A distorção de uma vitória

Por: José Gomes Neto

Nada como um resultado positivo para ratificar um estado de reação no Brasileirão 2008. Após longos 48 dias, ou sete partidas, o Náutico reencontrou-se com a vitória, curiosamente diante de um adversário de nome homônimo. A suada porém importante conquista dos três pontos recoloca a equipe no caminho de fugir do rebaixamento e, conseqüentemente, de brigar por uma vaga na Copa Sul-Americana em 2009. Mais do que acreditar, os jogadores alvirrubros demonstraram com a bola no pé que estão dispostos e focados nestes objetivos superpostos, convergentes e plausíveis de serem atingidos.

Aliás, por falar em foco, parece que toda vez que o Náutico se supera ocorre algo paralelo que ganha mais destaque. No clássico na Ilha do Retiro, o time abriu o placar. Durante a comemoração, a torcida alvirrubra levou spray de pimenta na cara. Naquela ocasião, o Batalhão de Choque alegou medida de manutenção da ordem. Apesar desta atitude firme contra os torcedores do Náutico, o oficial responsável teve o descabimento de mostrar a razão de todo o conflito: uma bomba de fabricação caseira fora arremessada da torcida rubro-negra. Mas nenhuma atitude drástica aconteceu.

Já um cinegrafista da dona do campeonato, ao invés de estar atento a este fato, preferiu ir atrás do treinador Roberto Fernandes, depois que o comandante alvirrubro ter sido expulso. Por sinal, a reação que o levou a ser expulso de campo foi justamente um pênalti não marcado a favor do Náutico. “Normal”. Depois, no caso do gesto obsceno, queriam porque queriam que houvesse punição no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), diga-se de passagem é outro antro de decisões suspeitas. Nada feito. O treinador do Náutico foi absolvido.

Quando o Botafogo perdeu por 3 a 0, ainda na quarta rodada da competição, seu zagueiro destemperado, além do compulsivo presidente chorão barbarizaram nos Aflitos. Gestos obscenos, acusações, prepotência e apelações circenses… Quem pagou o pato? O Náutico, ora. De pronto, fora penalizado com a perda preventiva de dois mandos de campo e teve que enfrentar Vasco (empate por um gol) e Atlético Mineiro (vitória por 2 a 1), no Arruda. No julgamento realizado no STJD, absolvição. Mas houve prejuízos técnicos e financeiros imputados ao Náutico, não cobertos por ninguém ou nenhuma instituição.

No último sábado (1º) o circo foi proposto pelo Vitória que contou com o apoio da imprensa local e, para variar, mais uma vez, a Polícia Militar de Pernambuco abriu precedentes para encaixar o Náutico na rota de prejuízos nesta Série A. Sendo assim, não posso pensar diferente. Existe algum tipo de direcionamento para o clube seja prejudicado. E isso é inadmissível!

O argumento que utilizo é o seguinte: por que este comportamento excessivo dos policiais não ocorre nos dias de jogos na Ilha do Retiro? Será que a torcida de lá é mais educada, civilizada que a do Náutico? E o comportamento dos adversários? Será que lá sempre são exemplares?

O fato é que no Náutico tudo tem mais dimensão. Seja para melhor ou pior. É trabalhar sério durante a semana, buscar alternativas para vencer em Curitiba e focar as atenções na decisão contra a equipe paranaense.

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