Agora é para engrenar na Série A

Por: José Gomes Neto

Se havia um sentimento de dívida, por parte do time do Náutico diante da sua torcida, essa foi paga com o futebol aplicado, ofensivo e, acima de tudo, objetivo, na vitória incontestável conquistada diante do Figueirense. O Caldeirão Alvirrubro voltou a ferver com toda a energia que emana das arquibancadas (e que, aliás, nunca se fez ausente), ao ritmo imposto pelo Timbu Coroado.

Não houve espaço para desculpas nem teorias absurdas sobre “estado do gramado, longo intervalo sem vencer nos Aflitos” ou argumento falacioso do tipo. Faço minhas as palavras do técnico Mário Sérgio, que atribuiu o bom resultado conquistado pelo Náutico aos acertos do dono da casa, e não aos erros cometidos pela sua equipe, ao final do confronto.

O espírito de luta e concentração dos jogadores superou qualquer dificuldade que por ventura ocorreu, nos eletrizantes 90 minutos. Eletrizantes, porém cadenciados. Nem mesmo a perda do lateral Sidny por contusão, aos 11 minutos de partida, arrefeceu os ânimos do time. Quase todos estiveram numa jornada regular. A exceção foi o atacante Ferreira, mas que está perdoado e deve seguir em frente.

Alguns, inclusive, dispensam até mesmo comentários. Ícone maior da regularidade do time, o volante Elicarlos mais uma vez fez valer o seu futebol aplicado, com boa antecipação na marcação. Até mesmo quando fez às vezes de lateral, em substituição a Sidny, o meio-campista esteve no ápice do seu desempenho. Após 18 partidas ele recebeu o primeiro cartão amarelo! Isso sim é que é empenho e qualidade técnica!

Lamento que Elicarlos esteja acertado com o Cruzeiro para 2008. Mas, ainda bem que ele só vai para Belo Horizonte ao final do Brasileirão 2007. Até lá, o volante guerreiro vestirá a gloriosa camisa das seis estrelas. Melhor para o Náutico… Pior para os adversários!

Na zaga, Vagner estreou bem e está configurado como opção certa e líquida para substituir uma eventual ausência naquele setor. Outro que tem se destacado deveras é o prata-da-casa Onildo. Esse garoto tem futuro – e futebol – para ir em busca de grandes conquistas na sua carreira.

Hamilton está cada vez mais útil ao time. Participou da criação de jogadas importantes e, dos seus pés, surgiu o gol de abertura da noite, assinalado esplendorosamente pelo gringo Acosta. Por sinal, além do segundo gol, o meia uruguaio deu o passe para Felipe “matar” o adversário, no segundo tempo, ao fazer 4 a 1.

O gol de Tales merece capítulo à parte. Se o jogador não é lá essas coisas, em termos técnicos, ao menos detém a maestria dos grandes cobradores de falta, da entrada da área. Que golaço, Tales! A bola foi direto ao ângulo esquerdo. É Wilson (goleiro do Figueirense), tenta na próxima, ta?!

No meio, além de Elicarlos e Tales (Daniel Paulista esteve improvisado entre os zagueiros), Marcelo Silva e Radamés deram fôlego, e vida, novos ao setor. Cada um na sua especialidade. O primeiro com articulações de jogadas buscando o gol, enquanto o segundo fazendo prevalecer a condição de voluntarismo e de muita raça em campo, para mostrar quem é que manda no pedaço. É por aí, garoto!

Enfim, o técnico Roberto Fernandes atestou a sua teoria de que o futebol apresentado pela sua equipe está em plena evolução. Isso apesar das limitações e acertos a serem corrigidos no Náutico, já para a rodada seguinte, quando vai encarar o pífio Flamengo, neste sábado (11) à noite, no Maracanã.

Mas é preciso destacar que o volume de gols desperdiçados pelo time não pode voltar a se repetir. Muito menos a maneira como se levou o segundo gol do visitante. Acho que seria o momento de o Náutico buscar zerar o saldo negativo, que hoje é negativo de quatro.

Ainda bem que ouvi o próprio treinador alvirrubro afirmar isso em entrevista a uma rádio, após o jogo contra o Figueira. Além disso, valorizar a posse de bola, e desgastar mais o adversário também se fazem necessários para buscar a conquista da terceira vitória consecutiva na Série A.

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