HISTÓRIA

1972 – O NÁUTICO X ICASA DO SALGUEIRÃO

2 de julho de 1972.

Tempos de Minicopa e milagres.

Salgueiro.

Na paisagem sertaneja se ergue um estádio:

O Cornélio de Barros Muniz de Sá.

Com a presença do Vice-rei do Nordeste: Rubem Moreira.

Ao som da banda da II Zona Aérea do Recife.

Pra bater o centro no estádio?

O Clube Náutico Capibaribe e o Icasa de Juazeiro do Norte.

O novo templo do futebol sertanejo.

Levou um ano para ser construído.

Arquibancadas pintadas de verde e amarelo Brasil.

Dez mil torcedores são esperados.

Gente de tudo que é canto.

O jogo será às 15 horas.

Tem de terminar antes da noite.

Pois o governador prometeu iluminar o templo.

Mas até esse dia era só promessa.

O técnico alvirrubro Gradim.

Confia em Helinho, Sidclay e Paraguaio.

Será?

O Náutico vive uma fase de recuperação.

Bota 15 ‘pilas’ no bolso livre de despesas.

Feliz da vida.

O Icasa não é moleza.

Icasa do artilheiro Zé Emílio.

Festa. Fogos. Farra. Folia.

O deputado Onório Rocha saúda o prefeito Cornélio de Barros.

Isso!

Cornélio de Barros era o prefeito que construiu o Cornélio de Barros.

Náutico e Icasa, uniformizados.

Aguardam o final dos discursos.

Festa. Fogos. Fiat Futebol.

O árbitro Batuel Macedo trila o apito.

8 minutos da etapa inicial.

Edvaldo dribla Nena, Zé Quito e Catolé.

Estufando o filó de Zé Antonio.

Náutico 1 a 0.

O primeiro gol do Salgueirão!

Será que tem placa?

Mas aos 22 minutos.

Provando que não está de brincadeira.

Zé Emílio empata.

Gena reclama!

Marinho Chagas pergunta:

“A gente veio jogar ou dançar o xaxado?”

Marinho que rola bola pra Cordeiro.

O passe chega aos pés de Dedeu.

Dedeu pingpongueia com Paraguaio.

O couro chega curtido de Euclides da Cunha.

Pleno de aveloz.

Novamente nos pés endiabrados de… Edvaldo.

Náutico 2 a 1.

Bola de pé em pé.

Zé Gerardo e Emílio esboçam uma reação.

Morrendo nos braços de Helinho.

O Timbu triunfa no Salgueirão.

Com um aviso:

“O Torneio Eraldo Gueiros será meu!”

A garotada corre pra abraçar aquele cabra aloirado.

Cabra que dribla que nem corisco.

Cabra que chuta que nem Lampião.

O tal de “Marin das Chaga”.

Gradim sorri satisfeito.

O gol da vitória?

Está aí embaixo.

Entrando de mansinho.

Rente à trave direita do Padim Ciço…

Amém.

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