Futebol e o detalhe primordial

Por: José Gomes Neto

Não dá para acreditar… Por mais que o Náutico não tenha feito a sua parte, a sorte esteve bafejando o cangote do Timbu, no Brasileirão 2007. É que os outros resultados da rodada que interessavam ao Alvirrubro ocorreram numa boa, na maior! Não vencer o Atlético Mineiro foi duro de aceitar, mas o futebol é ingrato e o antijogo praticado com “classe” pode sim prevalecer. Convenhamos, não há nada de novo nesse argumento.

Os empates entre Atlético Paranaense e Figueirense, na Arena da Baixada (1 a 1); Juventude e Corinthians, no Alfredo Jaconi (2 a 2); derrota do Flamengo para o Palmeiras (2 a 1), no Parque Antarctica e até mesmo a derrota do Fluminense para o Cruzeiro (4 a 2), no Mineirão foram os resultados necessários para elevar o Náutico para fora da zona famigerada.

Então, fica constatado que não foi por falta de sorte (apenas) que o Náutico não saiu da zona de rebaixamento. Mais uma vez, o time conseguiu impor o seu melhor futebol, espremeu o adversário contra a parede, mas o detalhe (como diria o treinador Carlos Alberto Parreira) aquele sinistro detalhe, não aconteceu. Infelizmente, não adianta dominar a partida sem alterar o placar.

O interessante foi constatar que o futebol apresentado pelo “Patético” Mineiro encheu a vista de grande parte da mídia nacional. Pois é, o que vale são os três pontos… Mesmo que a equipe não convença nem mesmo ao próprio treinador.

Sem querer desviar o foco do assunto, o árbitro paulista Seneme, mais uma vez, mostrou a que veio aos Aflitos. Na partida contra o Fluminense, ele deixou de marcar pênalti a favor do Náutico, em cima de Acosta. De novo, ele não “vê” o meia uruguaio ser empurrado dentro da área, no final da partida. Que coincidência, hein!

Quem disse que não adianta fazer escarcéu contra a arbitragem nacional, “pois não dá em nada”, está amplamente equivocado. Quem acompanha o campeonato brasileiro entenderá o que afirmo nestas linhas. Não vou, e nem quero, me ater ao óbvio. Chega!

O curioso foi que não li, ouvi ou assisti nenhum repórter da crônica esportiva de Pernambuco questionar ao técnico Emerson Leão, ao final do confronto, se ele havia gostado da arbitragem na partida de domingo (19). E é porque são todos preocupados, e antenados, com o futebol pernambucano! Imagine se não fossem?! Deixa pra lá, a Angra é dos Reis…

Bom, voltando ao Náutico, o time insistiu, e até persistiu, mas sem a pujança na hora de finalizar as jogadas. A resposta super consciente do técnico Roberto Fernandes, quando externou os motivos pelos quais o Timba havia perdido a segunda consecutiva, me deixou tranqüilo. Simplesmente, ele justificou diferenciando que a bola atleticana balançou as redes adversárias. Ao contrário da bola alvirrubra.

A fome de Marcelo Silva, que driblou o goleiro e chutou pra fora, com Sidny do seu lado, no final do primeiro tempo; a infelicidade total de Felipe, que recebeu “o passe” de Marcelinho, no começo da etapa final, mas empurrou a redonda para linha de fundo, não podem ser considerados como falta de sorte. Nem mesmo o desvio da zaga atleticana no finalzinho, quando a bola caprichosamente foi parar no travessão, pode ser encarado como tal.

Paciência. Isso são coisas do futebol. O problema é que já se vão 20 rodadas e o próximo jogo do Náutico será contra o líder São Paulo, no Morumbi.

Mas, como o Náutico é o time do imprevisível, porque não contar com uma surpreendente e arrebatadora vitória contra o líder do Brasileirão. Se já ganhou no Caldeirão Alvirrubro por 1 a 0, não seria novidade repetir a dose. Calma, continuou a pisar no chão, mas futebol se decide nas quatro linhas (apesar da nojeira organizada que é essa arbitragem nacional, e do segregacionismo antinordestino não assumido pelo resto do País).

Mesmo assim, vamos em frente. A vida continua e o Náutico ainda depende das próprias forças para continuar a volta por cima na Série A.

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