Estabilidade e gangorra

Por: José Gomes Neto

Devagar se vai ao longe. O ponto conquistado pelo Náutico significa que a equipe alvirrubra se mantém focada no seu objetivo. O campeonato é de pontos corridos e somar é preciso para atingir as metas traçadas por cada time neste Brasileirão 2008. O confronto entre pernambucanos e paulistas determinou a importância que cada empate ou vitória irá representar, ao final das últimas 11 rodadas da competição. O acirramento entre os 20 clubes aumenta na proporção em que os horizontes se vêm amplos ou limitados.

Se o ponto conquistado nos Aflitos significou ao Náutico a permanência na 13ª posição, agora com 30 pontos e as mesmas oito vitórias, ao Palmeiras foi o detalhe que o levou ao topo da Série A. Como tem uma vitória a mais do que o ex-líder Grêmio (15 contra 14) – por sinal goleado impiedosamente pelo rival Inter por 4 a 1, no Beira-Rio -, a equipe de Parque Antarctica variou o cardápio da liderança após 13 rodadas.

A síndrome da liderança isolada que tinha atacado o Flamengo também chegou em Porto Alegre. Para quem não lembra (o campeonato é longo e de pontos corridos) o rubro-negro da Gávea chegou a liderar o Brasileirão com seis pontos de vantagem sobre o segundo colocado, mas por menos rodadas. Porém, da mesma forma que o tricolor gaúcho sucumbiu ao primeiro lugar. E olhe que não faltou aviso do técnico Celso Roth: “Ainda é cedo para comemorar alguma coisa.”

Como não poderia ser diferente, o campeonato brasileiro está sendo analisado em duas instâncias. Isso há três rodadas, no mínimo. Na primeira etapa, as equipes que estão a disputar o título, vagas no G-4 e a classificação à Sul-americana. Na outra, as zonas intermediárias e de queda. Por hora, o momento do Náutico é a qualificação à Copa Sul-americana. Mas é preciso estar atento e forte.

A ciranda dos confrontos aponta para uma combinação simples. O passo mais importante para o Náutico, claro, é ganhar do Flamengo, sábado (4) à noite, no Eládio de Barros Carvalho. Chegar aos 33 pontos, e nove vitórias, já o mantém, na pior das hipóteses, no mesmo lugar. Isso porque o líder Palmeiras recebe o Atlético Mineiro, no seu campo. Uma derrota do Galo será interessante, pois a diferença para o Timbu cairia para um ponto (no caso de vitória alvirrubra).

Porém, a 28ª rodada começará no meio da semana (quarta-feira, 1º de outubro) com Fluminense (lanterna, com 26 pontos) x Goiás (7º colocado, com 42 pontos), no Maracanã. Aliás, esse jogo deve dar o que falar. Em especial porque o presidente do Fluminense, Roberto Horcades, já andou falando que a sua equipe “não será rebaixada” após o empate com o Botafogo, no Engenhão. É torcer para o time goiano vencer e manter o tricolor carioca aceso, na lanterna.

Na quinta-feira (2), outro jogo interessante. Desta feita no Barradão, quando o Vitória (10º colocado, com 40 pontos) receberá a Portuguesa (17º lugar, com 27 pontos). Sem querer fazer pleonasmos, a vitória do Vitória será o melhor resultado. Depois, Ipatinga (18º, com 27 pontos) contra o São Paulo (5º colocado, 46 pontos), no Ipatingão – coluna um seco; Vasco (19º, com 26 pontos) x Figueirense (15º, com 29), em São Januário – coluna do meio; e fechando a seqüência dos jogos que importam ao Náutico, Santos (14º, com 30) contra Atlético Paranaense (16º, com 28), um empate seria o ideal.

O silêncio da conivência – Fico pasmado quando vejo os acontecimentos efervescerem no Brasileirão 2008, mas nenhum comentário ou opinião é emitido aqui no Recife. Quando a Rede Globo emplacou matérias tendenciosas semana passada, contra o gramado dos Aflitos, aí a repercussão foi ampla, total e irrestrita.

Pois bem, nesta rodada do campeonato houve muita areia no gramado (?) do Morumbi, mas atletas do São Paulo e Cruzeiro nem notaram. Pior: nenhum cronista de lá, ou daqui, também! Enquanto isso, no Engenhão, torcedores do Fluminense quebraram mais de 200 cadeiras. Mais uma vez, todos se calaram a respeito! Já no clássico gaúcho Grenal, no Beira-Rio, como sempre ocorre, um espetáculo fabuloso de agressões entre policiais e torcedores nas arquibancadas. Bom, acho que deva ser normal, pois ninguém tem a dignidade de dizer ou escrever uma linha! Da mesma forma no Couto Pereira, entre policiais e torcedores atleticanos… Mas ninguém fala nada!

Olha, não é nada pessoal, mas espero que também não o seja contra o Clube Náutico Capibaribe. Tenho dito.

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