Nilson

“jamais trocarei o Náutico por um time qualquer”

Por: Matheus Sukar – Foto: Arquivo

Não é à toa que ele é um dos maiores ídolos da torcida do Náutico. A identificação do goleiro Nilson com o clube que o acolheu é nítida não apenas em seus atos, desde que chegou aos Aflitos, no final de 2003, mas também em suas palavras – como as ditas nesta entrevista, concedida ao Pernambuco Futebol Clube. O atleta se diz muito agradecido e feliz defendendo as cores alvirrubras. E, apesar dos assédios constantes de outras equipes, garante que não pensa em deixar o Náutico. Aos 29 anos, o arqueiro não esconde um dos seus maiores sonhos: levar o Timbu de volta à Série A do futebol brasileiro. Confira, a seguir, a entrevista completa com o Paredão de Rosa e Silva.

Como você vê o Clássico contra o Santa Cruz, neste sábado?

É um jogo importante, tem todos os atrativos por ser um clássico e precisamos vencer pra subir na tabela, pra dar moral. Vencer em clássico sempre dá um moral e sempre existe também uma motivação especial. Vamos com tudo pra esse jogo.

O time do Santa Cruz é, hoje, um time superior ao Náutico?

Olha, o Santa Cruz tem um time mais entrosado que o nosso. E eu acho que superior não. Eles estão com um bom conjunto, têm bons jogadores, e têm demonstrado isso. Têm um bom comandante, mas em clássico sempre há uma igualdade. Quem for mais determinado, se predispor a cumprir aquilo que foi combinado, certamente será o vencedor do clássico.

Tem aquele gostinho a mais por ser contra o Santa Cruz?

Eu não tenho problema nenhum contra o Santa Cruz, não tenho problema com ninguém, com time nenhum. Existe a motivação porque é um clássico, e você nunca quer perder um jogo desse. Não só eu, mas todo o time está motivado e certamente nós vamos procurar colocar essa motivação pra fora, dentro de campo, jogando um futebol bonito, convincente e tendo uma boa vitória.

Quando o Náutico sofreu aquela derrota contra a Portuguesa, na Ilha do Retiro você saiu bastante chateado com alguns jogadores. O time do Náutico agora é outro?

Nós conversamos. Aquela derrota mexeu com nosso brio, com o grupo, e mexeu para um lado positivo. No jogo seguinte, contra a Anapolina, todos nós nos doamos ao máximo e, ainda que não tenha sido um belo jogo, foi uma vitória importante, num momento ímpar, em que nós precisávamos vencer. Então aquela derrota mexeu para o bem e nós conseguimos vencer. A vitória contra a Anapolina nos deu uma tranqüilidade para trabalhar nesses doze dias que estão antecedendo ao clássico.

Há algum tempo, você falou que abandonaria os gramados mais cedo. Esse pensamento ainda passa pela sua cabeça?

Depende do que acontecer mais pra frente. Eu penso que a cada ano que passa, você vê que a sua hora está chegando, não que minha hora tenha chegado [risos]. Acredito que isso é bem pra frente, mas você tem que começar a trabalhar mais o teu futuro, o que você vai fazer quando parar… Ainda que seja um momento muito difícil de aceitar, porque foi a sua vida envolvida dentro do futebol, mas você sabe que um dia esse ciclo vai se fechar. Espero que eu possa terminar com sucesso, e quando chegar a meu último ano, que eu possa terminar no meu melhor. Quero ser um cara bem coerente, quero terminar por cima e não quando já estiver em declínio. Por isso que eu procuro estar sempre atento, sempre guardando dinheiro, investindo, para quando eu estiver numa certa idade mais avançada, mas ainda jogando bem, eu possa dizer: “Vou parar agora. Chegou o momento, porque minha vida extra-campo está tranqüila e eu tenho condições pra terminar”.

Vez ou outra surge algum time da Primeira Divisão do futebol brasileiro querendo lhe contratar. Você pretende sair Náutico antes de encerrar a carreira ou você fica aqui até o final?

Eu estou muito feliz no Náutico. Aqui eu sinto como uma família. Todos os dias, sócios estão aqui, então você vê sempre as mesmas pessoas, eles fazendo parte do clube, e você passa a conhecê-los, a cumprimentá-los todos os dias, a dar “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”, e começa a gerar esse clima, e é uma coisa gostosa, é um ambiente muito legal. E principalmente pelos companheiros de trabalho, que tornam um ambiente muito gostoso. Mas o futuro só a Deus pertence, a gente não sabe. Agora mesmo, tive oportunidade de ir para o Paysandu, ninguém soube disso, eu que estou falando agora pra você. Mas eu estou muito bem aqui. Eu tive uma conversa com o Náutico e com diretores, e sempre fui franco em minhas entrevistas. Para eu sair do Náutico seria para um clube onde pudesse disputar título. Ir para a Primeira Divisão só pra ir e dizer que vou jogar na Série A, não tenho mais idade pra isso, não sou mais menino, não dá pra ficar arriscando, dando tiro no escuro. No Náutico, estou muito bem, em todos os aspectos. Sou valorizado e respeitado por todos, e não tem coisa melhor que você está num lugar onde você é respeitado.

E com relação a propostas da Europa?

Houve a possibilidade de ir pra Portugal no início do ano, é um sonho que eu tenho! Mas pra sair, o clube tem que ser restituído, indenizado. Tal time te quer, aí eu vou ficar brigando com o clube: “Tem que me liberar, tenho que sair. Vou jogar na Europa, ou vou jogar na Primeira Divisão . Tem que me liberar”. Eu não concordo com isso. Eu sei reconhecer e reconheço o Náutico como um clube que me deu uma grande oportunidade, que abriu as portas pra mim, e vou ser eternamente grato ao Náutico e à torcida, porque desde o primeiro dia em que cheguei aqui fui muito bem recebido. O Náutico me deu oportunidade de ser campeão pernambucano, onde eu ainda não tinha sido. Jamais trocarei o Náutico por um clube qualquer.

Falta ainda algo na sua carreira, pra você conquistar? Algum sonho?

Sou um cara feliz, realizado profissionalmente, mas claro que você sempre quer o algo mais. Ainda pra mim, gostaria de ver o Náutico na Primeira Divisão, de ser Campeão Brasileiro da Série A, de jogar uma Libertadores… Então tudo isso são sonhos, de que você tem que correr atrás e buscar realizá-los. Já disputei torneio internacional, pela Seleção Brasileira, fui vice-campeão brasileiro com o Vitória, em 93, então temos que trabalhar pra isso. Tenho o sonho de que o Náutico volte à Primeira Divisão.

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