Entre a oscilação e a obviedade

Por: José Gomes Neto

Parece brincadeira, mas até quando o time do Náutico terá que aturar as falhas anacrônicas do goleiro Eduardo neste Brasileirão 2008? Não sei se é uma cláusula contratual, dívida a pagar ou chantagem do jogador para com diretoria e comissão técnica alvirrubras, mas até agora fico sem acreditar que será preciso este jogador receber o terceiro cartão amarelo para ter que ceder gentilmente a sua cativa vaga para o reserva André Sangali poder, enfim, estrear com a camisa 1 do Timbu! É muita tolerância para pouca competência, viu!

Não o considero como o único culpado do resultado deste domingo (17). Porém, da maneira como se desenhou o gol de abertura do Goiás, se aquilo não é culpa do goleiro, então não precisa colocar ninguém naquela posição. É fato que não houve nenhuma cobertura da defesa, mas espalmar a bola para frente da barra, dentro da pequena área, não é o recurso mais recomendável. Isso não se precisa ter mais de dez anos de idade (quem acompanha futebol, ou já jogou uma pelada na vida) para perceber o óbvio.

Depois, convenhamos, o que foi que aconteceu com o time do Náutico, no Serra Dourada, hein? Um amontoado de peladeiros, sem interesse na partida, sem objetividade na competição, nem combatividade nas disputas. Parecia que o Náutico fora representado apenas nas arquibancadas, com a presença sempre marcante da Confraria Timbu Coroado quando os jogos são no Centro-Oeste, e cuja sede fica em Brasília. Dentro das quatro linhas muita apatia e falta de vontade de vencer. Erros de passes absurdos, finalizações bizarras e quase nenhuma troca de passes. N-A-D-A!

Jogador de futebol é engraçado. Quando vence um jogo quer receber mais dinheiro, como forma de premiação. Agora, quando apresenta aquela falta de respeito ao torcedor, aí fica por isso mesmo. Não perde um centavo por conta da malemolência, do corpo mole, da pipocada que deu. Depois alguns ficam até chateados quando são tachados de mercenários ou mascarados, por parte da torcida, ou mesmo de cronistas esportivos.

A oscilação do time do Náutico na competição é até compreensível. A diretoria de futebol não se planejou e passou a apostar em qualquer um que calçasse um meião, um calção ou vestisse a camisa alvirrubra. Sem critério, o resultado não poderia ser diferente: uma avalanche de prejuízos e desculpas evasivas… Foi tudo o que restou para o torcedor do Náutico engolir. Mas ainda resta um alento (?).

De acordo com declarações do técnico Roberto Fernandes, alguns atletas (recém-contratados) ainda não estrearam e, a partir do jogo contra o Botafogo (que será na 23ª rodada) é que ele terá todos os “mágicos” à sua disposição. É bom lembrar ao treinador que não existe encanto no futebol. Ou será que, até lá, todos eles vão estar bem entrosados, na ponta dos cascos, como se diz na gíria futebolística?

Bom, enquanto as apostas continuam nos Aflitos, o campeonato brasileiro não pára. Vamos à 21ª rodada. Por sinal, esta promete ser daquelas… O confronto diante do Fluminense é mais do que um atrativo para o torcedor (que, diga-se de passagem, até aqui não falhou para com a equipe!). E um desafio à altura para o time. As equipes encontram-se na zona de rebaixamento e só a vitória interessa ao Náutico para cair fora desta roubada. Outro resultado só viria a aprofundar uma situação, até agora, totalmente reversível.

Isso porque as equipes que estão logo acima da zona de degola: Portuguesa e Vasco, respectivamente, estão com 22 pontos e vão se enfrentar nesta rodada. Em empate entre os luso-brasileiros seria o ideal, contanto que o Timbu faça o tricolor carioca virar um autêntico pó-de-arroz. É comparecer aos Aflitos e trazer o Náutico de volta à competição entre os melhores, rumo à Sul-americana! Faça a sua aposta, torcedor, pois a roleta está girando…

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