Limitações e perspectivas do Náutico

Por: José Gomes Neto

Tinha tudo para ser um bom jogo, em especial com um bom resultado para o Náutico. Mas a partida diante de um limitado Corinthians pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil 2007 terminou sendo uma decepção. Eis a minha opinião sobre o que produziu a equipe comandada por Paulo César Gusmão, ao final dos primeiros 90 minutos da decisão às quartas-de-final dessa competição nacional.

Se não deu para virar o placar aqui no Eládio de Barros Carvalho, ao menos fica a esperança de que é possível conquistar uma vitória lá no Pacaembu, na noite da próxima quinta-feira (26). O equilíbrio entre os times é total. Isso porque, sem Felipe e Kuki, o Náutico se igualou ao limitado time paulistano. Sobra vontade e falta técnica, e esquema tático aos alvinegros.

Para começo de conversa, não contar com os dois atacantes referenciais não pode, e nem poderia, ser a desculpa suficiente para o vexame que foram os 45 minutos iniciais. As ausências de Felipe e Kuki pesaram muito. Não vou negar. Mas o prata-da-casa Jhon não produziu o esperado. Esse garoto poderia ter produzido melhor. De que maneira? Fazendo gol, ora essa!

Depois, entrar com três volantes de nada adiantou. Como é possível admitir levar um gol do meio da rua, como o do atacante Magrão. Falhou junto com a proteção de zaga o goleiro Gléguer. Não importa como fora a trajetória irregular da bola. Não me conformo com explicações da Física, ou Meta Física. Se fosse Rodolpho atrelariam a falha à sua pouca altura.

Porém, a inoperância do sistema ofensivo fora evidente na equipe. Apenas dez chutes a gol, em 90 minutos. E somente dois entraram na barra. Isso sem falar nos 38 passes errados. Isso só para ilustrar o panorama geral do que produziu o Náutico. Uma mediocridade!

Parece até que o Paulo César que tinha chegado há pouco tempo – e por conseqüência não conhecia de perto o grupo – era o Gusmão, e não o Carpegiani. Limitações são superadas com vontade e espírito competitivo. Assim foi o comportamento do esforçado time corintiano. Catimbeiro, fadado ao anti-futebol, enfim o que se chama de “competitivo”. Um outro aspecto relevante favorável ao Corinthians fora o árbitro. Aliado a esta cafajestagem, a arbitragem tendenciosa do juiz norte-rio-grandense, que deixou de marcar um pênalti em cima de Eliomar, logo aos quatro minutos de jogo. Sem dúvida, essa condição mudaria a história do confronto. Mas…

Mesmo assim, a garra demonstrada na etapa final ao menos traz o alento de que os jogadores do Náutico quiseram compensar a presença maciça do torcedor. Nem mesmo o mau tempo, que perdurou durante toda a quarta-feira (18), no Recife e Região Metropolitana afugentou os aguerridos alvirrubros. Quase 20 mil foram dar o seu crédito ao time ridículo do treinador PC Gusmão.

A diretoria precisa abrir os olhos e pisar no chão. Esse “teste” que o Náutico fez só corrobora com a opinião de dezenas de torcedores, advindas das dependências dos Aflitos, ao final da partida: “O Náutico, infelizmente, está no caminho de volta da Série B! A diretoria não pensa grande e muito menos com fibra de quem pretende, ou quer, permanecer na elite do futebol brasileiro!”.

A incompetência apontada por torcedores do Náutico diz respeito aos limitados laterais, entre outras falhas gritantes do grupo. Sidny fez até o gol de empate, mas isso era mais esperado que viesse dos atacantes. Deleu está improvisando até futebol, e isso é péssimo. A limitação de Fábio Silva, e o retorno razoável de Beto, autor do primeiro gol timbu, não são suficientes para o Tim se garantir como time confiável.

Entre o desejo e a realidade, o Náutico tem que mudar da água para o vinho. Caso contrário, iremos amargar o regresso à Segundona, em 2008. Pensar pequeno é o motivo suficiente para uma agremiação não alcançar grandes objetivos. Mas ainda há esperança e tempo para agir. Ou reagir, se quiser assim.

Avente, Náutico!!!!!!

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