As aparências enganam… E como

Por: José Gomes Neto

Não fosse pelas circunstâncias que ocorreram na partida, o empate do Náutico com o Vasco por 2 a 2 no Caldeirão Alvirrubro poderia ser considerado como normal. Porém, por se tratar de um jogo nos Aflitos, o ideal seria o Timbu faturar mais três pontos e, de pronto, estar numa colocação bem melhor do que a atual 11ª posição. O fato curioso é que, a cada rodada, o time alvirrubro dá um passo adiante.

Bom, em relação ao jogo parece que a expulsão do zagueiro Júlio Santos, logo aos dois minutos, prejudicou mais ao Náutico do que ao próprio Vasco. Pode parecer irônico, mas foi isso o que assisti durante todo o primeiro tempo. A equipe esteve irreconhecível, se comparada ao comportamento e o desempenho diante do São Paulo, na rodada anterior.

De cara ficou evidente que o meia uruguaio Acosta fez aquela falta ao time. Daniel me pareceu assustado com o fato de ter que encarar várias situações novas na sua carreira profissional, de uma só vez. Começar de frente numa partida de Série A, e encarar as cobranças de uma torcida que traz a exigência como critério de avaliação de cada atleta que veste a camisa alvirrubra gerou muita ansiedade e precipitação ao jovem jogador cearense.

O lateral-direito Baiano desperdiçou uma ótima oportunidade de se firmar e convencer, com futebol, que poderia sim ocupar aquela posição com a tranqüilidade de quem é experiente em termos de Série A. Mas a infelicidade do jogador teve direito, inclusive, a levar uma bola nas costas num contra-golpe vascaíno que ocasionou no pênalti e no gol de abertura da partida.

Mas não foi apenas Baiano quem destoou diante de um limitado time adversário, que teve mais destaque pelo nome (leia-se, a história) do que como equipe competitiva. O atacante Beto também deixou de mostrar que pode ser opção de gol, com a camisa do Náutico. Não adianta falar de jogo que passou. O que importa foi o que ele deixou da fazer nos mais recentes 90 minutos. Para ser pontual, 45 minutos foram mais do que suficientes para mostrar que ele está com um débito maior do que crédito.

O zagueiro Cris, mesmo tendo feito o gol da virada, numa cobrança de falta de Hamilton – que por sinal tinha acabado de entrar no jogo e cobrou a falta com precisão -, para mim falhou no lance que originou a falta que decretou o empate cruzmaltino. Por azar, a bola ainda bateu numa de suas pernas e traiu Gléger. Valença deve retornar urgente.

Enfim, o Náutico deixou de ganhar dois pontos, se analisarmos por uma ótica. Mas, como não poderia deixar de ser, o Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão ainda não começou a se desenhar. Esse ponto somado pode fazer diferença mais adiante. Isso de forma favorável. Aos mais pessimistas, quero lembrar aqui que, no ano passado, o Santa Cruz conquistou apenas três pontos em dez partidas, ou seja, 30 pontos. Dez por cento, se quiser. Em 270 minutos, o Timbu já produziu mais do que o rival, que por sinal não é a melhor referência a se balizar.

Ao término de três rodadas, podemos observar que a tal lógica tão decantada por segmentos da crônica esportiva local não prevalece. Essa questão de ter que ganhar em casa, necessariamente não é a questão. Senão vejamos: o Cruzeiro perdeu no Mineirão por 3 a 0 para o Corinthians e agora apanhou por 4 a 3 para o Paraná Clube, que é o atual líder isolado, com 100% de aproveitamento.

O América de Natal perdeu as duas partidas em casa, ambas pelo mesmo placar de 1 a 0, para Vasco e Figueirense, respectivamente. Foi pontuar exatamente onde ninguém acreditava, em plena Vila Belmiro, triunfo inédito para o Dragão Vermelho, diante de um Santos dividido entre o Brasileirão e a Taça Libertadores da América.

Pois bem, para quem não tem memória aqui vai mais um alerta. No Brasileirão de 1998, o Paraná Clube foi a sensação daquela edição após conquistar cinco vitórias seguidas. Após 23 rodadas, o Tricolor paranaense venceu apenas sete e empatou três e perdeu 13. Acabou em 20° lugar, dentre 24 clubes.

Já o Inter, próximo adversário do Náutico, ainda não pontuou e divide a lanterna, fraternalmente, com o Juventude. Atual campeão do mundo, e vice-brasileiro, o Saci é outra evidência de que contra fatos não prevalece pseudológicas.

Avante, Náutico!

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