Do vinho ao vinagre

Por: José Gomes Neto

Quando as coisas vão de mal a pior, tudo vira motivo de justificativa ou de gozação. O Náutico conseguiu a proeza de alcançar a liderança do Brasileirão 2008, ainda na segunda rodada. Mas, com o andamento da competição, ou seja, 15 jogos depois, o Timbu ocupa agora a 16ª posição com apenas 18 pontos e cinco vitórias. Isso mesmo. A campanha da equipe sofreu uma vertiginosa mudança do vinho para o vinagre.

Porém, o mais curioso de tudo é perceber que jogadores, membros da comissão técnica e profissionais ligados ao departamento de futebol não chegaram a um denominador comum, quando o assunto é o xis da questão. Existem problemas técnicos, táticos e de qualidade de atletas, mas parece que está tudo em ordem nos Aflitos. Parece, mas não está.

Basta observar as declarações de alguns atletas após o time completar a sétima partida sem vencer na Série A, que garantem a má fase não estar atrelada ao momento financeiro do clube. Pelo contrário. Neste item só houve elogios. Mas, então, qual é o verdadeiro problema que está levando o Náutico sem atalhos para a zona famigerada do campeonato brasileiro?

Enquanto ninguém tiver coragem de resolver esta pendência, um sub-mundo de especulações fantásticas vai tomando corpo e os boatos vão se espalhando numa proporção inimaginável. A torcida cobra a responsabilidade dos jogadores, que elogiam a postura dos dirigentes, que não repassam nada para ninguém. E assim a nau da mediocridade navega em mares turbulentos e melancólicos.

Por sua vez, a crônica esportiva só avalia resultados e não perdoa os sucessivos fracassos do Náutico, seja dentro ou fora das quatro linhas. Ainda assim sem ter um critério estabelecido. Como hienas medonhas se seguram no tenso desdobramento proporcionado pelo desespero dos torcedores e atiram para todos os lados. O pior é que não buscam identificar a raiz dos problemas que acometem o grupo de atletas, os diretores de futebol e, por fim, do próprio clube como um todo, em sua conjuntura.

Enquanto eles alimentam este jogo sórdido de quanto pior, melhor para dar audiência e vender jornal, o clube recifense (lembra daquela conversa fiada de que “é Pernambuco”?) despenca em queda livre para a Série B. Sem perspectiva, futebol competitivo, esquema tático, treinador de verdade, time pegador e, em especial, jogadores comprometidos com o contrato que assinaram (isto é, justificando o salário que recebem).

Todos têm a sua parcela de culpa, sim senhor! Porém nem todos têm caráter e hombridade para encarar os fatos com este compromisso. Como é de praxe, escondem-se atrás dos microfones, câmeras e canetas, posando de donos da verdade com suas análises combinatórias, típicas de aproveitadores de plantão, como fazem os abutres diante de uma carniça.

Mas não é neles que os torcedores alvirrubros devem esperar a solução para o problema do Náutico. Não agora, pois o time está em baixa e não é interessante defender o clube. Não dá audiência para eles. Lembro-me muito bem como se fosse hoje de quando o Náutico ocupava a elite do Brasileirão. Ignoravam o fato e pouco citavam o feito. Como se aquilo estivesse incomodando, e muito, a muitos por aqui.

Ainda há tempo para a reação, mas se esta situação ficar sendo protelada então é esquecer a Série A e admitir a queda. No momento não vejo boas perspectivas, mas só depende dos jogadores resolver o que deve ser resolvido. Ouvi dizer que o desafeto de alguns atletas seria o superintendente de futebol Marcelo Sangaletti. Não sei se procede, mas seria de bom grado resolver esta pendência logo.

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