A soma de todos os medos

Por: Frederico Lira

O péssimo futebol apresentado no Maracanã, domingo, diante do Botafogo, serviu para corroborar a idéia, um tanto óbvia, de que o elenco alvirrubro é frágil, carente em diversas posições e inconsistente. Frágil, por possuir jogadores que não estão à altura de uma série A e da tradição centenária do Náutico; carente, além da pobreza técnica, pelo baixo número de jogadores no elenco principal e das poucas opções no banco de reservas; inconsistente, por demonstrar, às vezes dentro de uma mesma partida, perigosas oscilações.

Perder do Botafogo atual, indubitavelmente uma das melhores equipes do futebol brasileiro, atuando em sua casa, não é, em si, nenhuma vergonha. Jogar um futebol apático, inerte e pouco inteligente é sim, além de vexatório, algo extremamente preocupante. Some-se a isso o fato de, pela primeira vez em seis rodadas, figurarmos na zona de rebaixamento – ocupando a alarmante 19ª posição, com apenas 5 pontos conquistados dentre 18 possíveis (um pobre aproveitamento de 27,7%).

Um choque de realidade exacerbado: a soma de todos os medos do torcedor alvirrubro nesse início de brasileiro.

Se hoje o Náutico ocupa essa lamentável colocação, certamente não é por mero acaso. Um planejamento mal formulado, somado a uma sucessão de equívocos e a uma política de contratações altamente questionável, são fatores preponderantes na explicação do decepcionante desempenho timbu.

Contratar “refugos” de clubes do sul-sudeste foi comprovadamente uma experiência que não deu certo – como Cristian, Índio, Escalona, Marquinhos e Yves. Apostar nos jogadores da terra é uma experiência válida, mas não quando esses surgem como solução de crônicos problemas técnicos – vide Sidny, Deleu, Daniel Sobralense e Wagner Rosa. Por fim, há os (não tão) “destaques” de clubes menores de outros estados, e aí temos os casos de Cris, Toninho e Hamilton.

Em suma, foi esse o perfil de contratações do Náutico. Fracassou, e agora teremos 28 rodadas para reformular um elenco principal que atualmente conta com apenas 23 jogadores, e protagonizar uma difícil virada na competição.

Onde vive a esperança

Desde que foram estabelecidos os pontos corridos – precisamente o ano de 2003 – figurar na zona de degola na sexta rodada não significa certeza de rebaixamento. Segundo apurou reportagem do Jornal do Commercio do dia 19 de junho, somente 2 dos 14 clubes que vivenciaram a mesma situação do Náutico atual, na mesma altura do Brasileiro, terminaram rebaixados – o Santa Cruz de 2006 e o Atlético/MG de 2005.

Os casos mais emblemáticos de reviravolta são o Atlético/PR de 2005 e o Grêmio de 2006. O primeiro disputava as finais da Libertadores naquele ano. Por priorizar a competição continental, havia perdido suas seis primeiras partidas. Terminou na sexta posição, conseguindo uma vaga na sul-americana. O Grêmio do ano passado fazia campanha idêntica à do Náutico atual: 5 pontos em 18 jogos. Reforçou-se bem, deu respaldo ao trabalho do competente Mano Menezes e terminou na espetacular terceira posição, que lhe deu direito a uma vaga na Libertadores.

Outro ponto a se destacar é a boa performance dos adversários do Náutico até aqui: dentre os 6 primeiros colocados, 5 já enfrentaram o Timbu. Só o Internacional, na 13ª posição, não faz parte desse grupo. Além o mais, a diferença do alvirrubro de Conselheiro Rosa e Silva, na penúltima posição, para o 12º, Cruzeiro, é de apenas 3 pontos.

Um campeonato equilibrado como a Série A propicia reviravoltas extraordinárias e constantes variações na tabela. É preciso, porém ter uma serenidade não vista freqüentemente nas bandas dos Aflitos e, essencialmente, não cometer mais erros na estruturação do plantel que nos defenderá na Série A.

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