A hora da virada

Por: José Gomes Neto

Após duas rodadas de ausência, quando o Náutico empatou fora com o Juventude e perdeu feio em casa para o Cruzeiro, consegui reunir forças para voltar a versar sobre o futuro do Náutico no Brasileirão 2007. O resultado positivo diante do Corinthians, no Morumbi, depois de dez partidas sem vencer – resgata a confiança perdida pelo torcedor alvirrubro ao longo destas 13 rodadas.

Não é apenas a goleada em si, mas a maneira como a equipe demonstrou um espírito competitivo e determinação para conquistar a primeira vitória longe dos Aflitos. O peso de sair da última colocação da Série A cede espaço agora para o objetivo de se retirar, de uma vez por todas, da zona de rebaixamento – local onde o Timbu ingressou desde a sexta rodada.

Os acontecimentos que marcaram a licença do atacante Kuki serviram como fator de superação para o grupo que viajou a São Paulo. O ídolo alvirrubro no atual século, o baixinho não merecia o protesto feito por parte da torcida timbu. O desgaste já vinha de muito tempo e o estopim ocorreu diante do Cruzeiro.

Mas o Clube Náutico Capibaribe não pode ser refém de ninguém, personificantemente falando. Nem de dirigente incompetente, nem de jogador que não está rendendo o necessário em campo. As pessoas passam, as instituições ficam.

Não quero aqui demonstrar ingratidão ou muito menos desconhecimento de causa quanto à história de Kuki no Náutico. Até porque acompanhei de perto a sua brilhante trajetória no clube e comemorei vitórias memoráveis, com atuações brilhantes, marcadas por gols incríveis.

Mas o que é difícil para certas pessoas é de reconhecer que o tempo não pára. O futebol é dinâmico. Na maioria das vezes até mesmo implacável. Defendo a tese de quem não está de acordo com o melhor para o time, deve ser sacado, lamento muito por você Kuki, mas ninguém é insubstituível! Aliás, como qualquer atleta, em qualquer modalidade.

Senão, vejamos: Carlinhos Bala fez gestos obscenos para a torcida do Sport, na final do Estadual do ano passado. Hoje em dia, ele é ídolo dos rubro-negros. Se o levantador Ricardinho da seleção brasileira de voleibol foi eleito o melhor da Liga Mundial 2007, além da conquista do título, não o impediu de ser cortado do grupo para a disputa do Pan-americano do Rio pelo treinador Bernardinho, por motivo de indisciplina.

Lamentações à parte, o que prefiro mesmo é destacar a atuação dos atacantes Ferreira e Felipe. O primeiro estreando bem, marcado gol, que é o que deve fazer um atacante que se preze. Já o segundo voltando de um período de recuperação física e mostrando que vai dar o que falar neste Brasileirão. Bola para frente, pois ambos merecem crédito por parte da torcida.

De uma maneira geral, todos estão de parabéns pelo que demonstraram no jogo contra o “freguês corintiano”. A reestréia do goleiro Eduardo, o boa partida do lateral Hamilton – que mais uma vez deixou a sua marca num gol de falta -, do próprio cambaleante meia Acosta, que não cansa de tomar porrada durante o jogo, mas que também parte para cima dos adversários. Precisa ter mais ousadia para finalizar as oportunidades. Enfim, de todos que estiveram em ação!

Porém, isso não quer dizer que tudo esteja resolvido. O trabalho do técnico Roberto Fernandes começa a engrenar e será preciso mais empenho a partir de agora. Com mais confiança no próprio potencial, os jogadores e a comissão técnica têm que interagirem juntos, na busca da segunda vitória dentro do Caldeirão Alvirrubro.

A partida contra o Grêmio nesta quarta-feira (25) possui um tempero extra. É que este será o reencontro dos times desde o fatídico 26 de novembro de 2005. Contudo, os tempos são outros. A divisão é outra. As campanhas são diferentes. O Náutico está na 19ª posição, enquanto que a agremiação gaúcha ocupa a quarta colocação.

A necessidade de o Náutico ganhar e dar seqüência às vitórias, o deixará próximo de se libertar da área de degola do campeonato brasileiro. Faltam seis rodadas para se chegar à metade da competição e somar o máximo possível de pontos eleva o time vermelho e branco a este patamar.

Um recado ao torcedor timbu: não entre na onda de argumentos revanchistas para esse duelo contra o Tricolor dos Pampas. Aquilo já passou. O apoio incondicional ao time, respeitando a maneira de jogar, seja feio ou não, mas com aplicação tática e marcação eficaz será o importante. A meta do Náutico é vencer! Não interessa como, ou seja, de que maneira for…

Por sinal, esse adversário sabe muito bem como fazer isso. Eles vêm de um resultado positivo no Olímpico assim: ganharam do lanterna Flamengo por 1 a 0, com gol contra, em cobrança de escanteio.

Outra coisa: será importante que só vá ao estádio quem estiver com espírito solidário. Não adianta trabalhar com quantidade. O ideal será que o público presente incentive e contribua para o bem do time. Esqueçamos de tudo que não fora planejado pela diretoria e vamos em frente. Daqui por diante começa um novo tempo do Náutico na Série A. Assim espero… E que assim seja.

Avante, Náutico!

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