HISTÓRIA

21 de maio de 1916. Três da tarde.

Uma pequena multidão toma conta do campo do British Club na Ponte d’Uchoa.

O primeiro Clássico dos Clássicos da história do Campeonato Pernambucano.

Na verdade, o primeiro clássico em nossos estaduais.

Mas cadê o juiz?

Mr. Foster era um cavalheiro extremamente pontual, mas naquele domingo ele não deu as caras.

Procura daqui, procura dali. Finalmente um consenso. Bota o Rômulo de Souza pra apitar.

O Náutico estréia nos estaduais com Agostinho Prado; Sitonho e Zémaia; Petribu, Arruda e Bibi; Edu Lemos, Adhemar, Manoel Lopes, Máximo Pontual e Amaro Cavalcanti.

O Sport alinha Lula; Borges e Smith; Brandão, Robinson e Town; Smethurst, Spencer, Briant, Reynolds e Hawkey.

Também é o batismo do rubro negro na história dos pernambucanos.

O Sport na época era formado em sua maioria por estrangeiros.

O elenco alvirrubro era totalmente nacional.

Até aquele momento, Náutico e Sport haviam jogado quinze vezes desde o primeiro amistoso em 25 de julho de 1909.

Equilíbrio absoluto. Quatro vitórias do Timbu. Quatro vitórias do Leão. Três empates.

O Sport bate o centro com o veloz Briant.

Os relógios marcam pontualmente três horas e cinquenta e cinco minutos.

O primeiro escanteio é rubro negro.

Mas de repente Arruda, o capitão alvirrubro, domina a pelota e lança Amaro. 1 x 0!

O primeiro gol do Timbu em campeonatos pernambucanos.

Num sinal dos tempos, uma salva de palmas irrompe na multidão.

O Sport era o favorito.

Porém numa escapada o ‘mignon outsider’ Adhemar manda uma bomba contra a meta defendida por Lula. 2 x 0.

Ninguém acredita no marcador. Principalmente porque Adhemar também havia atuado na preliminar.

Alma de maratonista. Adhemar seria o herói da peleja.

Clássico dos Clássicos sem polêmica é coisa rara. Não ia ser diferente daquela vez.

As regras eram diferentes.

O Náutico tem um goal-kick a seu favor.

Uma espécie de tiro de meta. Sitonho levanta a bola para o arqueiro Agostinho.

Numa fração de segundos, Briant aompanhando o lance de perto, rouba a bola no ar e marca o tento do Leão.

O juiz Rômulo de Souza corre pro meio de campo apesar dos protestos alvirrubros. 2 x 1.

Cabe lembrar que, segundo os jornais da época, pela regra número 7 era proibido a qualquer jogador adversário permanecer a menos de dez jardas do tal goal-kick.

Como os tempos eram outros, a bola voltou a rolar civilizadamente.

Pouco antes do final do primeiro tempo Adhemar recebe a bola e arranca em um belissimo rush anotando mais um tento. 3 x 1!

A torcida aplaude delirantemente o conjunto de Rosa e Silva.

Na volta do intervalo, Lopes perde um gol feito.

A vitória parece garantida. Mas Amaro sente cãimbras e faz número em campo.

Petribu já não corre como antes sentindo uma contusão. O Sport pressiona, o Náutico resiste.

Quando o jogo parece se encaminhar para o seu final, Máximo bate um corner e Adhemar completa com categoria. 4 x 1!

Em 1916 o mundo estava em guerra.

Mas nos campos de futebol a rivalidade se encerrava com o apito final.

Alvirrubros e rubro negros se saudaram com gritos de hurrah, apertaram-se as mãos e caminharam tranquilos para casa.

O Náutico perdeu a final do grupo B para o Sport por 3 x 1 no dia 17 de dezembro de 1916.

O Sport sagrou-se campeão pernambucano vencendo o Santa Cruz, campeão do grupo A, por 4 x 1 sete dias depois.

Como se vê, o regulamento da época não gostava de clássicos.

Como o de 2008.

O Náutico só iria jogar oficialmente contra o Santa Cruz no dia 26 de maio de 1918. Um empate em 1 x 1.

Mas aí já é uma outra história.

Uma resposta a HISTÓRIA

  1. Leandro de Lira disse:

    Quem quiser ter uma prévia do
    que nós vamos enfrentar lá em Ivinhema colem esse endereço
    do youtube na barra de endereços do seu browser:
    http://www.youtube.com/watch?v=fRn2rsbcU_0
    É do último jogo deles:
    Ivinhema 4 x 1 Guaicurus
    Parece ser um time rápido e perigoso mas dá pra encarar e
    eliminar o 2° jogo. Também nesse vídeo tem entrevista com os
    jogadores e o técnico, vale a pena ver.

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