De volta à estaca zero

Por: José Gomes Neto

O Náutico voltou a ser o time mais iluminado do Brasileirão 2007. A derrota por 2 a 0 para o Grêmio mostrou que, por mais que os jogadores se esforcem, nem todos têm a mesma qualidade para contribuir com o objetivo (ou seria desafio?!) de livrar a equipe alvirrubra da zona de rebaixamento.

Mais uma vez, o time comandado por Roberto Fernandes não teve a competência necessária para concluir em gol as chances que ocorreram durante a partida. Ainda no primeiro tempo, quando teve a infelicidade de levar o primeiro gol, em jogada típica do esforçadinho time gaúcho, o Náutico poderia ter começado a mudar a história da partida.

O meia Acosta sofrera uma penalidade máxima mais-do-que-clara, mas o árbitro paulista fez vista grossa e prejudicou o time vermelho e branco. Não quero aqui tentar justificar nada, mas é preciso que a arbitragem aplique a regra do jogo. O empate àquela altura poderia ter mudado, sim, a história do confronto.

Porém, a equipe retornou para o tempo final com a gana de tentar virar um jogo de fundamental importância para o seu futuro na Série A. E o principal obstáculo foi a falta de empenho tático, técnico e físico de alguns atletas. Impressionante como tem peladeiro disfarçado de atleta profissional nos Aflitos!

O volante Daniel Sobralense, por exemplo, destoou dos demais jogadores de maneira pra lá de negativa. O cara conseguiu afundar o time com um futebol abaixo da crítica. Nem precisa fazer corpo mole ou coisa do tipo. Ele é um jogador miolo e esqueleto molenga por natureza!

Por mais que se tentasse furar o bloqueio de marcação imposto pelo Grêmio, faltava aquela qualidade para se finalizar com precisão. Para muitos torcedores que assistiam ao jogo da arquibancada do Caldeirão Alvirrubro, o problema do time foi a “falta de sorte”. Eu preferi analisar como ausência de qualidade e de fôlego dos alvirrubros. Haja limitações elementares de provocar ira em qualquer um, viu!

O atacante Ferreira precisa acreditar mais no próprio taco. Logo de início, ele conseguiu desperdiçar uma chance de ouro. Recebeu um lançamento perfeito de (não me lembro quem! Ops!), mas na saída de Saja não soube como colocar a bola nas redes adversárias… No final do primeiro tempo também. A bola sobrou livre para ele, que após uma tentativa frustrada de Acosta, o deixou de cara para o gol, mas o chute foi em direção à linha de fundo. Vai entender…

Já Sidny agora funciona como um faz tudo no time: atua como ala, cruza, bate falta, chuta de fora da área, até mesmo criar no meio campo ele tenta. Mas precisa saber que não tem três pulmões e vai ter que contar com o apoio e a cobertura necessárias para não comprometer a defesa nos contragolpes dos times adversários.

O outro ala, Júlio César é esforçado e só. O zagueiro Toninho é de lua: por vezes é seguro e em outras situações parece que nunca havia jogado futebol. Daniel Paulista consegue ser regular e útil ao sistema defensivo. Na maior parte do jogo, Acosta está mais para malabarista e tem que jogar mais para o time e menos para a platéia.

O velho Felipe se recupera a contento, mas não pode lançar, dominar e chutar em gol ao mesmo tempo! A regularidade impressionante é as de Elicarlos. Pense num atleta quase-que-perfeito…

Outro ponto a se destacar é presença da torcida do Náutico. Se existe fidelidade, na liderança ou na lanterna, essa tradução se faz em vermelho e branco! Ta aí um aspecto que ninguém, nenhum segmento como diretoria ou imprensa esportiva pode reclamar. Como de praxe, os eternos e apaixonados alvirrubros dão as mãos e incentivam o centenário clube das cores de luta e de paz!

Se não são correspondidos em campo aí é outra história. Apesar das falhas e limitações, ainda é possível acreditar na reversão desta incômoda situação. Há jogadores que farão suas estréias e outros que irão pegar o beco. Vamos apostar no trabalho sério e aplicado do treinador Roberto Fernandes, que, como ele mesmo afirmou não é mágico. Nos últimos três jogos fora do Recife, o Náutico fez cinco pontos.

A próxima para será a Vila Belmiro. Quem sabe a escrita de jogar bem fora do Recife prevaleça e mais três pontos sejam somados contra um time paulista… Quem sabe…

Avante, Náutico!

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