOCRATIZARMOS A "SÚCIA DOS 13", A PARTIR DE NOSSA ENTRADA.

    No entanto, os "arautos do caos" ficam a se comparar com a cachorra de peruca, com inveja de seus êxitos.

    Haja surtador!

    haja paciência!

    MAS VIVA O NÁUTICO E SEUS 108 ANOS DE EXISTÊNCIA!!!!!!

    MUITAS GLÓRIAS NOS AGUARDAM, TENHO CERTEZA!!!!!!

    Saudações Alvirrubras!!!!!!

  3. Valdeci Alves dos Passos disse:

    O que tem me preocupado ultimamente é a grave crise de
    identidade do Náutico, não se sabe ao certo se o torcedor é
    Náutico Ca pibaribe o Kukicapibaribe. O novo técnico tem que
    corrigr isso, bem como dar confiança ao elenco, quando
    substituir em campo seja co alguém que resolva o problema e
    o Timbu passe a acreditar em si.

  4. João Gregório de Araújo disse:

    COMECEI A VER O FUTEBOL DO RINALDO, NO ESTÁDIO JUVENAL LAMARTINE EM NATAL/RN, EM CIMA DO MURO DO ESTADIO, QUE DIVISAVA COM UM ORFANATO DE MENORES, ONDE EU ERA INTERNO. COMO O MURO ERA BAIXO, ASSISTÍAMOS AOS JOGOS NUMA ESCADA ENCOSTADA NO MURO, OU EM CIMA DO MURO, OU AINDA NOS GALHOS DAS MANGUEIRAS QUE FICAVAM PRÓXIMAS AO MURO. O JOGO ERA ABC E CAMPINENSE, E O RINALDO JOGAVA PELO CAMPINENSE. NÃO ME LENBRO DO RESULTADO, MAS O GRANDE FUTEBOL DO RINALDO JÁ ERA VISÍVEL. DEPOIS FOI PARA O NÁUTICO, E EU FUI MORAR EM RECIFE, ONDE FIQUEI DE 1962/1965, QUANDO ENTÃO VOLTEI A VÊ-LO NO PALMEIRAS EM SÃO PAULO, PARA ONDE VIM E MORO DESDE 1966.NO PALMEIRAS ELE ERA UM VERDADEIRO ARTISTA DA BOLA, COM SUA VELOCIDADE E RARA HABILIDADE NO DRIBLE, ACABOU CHEGANDO A SELEÇÃO. SÓ UM RETIFICAÇÃO QUE FAÇO AO HERALDO JR: A GRANDE VITÓRIA POR GOLEADA SOBRE O SANTOS EM 1966, COM 4 GOLS DO BITA, FOI NO PACAMENBU,E EU ESTAVA PRESENTE, JÁ O SEGUNDO JOGO NA VILA BELMIRO, NÓS PERDEMOS POR 2X0 E FOMOS ELIMINADOS DA TAÇA BRASIL DAQUELE ANO.

  5. Heraldo Junior disse:

    ESSE MOMENTO DE DESEQUELIBRIO QUE DERREPENTE ASSOLA A MAIORIA DA NOSSA TORCIDA, QUE AGE DE FORMA IRRACIONAL, COM MUITAS FANTASIAS, MISTURANDO O PASSADO COM O PRESENTE E FUGINDO DA NOSSA ATUAL REALIDADE É BEM JUSTIFICÁVEL.
    SOMOS AINDA UM CLUBE DE MUITA TRADIÇÃO,JÁ GANHAMOS TITULOS MEMORÁVEIS, ENCANTAMOS O BRASIL COM UM FUTEBOL CAPAZ DE DERROTAR O SANTOS DE PELÉ NA V.BELMIRO.ERAMOS RESPEITADOS POR TODOS:FEDERAÇÃO PERNAMBUCANA, CRONICA ESPORTIVA REGIONAL E NACIONAL, OS ARBITROS QUE AQUI CHEGAVAM, ETC. TINHAMOS UM TORCIDA VIBRANTE, COM ATITUDE E QUE SABIA COBRAR COMPROMISSO E SERIEDADE DE NOSSOS DIRIGENTES,ETC…E HOJE?…NINGUÉM NOS RESPEITA: FEDERAÇÃO, JUIZES, CRONICA,ETC.HÁ MUITO TEMPO NÃO GANHAMOS NADA,ENTRAMOS NAS COMPETIÇÕES PARA NÃO SER REBAIXADOS.NOSSA TORCIDA É INERTE, APATICA, COVARDE, SEM ATITUDE E ACOSTUMADA A PERDER E FICAR LAMENTANDO NOS SITES. ACEITAMOS MAURICINHO E VALOIS FAZER O QUE QUEREM E FICAMOS SONHANDO QUE NUM PASSE DE MÁGICA TUDO POSSA MUDAR…FRANCAMENTE…SEM ATITUDE,NUNCA, ACORDEM.

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