Do drama para a ação

Por: José Gomes Neto

O que deveria ser uma estruturação com planejamento profissional e perspectiva de resultados positivos parece que não passa de um fortuito acontecimento circunstancial. Eis a contextualização na qual se encontra o departamento de futebol do Náutico. Por vezes muito burocrático, inocente em alguns aspectos, ineptos em outros… Chega até mesmo a ser pouco hábil e ágil quando o assunto em xeque é o futuro do Náutico na temporada 2009. A resposta precisa ser dada nos próximos meses, mas já estará girando a roleta do Brasileirão, quando então será selado o destino do que será o Náutico neste restante de temporada: sem time, sem lenço e sem documento…

Após o fracasso durante o campeonato pernambucano, quando aquele setor do clube conseguiu o obtuso, ou seja, não fomentar uma equipe consistente, daquelas que o torcedor percebe um esboço do que sejam os onze, a penúria continuou na Copa do Brasil adentro. Quando tudo parecia somente ruim, eis que agora o processo continua acelerado e parte com tudo de encontro a principal competição da temporada: o Brasileirão. É difícil para qualquer um entender e aceitar esta inepta realidade, em especial o torcedor timbu. Vou além: isto é inadmissível para um clube centenário, de tradição e com uma das torcidas mais fanáticas do País!

Depois de mais de uma década de ostracismo, em relação à elite do futebol brasileiro, os atuais dirigentes do Náutico ainda não se adaptaram à forma de ser e pensar, em termos de Série A. Inversamente proporcional a esta realidade, o time degringola a cada temporada na primeira divisão. Desde que reestreou, em 2007, o Timbu se resumiu a lutar para permanecer entre os 20 melhores do Brasil. Admito que conseguiu de maneira heroica, pois a desigualdade disseminada pelo clube dos 13 (também conhecida como máfia chapa branca do futebol brasileiro), que privilegia a situação geopolítica do futebol, e não apenas o seu critério técnico, dentro de campo, valorizou, e muito, a permanência do centenário alvirrubro entre os melhores.

Basta lembrar aos esquecidos de plantão – que costumo reputar como sem critério e tendenciosos -, que o Náutico viu cair para a Série B Corinthians e Vasco da Gama, em 2007 e 2008, respectivamente. Duas equipes privilegiadíssimas por questões financeiras e, principalmente, no que diz respeito ao contexto do extra campo e extra tribunal do fétido futebol nacional. Não foi fácil para o Náutico. E será ainda mais difícil neste ano, em especial à medida que o Náutico vai fincando o pé e garantindo a sua vaga dentro das quatro linhas. Incomoda a muitos, admitam os incomodados ou não.

Tentar uma vaga na Copa Sul-americana, considerada como a segunda maior competição do continente, pode até ser possível. Chegou-se a especular esta possibilidade no ano passado. Mas depois de algumas rodadas de amarga realidade, vimos que tudo não passou de um surto. De fato, a pretensão foi de apenas permanecer (quase não se sabe como!) na elite. Isso porque, sem time competitivo, jogadores qualificados e experientes no grupo, a utopia se torna pesadelo! A experiência mostra que não dá para suportar por muito tempo na base da improvisação.

Não adianta querer justificar o que todos já sabem! Cotas de patrocínio menores que os outros, e outros blá-blá-blás que estamos polisaturados de apenas e simplesmente ouvir, sem solução anexada… Cadê os caras que se dizem “dirigentes de futebol profissional”? Ou seriam “dirigentes profissionais de futebol”? Bom, o que posso afirmar é que a ordem destes fatores altera, e como, o produto final! Sem time, não há futebol. E sem futebol, não há razão para estar no Brasileirão!

Além de apenas sempre competir, acho que o torcedor alvirrubro está ávido para ganhar também… Ou isso não faz parte do futebol!?

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