A síndrome do não-resultado positivo

Por: José Gomes Neto

O futebol constrói mitos, lendas e histórias fantásticas, marcadas por sangue, suor e lágrimas. Mas também apresenta muita coisa que se torna fato negativo, no decorrer dos campeonatos. No caso específico do Náutico, que nas duas últimas rodadas do Brasileirão 2008 deixou escapar o resultado positivo depois de sair na frente, e até abrir vantagem de dois gols (como fora diante da Portuguesa), uma síndrome nada favorável começa a incomodar a equipe alvirrubra. Sobre o aspecto estatístico, em nada ela pesa, mas já quanto ao psicológico, este sim o técnico Pintado e os demais membros da comissão técnica têm a função de desfazer, antes que o pior aconteça.

A pior condição que pode acometer uma equipe de futebol é a ausência de auto-confiança e da própria capacidade de superação que o grupo possa vir a esboçar. O goleiro Eduardo já não tem mais o equilíbrio necessário para continuar a ser o titular e outros atletas precisam se esforçar mais para fazer valer as suas presenças no time. Acredito na máxima de que quem se escala é o próprio jogador. Não adianta ficar no discurso evasivo, pois esta modalidade se faz com resultado. De preferência, dentro das quatro linhas. Cada partida traz a sua própria história e o dinamismo imposto pela natural condição dos episódios falam mais alto.

Agora, quanto ao fato de o time deixar escapar pontos preciosos nos minutos finais dos seus jogos, isso é um fator que reflete de forma negativa no grupo. Até porque estes mesmos pontos escoados podem, e devem, fazer muita falta adiante. Até o momento, o Timbu ocupa a nona colocação, com 18 pontos conquistados em 13 rodadas. Se não é uma situação desastrosa, porém, convenhamos: não é a situação ideal. Existe uma composição bastante acirrada na tabela e, daqui por diante, o campeonato literalmente será disputado ponto a ponto. Cada vitória é um passo à frente, enquanto cada revés pode significar que o abismo está logo ali. O empate pode siginificar neutralidade, ou até perda de posições.

Numa análise sintática, nos últimos nove pontos disputados, o Náutico só conseguiu um mísero e solitário ponto. Vale salientar que seis destes foram em pleno Caldeirão Alvirrubro, quando justamente houve a ínfima soma na tabela de classificação, no amargo empate contra o Internacional. O time parou nas cinco vitórias e precisa voltar a vencer a todo custo, sob o forte risco de despencar para a zona de risco. Como desafios têm que permear uma campanha linear – que não é o caso do Náutico – o resultado positivo em Salvador seria muito bem-vindo, além de necessário.

O técnico Pintado ainda está em fase de conhecimento e experimentações nos Aflitos, quanto ao grupo de jogadores, mas contra si ele tem um adversário implacável: o tempo. Daqui a seis rodadas a competição chegará à metade do caminho e quem não estiver com uma pontuação acima dos 25 pontos vai ter que ralar bastante para não ficar apenas observando como será a briga pelo G-4 que levará à Libertadores, e até mesmo a uma vaga para a disputa da Sul-americana.

Destaque para o atacante Gilmar, que com uma raça e aplicação tática elogiáveis, já se configura como um daqueles em quem a torcida pode depositar confiança. A estréia do lateral Piuaí também me agradou, mas ainda está abaixo do que ele pode produzir, ao longo de 90 minutos de um jogo de futebol. No meio-de-campo, meias criativos são as principais ausências e o vazio em termos de ligação ficou evidente. O zagueiro Everaldo voltou a oscilar e falhou no empate do Inter, junto com o goleiro Eduardo. O resultado pertence ao time, mas é preciso pontuar o setor vulnerável para tentar melhorar o desempenho do conjunto.

A não-lógica do futebol me deixa tranqüilo para apostar que o Náutico possa trazer de Salvador três pontos. Se alguém deseja encontrar uma lógica, então tente explicar resultados surpreendentes, inimagináveis, impossíveis. Calma: não precisa perder tempo, pois não há resposta para esta equação chamada futebol.

HEXA é ÚNICO!

Há 40 anos o Clube Náutico Capibaribe conquistava um título que, ao longo da história, tornou-se emblemático. Naquele 21 de julho de 1968, os comandados de Duque (Davi Ferreira) levantaram pela sexta vez consecutiva o maior de todos os titulos ostentado em Pernambuco: o hexacampeonato. Esta história fora construída no Eládio de Barros Carvalho, e sobre o arqui-rival Sport. E culminou com o gol solitário de Ramos, já na prorrogação.

Ao longo deste período, os rivais Santa Cruz e Sport até que tentaram igualar o feito, mas esbarraram no proprietário da exclusividade. Em 1974, o tricolor viu os seus planos irem por água abaixo quando ajudou a criar o slogan: “HEXA É LUXO!”. Dezessete anos mais tarde foi a vez dos leoninos ficarem na vontade. No ano do centenário de fundação do Náutico, em 2001, os alvirrubros não somente voltaram a comemorar um título após 11 anos, mas efetivamente evitaram que o arqui-rival conseguisse dar um presente de grego com o que seria o hexa deles. Seria…

Porém, como diria o jornalista Zuenir Ventura, autor de um livro chamado: “1968, o ano que não terminou”, o hexacampeonato continua tão vivo como se estivéssemos lá, há exatos 40 anos. Parabéns a todos que fazem a história do Clube Náutico Capibaribe. E, antes que eu esqueça: HEXA É ÚNICO!!!!!! (com seis exclamações).

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