Clássico é clássico e ética é ética

Por: José Gomes Neto

Toda semana que antecede clássico no Recife é a mesma coisa. Especulações (com ou sem fundamentos) vêm à tona, notícias de bastidores são trazidas a público de forma distorcida ou má assimilada (o que por conseqüência gera má interpretação), boatos sem precedentes e até mesmo falta de ética por parte de alguns segmentos envolvidos, porém menos providos de escrúpulos são os temperos que acompanham este prato regional. Assim sendo, com este segundo Clássico dos Clássicos do Brasileirão 2008 não poderia ser diferente. Até porque o maior “interessado” no resultado positivo é o Náutico.

Não que o arqui-rival Sport não pretenda vencer, em plena Ilha do Retiro. Até por conta do profissionalismo dos membros da comissão técnica e dos jogadores leoninos, além da exigência da torcida adversária, que impõem uma aura toda especial a este confronto quase centenário. Lá sem vão 99 anos de disputas históricas envolvendo estas duas forças do futebol pernambucano.

Porém, é preciso ressaltar uma constatação nada agradável para alguns setores da crônica esportiva pernambucana, ao longo de 25 anos de observação e participação nesta seara. Não tenho nada contra posicionamentos. Pelo contrário. Defendo a liberdade de opinião e tomada de posição, em especial quando o assunto é defender, ou ter, um lado. O que não admito são dissimulações do tipo bancar o idôneo, o imparcial, mas que pende claramente para uma das partes. Isso de forma discreta, desonesta, nefasta e antiética mesmo.

Não existe imparcialidade plena. Na própria existência humana isso é uma característica impossível de se conseguir. Desde o início da história humana, até os dias atuais, o tempo todo, alguém toma partido por alguém ou algo e isso modifica todo um contexto ou desenrolar dos fatos. Não há como desvencilhar uma preferência ou simpatia daquilo que fazemos. Seja por amor, por profissão, o que for! Não importa!

E provo: quando é para criticar o abuso que é a venda de ingressos do programa todos com a nota por parte de pessoas que se dizem cambistas (em teoria, um cambista teria que comprar ingressos, ou seja, investir, e depois cobrar ágio por eles) aí não aparece ninguém para tomar partido. O argumento é o mesmo: “a gente não viu, a gente não sabe”. E tudo ocorre, por vezes, nas barbas da Polícia Militar, que também se omite ao fato.

Pois bem, quando o assunto volta a ser a disputa entre os times, aí parece que os torcedores rubro-negros saem das arquibancadas e vão para as redações das editorias de esportes dos veículos locais. É impressionante como tudo, eu disse tudo, o que acontece no Náutico ganha dimensões continentais. Ao contrário do que acontece nas bandas da Ilha do Retiro.

Por exemplo, não vejo nenhum estardalhaço em torno da atitude intempestiva do atacante (ala) Carlinhos Bala, quando se retirou do estádio durante o intervalo da partida contra o Vasco, após ser substituído. Outro assunto de peso seria o julgamento por parte do STJD, devido a uma lata de cerveja arremessada contra um assistente, naquela mesma partida, relatada na súmula do árbitro paulista Luiz Seneme. Nada disso vem à tona. É estranho ou não?! E mais importante: por que será?

Fica difícil acatar a um argumento falacioso de que “somos imparciais, não temos time, a nossa equipe é Pernambuco!”. É melhor que cada um assuma o seu papel de forma a não enganar o ouvinte, o leitor, o telespectador. Seria mais justo, menos mascarado. Porque enfatizar sempre o lado ruim para um, no caso o Náutico, e deixar o mar da tranqüilidade da outra margem, como se nada ocorresse é, no mínimo, um ato de parcialidade.

Isso não seria nada demais, não fossem pelos enfoques sistemáticos que claramente beneficiam a uma das partes envolvidas. A idéia aqui não é fomentar o ódio, ou acirrar a rivalidade existente. É apenas deixar claro que não é possível enganar tanta gente por muito tempo sem ser descoberto. Afinal de contas, como diria o companheiro Álvaro Filho, “torcer pode, distorcer, não!”

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