Chegou a hora de Kuki

Por: Pedro Selva Filho

Tenho convicção que a imensa família alvi-rubra jamais deixou de reconhecer a competência e importância de Kuki para o Náutico, e que todos nós somos bastante agradecidos e temos muito carinho pelo homem, profissional e ídolo que é o Kuki.

No entanto, assim como tudo na vida, que tem sua hora e momento para começar e terminar, chegou a hora de Kuki, repito, um espetacular profissional, um homem de caráter, honesto, legal e fiel ao Clube Náutico Capibaribe.

Assim como Kuki, também sou profissional. Não do futebol, mais um profissional do mundo dos negócios, dedicado a organização em que trabalho, onde vários desafios são impostos no dia a dia, as dificuldades existem, os confrontos acontecem, as alegrias e tristezas também. Tudo igualzinho ao que acontece na vida de qualquer profissional, inclusive na vida do Sr. Ricardo Valois enquanto Presidente do Clube Náutico Capibaribe.

É assim que funciona toda a organização. A idéia de avaliação, entendida como uma espécie de julgamento, é vista como prática desde o surgimento do homem e não poderia ser diferente no futebol.

Ao avaliar-se o desempenho, estamos avaliando os resultados, pois toda organização precisa de resultados positivos para sua sobrevivência, e por tabela, de profissionais que contribuam no alcance desses resultados.

Certa vez, participando de um evento nacional de RH, um dos palestrantes, o qual não recordo o nome, me impressionou ao afirmar que na organização moderna os profissionais são avaliados pelo que representam hoje para atingimento dos resultados planejados, e não pelo que fizeram no passado. Segundo ele, isso tem uma relação direta com a capacidade de competitividade empresarial, o que tenho que reconhecer, encontra-se corretissimo.

De que adianta, em um mundo competitivo, um profissional ter atingido satisfatoriamente todos os seus desafios durante anos, como por exemplo, ser Campeão Mundial, e hoje, quando a organização necessita de profissionais para trabalhar e se superar em busca de resultados que lhe assegurem sua sobrevivência, esse mesmo profissional não consegue colaborar por não está preparado para tal ?

Não estou aqui afirmando que a história deva ser desprezada, de forma alguma. No entanto, na organização moderna, essa é a mais pura realidade. Estamos em um mundo competitivo, e, no nosso caso, essa competição é a Série A do Brasileiro, da qual sua permanência para o Clube Náutico Capibaribe significa sobrevivência, e para sobrevivermos precisamos ser competitivo, contar com planejamento estratégico, dirigentes antenados e atletas preparados e com competência para atingirmos o resultado desejado, o que todos nós sabemos não ser a nossa realidade atual.

Recentemente, na história do próprio Clube Náutico Capibaribe, tivemos a saída de profissionais por questões de cunho empresarial. Havíamos conquistado nosso acesso a Série A, e nos deparamos com a desmontagem da quase totalidade do elenco que participou daquela conquista. E o que falar de ADILSON, aquele mesmo que fez o gol que evitou o hexa do nosso rival.

Ídolos são também feitos de carne e osso, assim como todos nós. Já tivemos ídolos maravilhosos e inesquecíveis para quem viveu a época, como Baiano, Bizu, Erasmo, Nivaldo, Beliato, Sidcley, Nado, Bita, Nino, Lalá, Lula Mostrinho, dentre tantos outros. No entanto, para todos eles chegou o momento de parar, e coube a história preserva-los na memória para as futuras gerações de alvi-rubros.

Nosso ídolo Kuki encontra-se também inserido neste contexto, ele também viverá o momento onde terá que deixar os gramados e dar continuidade a sua vida, e em minha opinião esse momento chegou.

Não creio, Srs. Valois e André Campos, de quem sou admirador, que nossa torcida foi INGRATA com Kuki, sinceramente não. Se teve alguém que foi ingrato com Kuki, com certeza não foi a torcida, foram vocês, dirigentes, que por falta de planejamento e contratações de profissionais preparados para a competição, exigiram de um profissional digno, correto e amante das cores alvi-rubra o sacrifício (afinal, quem poderia ocupar o lugar de Kuki, mesmo ele voltando de uma contusão ?).

Nós amantes das cores alvi-rubras jamais desprezados e apedrejamos Kuki para sermos chamados de INGRATOS, afinal o temos como ídolo, nem tão pouco fomos INJUSTOS com nosso Presidente. Concordamos que alguns torcedores comentem abusos, utilizam-se de palavras inadequadas, no entanto, a maioria age como participantes de uma organização, afinal o Náutico é de todos nós, clamando por resultados, alertando quanto a necessidade de estarmos preparados e sermos competitivos para conseguirmos sobreviver.

E a quem deveríamos reivindicar, senão ao representante maior que é o Presidente da instituição Clube Náutico Capibaribe ?

Avante, Náutico!

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