ENTREVISTA

Confira entrevista com o Conselho Fiscal do Clube Náutico Capibaribe.

Conselho Fiscal:

Rivaldo Mafra – Presidente do Conselho Fiscal

Francisco Avelar – Membro do Conselho Fiscal

Ivan Rocha – Secretário do Conselho Fiscal

 

P. O que é o Conselho Fiscal e qual sua função no Clube? 

R. O Clube tem quatro poderes: A Assembléia Geral, o Conselho Deliberativo, a Diretoria Executiva e o Conselho Fiscal. Os membros do Conselho Fiscal são escolhidos pelo Conselho Deliberativo, cumprem mandato de dois anos e têm como função principal exercer a fiscalização contábil, financeira e patrimonial do Náutico.

 

P. Então o Conselho é um poder à parte? 

R. De acordo com o Estatuto, sim.

 

P. Faça um resumo dos trabalhos da atual gestão. 

R. Assumimos o Conselho Fiscal em maio de 2009 e iniciamos as solicitações para ter acesso aos documentos do Clube necessários ao processo. Em 21 de julho de 2009 fizemos a primeira solicitação a Diretoria Executiva dos balancetes de verificação correspondentes aos meses janeiro a junho daquele. Não houve atendimento. Novo ofício, agora em 19 de agosto, e posterior atendimento quando então foi iniciada a análise da documentação solicitada. Nosso relatório ficou pronto e fizemos a apresentação oficial ao Conselho Deliberativo quando então os conselheiros tiveram acesso ao relatório. Nele reprovávamos as contas do ano de 2009 e apontávamos a necessidade de instalação de Auditoria Externa para aprofundar o trabalho.

 

P. Foi fácil o acesso aos documentos do Clube? 

R. Não. O acesso aos documentos, como comentado acima, foi uma das partes mais desgastantes de nosso trabalho.

 

P. E vocês tiveram acesso a todos os documentos do Clube? 

R. Não. Tivemos acesso apenas ao Fluxo de Caixa, Balancetes De Verificação e Livros Razão.e Diário. Parte da documentação relativa aos registros das operações contábeis foi também examinada.

 

P. Por isso a necessidade de uma Auditoria Externa? 

R. Claro. A Auditoria Externa teria a abrangência e o aprofundamento necessários para analisar contratos de jogadores e patrocinadores, fornecedores, empréstimos, conciliação bancária, recibos, notas fiscais, realizar diligências sobre transações de atletas, comparar esses dados e chegar onde não conseguimos chegar.

 

P. Qual o impacto do relatório do Conselho Fiscal no Conselho Deliberativo? 

R. O Conselho em votação aberta optou pela reprovação, no dia 19 de abril do corrente ano, das contas de 2009, pela instauração da Auditoria Externa de forma unânime por vinte votos a zero com duas abstenções. Além disto, foi criada uma Comissão Especial Temporária para avaliar os trabalhos e avançar nas tratativas da contratação e instauração da Auditoria.

 

P. E qual o andamento deste assunto no Conselho Deliberativo? 

R. A Comissão Especial Temporária fez uma apresentação ao Conselho Deliberativo onde corroborava, em vários aspectos, do nosso relatório, e sugeria a devolução por parte do Ex-presidente, de alguns valores onde havia inconsistências intransponíveis na sua escrituração e suporte documental.

 

P. E o Conselho Deliberativo? 

R. Apesar da enfática defesa por parte do Ex-Presidente Maurício Cardoso, e dos demais defensores de sua gestão, foi votada e aprovada uma Moção de Censura ao Senhor Maurício Cardoso, a manutenção da reprovação das contas de 2009 e a necessidade de devolução aos cofres do Clube de R$ 20.000,00.

 

P. E a Auditoria Externa? 

R. Segundo visão da Presidência do Conselho a sessão que aprovou a Auditoria precisaria contar com quorum de 2/3, de forma que ele questiona a validade da aprovação da Auditoria.

 

P. E ela é mesmo necessária? 

R. Claro. Conforme dissemos antes, pela sua abrangência poderá levantar outros pontos de inconsistência e o que é melhor, apontar os remédios necessários.

 

P. Como assim? 

R. Um Relatório de Auditoria Externa não se resume a levantar os problemas. Ele também propõe mecanismos e processos para sanar as fragilidades da instituição, servindo assim de baliza para um trabalho de reestruturação dos controles do Clube e de fiscalização permanente por parte do Conselho.

 

P. Qual o motivo para, entre tantos problemas, o valor a ser devolvido, R$20.000,00 ser tão baixo? 

R. Esse valor surgiu a partir da Comissão Especial Temporária, que analisou alguns pontos levantados pelo Conselho Fiscal. Há muitos outros pontos que carecem de aprofundamento. A própria Comissão Especial Temporária avalizou documento de R$ 125.000,00, apresentado posteriormente pelo Ex-Presidente Maurício Cardoso com a explicação de que seria para pagamento de juros a um Diretor e o próprio Diretor se pronunciou negando a versão. Claro que existe um simbolismo no fato de alguém precisar devolver dinheiro aos cofres do Clube, mas o baixo valor não serve para desqualificar a ação, mas para reforçar a necessidade da Auditoria Externa.

 

P. O Ex-Presidente Maurício Cardoso teve oportunidade de defesa? 

R. Várias. Tanto durante os trabalhos do Conselho Fiscal e da Comissão Especial Temporária quanto durante as reuniões do Conselho Deliberativo. Foi um dos que mais dificultou o acesso aos documentos. Alguns só surgiram no presente ano.

 

P. Existe algum problema pessoal contra Maurício Cardoso? 

R. Não há nada pessoal contra ninguém. Alguns membros do Conselho Fiscal sequer o conheciam pessoalmente antes de iniciar o processo. Queremos repelir qualquer insinuação nessa linha. Os poderes do Clube não podem obedecer à lógica política na qual a aprovação das contas do Executivo seria comemorada e a reprovação colocada sob suspeita por eventuais motivações pessoais ou políticas.

 

P. O Ex-Presidente Mauricio Cardoso anunciou nas rádios que vai procurar a Justiça para rever a decisão. Qual a posição desse Conselho? 

R: É difícil de entender que as mesmas pessoas que são contra a instauração de uma Auditoria Externa, portanto um processo de âmbito interno, cogitem procurar a esfera pública. De nossa parte, cumpre esclarecer que iremos defender os interesses do Náutico em qualquer foro.

 

P. Alguns Diretores anunciam o afastamento dos cargos. 

R. Encaramos com perplexidade o afastamento de alguns Diretores para participar da votação e da defesa da gestão passada. Trata-se de deformação grave do processo institucional e da separação e autonomia dos poderes. É no mínimo não ético. Alguém se desliga do Executivo para julgar uma gestão que muitos deles participaram como Diretores. Talvez tenham percebido a repercussão negativa perante a comunidade alvirrubra e entenderam que voltar, e o que é pior, serem recebidos pelo Executivo, seria aprofundar ainda mais essa contradição.

 

P. Começam a surgir ataques na imprensa ao Conselho Fiscal. O que acham? 

R. Encontramos o Clube numa situação de grande fragilidade e descontrole. A Comissão Especial Temporária corroborou de muitas das nossas visões, inclusive a tomada de empréstimos a Diretores a juros exorbitantes, operações não escrituradas, falta de respaldo e ordenamento de despesas. O Balanço de 2008 foi publicado à revelia do Conselho Deliberativo e o de 2009 sequer foi publicado. Por certo o processo de fiscalização tem tirado algumas pessoas de sua zona de conforto, já que não precisavam responder por seus atos. Seria ingênuo imaginar que não encontraríamos resistências. Vamos responder de forma tranqüila, firme e proporcional a todos os questionamentos.

 

P. Alguns Diretores estão colocando o fato de que o Clube precisa viver mesmo na informalidade. O que acham?

R. Repudiamos totalmente esta visão. A informalidade dificulta os processos, os controles, dá margem a distorções, dificulta o planejamento, prejudica a imagem institucional do Clube e a formação de parcerias sadias e duradouras. Além disso, gera desconfiança entre o sócio e o torcedor, desconforto ao colaborador e insegurança ao investidor. Informalidade é algo que deve ser combatido e não servir de álibi ou de escudo para problemas de má-gestão. Temos nas mãos uma oportunidade única de passarmos o Clube a limpo. Se varrermos tudo para baixo do tapete daqui a um ou dois anos estaremos aqui discutindo as mesmas coisas. E o que é pior, daremos um testemunho às novas gerações de alvirrubros de que é possível tratar a Instituição de forma deletéria e sem riscos. De forma mais grave, daremos também o testemunho que não vale a pena fiscalizar e colaborar com a Instituição de forma positiva. Que tipo de pessoas a partir de então vamos atrair para participar da vida do Clube? Afastaremos o abnegado e convidaremos o aventureiro. Precisamos dar um passo à frente, encarar essa questão com tranqüilidade, mas com firmeza, e dar transparência e profissionalismo aos processos do Clube, para que, virada essa página, criemos um ambiente sadio de confiança e respeito onde possamos debater estrategicamente os rumos do Clube Náutico Capibaribe.

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Uma resposta a ENTREVISTA

  1. Alex Silva disse:

    QUE CLUBE DESORGANIZADO SEM ESTRUTURA SEM ELENCO,SEM PODER ARQUISITIVO,SEM MORAL,SEM VONTADE,SEM RESPEITO AO TORCEDOR SOMOS TRATADOS COMO LIXO NAO SABEMOS DE NADA ,NAO TEMOS PODER PRA NADA,QUANDO NOS SOCIOS TIVEMOS O DIREITO DE VOTAR PARA ELEIÇOES AI MUITA COISA VAI MUDAR,QUE CLUBE É ESSE QUE QUER SER AMADOR PRO RESTO DA VIDA ACORDA NAUTICO ,ACORDA NAUTICO CANSEI DE SER BESTA

  2. Marcos Fernandes dos Santos disse:

    Auditoria externa e independente sim, para apurar os possíveis desvios financeiros/patrimoniais.
    Concluído o trabalho, divulgar sim, para que todos tomem conhecimento das falcatruas, nominando os responsáveis (sou sócio e quero saber os nomes e níves de participação de cada um).
    Adotar as medidas legais cabíveis nas esferas competentes sim, visando salvaguardar o patrimônio da Instituição e reaver os valores subtraídos (caso tenha sido).
    Temos que "cortar na própria carne" e, a partir daí, adotar uma nova postura administrativa, com pessoas idôneas e comprometidas.
    Não tem que esconder nada. Divulgar sim.

  3. Sergio Regueira Moraes da Cunha disse:

    Em VEÍCULOS DE MÍDIA NESTE MOMENTO FRÁGIL do CLUBE!!! ROUBOU? TEM PROVAS? POLICIA, MINISTÉRIO PUBLICO, JUSTIÇA, não ta enchendo ou tentando encher a mídia com blablabla!! Prejudicando e GERANDO DISCÓRDIAS e SEPARAÇÕES NA VIDA INTERNA DO CLUBE!!! PESSOAS Q QUEREM ADQUIRIR RESPEITO E NOTORIEDADE, TEM DE AGIR COM VIGOR NAS SUAS AÇÕES, não ficarem feito fofoqueiras levando assunto interno do clube para midia tentando APARECER!!! NÃO TENHO LADO POLÍTICO NO NAUTUICO !!! NUNCA VOU QUERER TER!!! ++ FICO ARRETADO QUANDO ESCULTO PESSOAS SEM RESPALDO MORAL FALAR OU INSINUAR DISCÓRDIA NO MEU CLUBE!! COMO OUVI SEMANA PASSADA!!! VAMOS UNIR NÂO SEPARAR !!! NÁUTICO ACIMA DE TUDO!!!!

  4. Sergio Regueira Moraes da Cunha disse:

    Amigos tudo isso é muito bonito!!!! +++ Como eu ja falei e falo!!! Q os senhores do conselho FISCAL, façam suas Auditorias, q peguem os pretensos desfalques do Presidente anterior, estou calado, +++ em uma hora dessa q o CLUBE ta totalmente FRÁGIL, em todos os seus seguimento, COM UM REBAIXAMENTO A VISTA , UMA CAMPANHA DE DEFESA DO HEXA A 60 DIAS PARA SE INICIAR e os caras quererem deflagrar UMA CAÇA AS BRUXAS AGORA???? É DE LASCAR!!! PELO Q VEJO é CUNHO POLÍTICO SIM !!! CONHEÇO PESSOAS DESSA ADMINISTRAÇÃO E DO OUTRO LADO, SEI Q TEM UMA CAMPANHA FEITA PARA SE CHEGAR AO PODER NO NÁUTICO, NÃO TENHO LADO POLÍTICO NO CLUBE!!! TENHO O MEU NÁUTICO EM PRIMEIRO LUGAR, TENHO MEU TIME, QUE NÃO QUERO Q PERCA e sei q isso so sera possível com UNIÃO de todos os ALVIRRUBROS, O CONSELHO FISCAL SE ACHA Q O CLUBE FOI LESADO Q PROCURE O MINISTÉRIO PUBLICO E FAÇA a DEVIDA DENUNCIA E DESENCADEIE a DEVIDA AÇÃO JUDICIAL, e q faça a AUDITORIA EXTERNA POR MEDIDAS JUDICIAIS, PROCESSEM OS CULPADOS!!! +++ PAREM DE QUERER APARECER Em V

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