A alegria de encontrar o time do Náutico no hotel em Fortaleza só foi passada para traz pelo prazer da descoberta da cidade visitada pela primeira vez. Tempo curto para tanto sol e tanto mar. Na noite mesmo do domingo, ao chegar à recepção do Iracema Plaza, me dei conta que a delegação do Náutico estava também ali hospedada. Os jogadores eram todos por demais conhecidos. Eu vinha acompanhando com assiduidade os jogos do Náutico, o time embalado três anos seguidos campeão. Mas não conhecia pessoalmente nenhum deles. No amplo terraço em frente ao hotel, os craques alvirrubros curtiam a noite depois do cumprimento da jornada domingueira no Presidente Vergas. O assédio das fãs e a companhia de torcedores fiéis. Ao lado, a badalada Tommy’s, lanchonete da moda em Fortaleza. O point da juventude naqueles idos na praia de Iracema. O Iracema Plaza, com arquitetura inspirada nos hotéis de Miamy, vinha da década anterior e era primeiro e único até então na orla marítima. A praia começava no Plaza e terminava na outra ponta, no Alfredo, a peixada mais procurada pelos turistas. A vistosa sede do clube social Náutico Cearense no meio do caminho, nenhum outro hotel em toda a avenida.
No café da manhã, o encontro com o pessoal do Náutico no restaurante. Numa mesa, com o staff da delegação, o condestável Osvaldo Salsa, campeão alvirrubro e líder do time no primeiro título, em 1934, ex-presidente da Federação e por muito tempo respeitadíssimo diretor de futebol do clube. Não o vi mais no hotel nos dias seguintes. Deve ter retornado ao Recife. A delegação alvirrubra estava vindo de dois amistosos internacionais em Paramaribo, em sua terceira e sempre vitoriosas visitas à antiga Guiana Holandesa. Na chefia da delegação, em Fortaleza, a figura simpática de Nelsindo Valença, timbu de boa ceipa da nova geração. Procurei me aproximar do grupo e me apresentei a Ivan Brondi. Ficamos amigos, amizade que até hoje perdura e que muito prezo. Ivan é um gentleman e um homem de bem.
Procurei saber do dr. Bráulio Pimentel, com quem havia trabalhado no meu tempo de estudante. Não tinha viajado com a delegação, talvez os afazeres profissionais o tivessem retido no Recife. Ivan me apresentou ao grupo. Bita e Didica, estudantes secundaristas, assim como Ivan, envolvidos e ansiosos com o resultado do vestibular feito em janeiro. Gilson Saraiva, outro estudante do grupo, não tinha acompanhado a delegação. Ficara no Recife cuidando da renovação do contrato e de botar as obrigações universitárias em dia com as provas de segunda época. O futebol dificultando a vida do estudante e vice-versa. Em seu lugar no time, o campeão de 1960 Gílson Costa, também estudante. O treinador Dante Bianchi, recém contratado, assim como Vadinho, ex-Santos e ex-São Paulo, e o artilheiro Nino que não seguira para Paramaribo, estavam para chegar. Eram esperados a cada momento.
Não tive de imediato como estreitar a amizade com o grupo. Os jogadores tinham seus compromissos profissionais para dar conta. Avaliação física depois do jogo do domingo, exercícios de recuperação, caminhadas na praia, treinos com bola. Minha programação com a família, por outro lado, caminhava em outra direção. Casa da Cultura, Mercado Central, banho de mar na Barra de Jangada, peixada no Alfredo. E o chope ou a cervejinha gelada ao cair da tarde, compulsória obrigação em tempo de férias não importa a cidade onde esteja.
Mas deu para fazer amizade com alguns dos jogadores. E teve o jogo contra o Ceará na quarta-feira à noite, ocasião propícia para uma aproximação maior com alguns deles. Tanto que no dia seguinte ao jogo, na quinta-feira pela manhã, senti-me na obrigação de acompanhar a delegação até ao aeroporto do Pici para o bota-fora. E foi o que fiz no fusquinha, acompanhado da mulher e do filho, seguindo o ônibus que conduzia a delegação para o embarque. A oportunidade para a foto na companhia de Bita, Didica e Ivan, fotografia que ilustra a matéria.
E o jogo? Ah, sim, o jogo Náutico 2×0 Ceará. Jogo dramático. Teve de tudo aquele Náutico x Ceará. O que não faltou foi emoção. Jogo que terá uma crônica especial. É o que prometo para o próximo capítulo. Muita coisa para lembrar e para contar.
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Não adianta mais, o destino do clube já estar traçado por aqueles que diziam amar o clube, quando eram diretores.`É fechar as portas e cada um deles que riam de nós trouxas que ainda vamos ao estádio. Dê um basta nisso crie coragem e não vá mais seja forte e pare de dar o seu dinheiro em vão.