Um amigo me ligou no celular. Ficou espantado por saber que eu estava no jogo Salgueiro e Náutico.
- Mas o jogo tem só 36 minutos!
Pra desconversar, e sabendo do seu conhecido pão durismo, respondi:
- É de graça!
Ele ficou mais tranqüilo com a minha sanidade mental. E voltou para seu passatempo que é montar quebra-cabeças.
Mas quebra-cabeça era o do Timbu.
Acontece que o jogo Salgueiro e Náutico não era um jogo qualquer. Porque qualquer jogo tem noventa minutos. Salgueiro e Náutico tinha trinta e seis.
Qualquer jogo inicia 0 x 0. O de hoje à noite em Caruaru já começava 1 x 0 pro time sertanejo. O Náutico jogava como no ciclismo. Contra o relógio.
Além do mais, esses jogos triviais que andam por aí, começam com a bola no círculo central. Salgueiro e Náutico começou com bola ao chão.
Dito isso, devo confessar. Foi um sofrimento. Tem muito jogo de noventa minutos que dá sono, bocejo. O de hoje foi elétrico. Teve cai cai. Teve o Timbu jogando com cinco atacantes e dois defensores. Teve chance de gol. Teve grandes defesas. E não teve gol.
Johan Cruijff, o lendário atacante holandês, confessava em suas memórias: “Futebol não é marcar gols”.
E explicava: “Sei que para ganhar, você precisa marcar gols. Mas futebol é manobrar em campo para criar oportunidades de gol”.
O Náutico, inferiorizado numericamente, com a corda no pescoço, criou oportunidades. Lutou como lutam os desesperados. Mas voltou para Recife com a sensação que o título pernambucano disse adeus nessa noite fria de Caruaru.
Pode ser que sim. Também pode ser que não. O futebol é um infinito manancial de surpresas.
Duvida?
Então, como explicar o fascínio desta partida de 36 minutos?
Só há uma explicação. E ela se chama, futebol!