Ninguém regula a arbitragem nacional

Por: José Gomes Neto

De rodada em rodada, o Brasileirão 2007 se destaca mais pelos erros das arbitragens do que pelo bom futebol jogado pelos times. A exceção do São Paulo, equipe mais regular da competição após 21 jogos, há um equilíbrio que os nivela por baixo e, portanto, os deixa na mesma condição de brigar pelos seus interesses. Cada um na sua realidade estrutural e técnica na competição.

Mas é inacreditável como impera a cultura da não-punição dentro da corja que se autodenomina como Comissão Nacional de Arbitragem.
Sediada no Rio de Janeiro, apesar da capital federal ser Brasília há 47 anos, ela está cercada de boas influências, como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e o Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

Desde a implantação (fictícia) do Estatuto do Torcedor (Lei Federal 10.671), em 15 de maio de 2003, que quase todas as esferas envolvidas no futebol têm previstas legislações para casos de infrações, sejam leves ou graves. Os clubes, o torcedor, os dirigentes, os atletas, todos estão na mira (regulados) para que tudo saia a contento, ou seja, que haja o máximo de lisura nos campeonatos de futebol pelo País. A exceção é a figura do árbitro e de seus assistentes.

Quase como se fossem membros iluminados da Santíssima Igreja Católica em pleno exercício de sua divina repressão na caótica Idade Média na Europa, com o poder de julgar quem merecia viver ou morrer. Acima do bem e do mal. Inclusive do próprio mal que causavam às pessoas quando bancavam nada menos que Deus. Assim é que vejo a maneira como é tratado um árbitro de futebol no Brasil.

Resquícios de uma época em que prevalecia o “ouça, cale a boca e obedeça”, esses pseudo profissionais não têm mais o direito de serem diferentes dos outros humanos mortais. Ou pelo menos não deveriam ter. A ditadura militar acabou, mas ainda vive na conduta absolutista e prepotente desse pessoal que se arvora em possuir um apito e dois cartões no bolso e representar a verdade absoluta das regras do futebol. Eles podem tudo e que ninguém ouse desafia-los!

Além de intocáveis, os árbitros são protegidos pela ausência completa de qualquer legislação que os coloque na condição de igualdade, no mundo do futebol. Sob o argumento falacioso de que “são humanos e, portanto passíveis de erros”, eles pitam e bordam sem o menor pudor.

Entidade mítica e inalcançável ao racionalismo humano, eles têm o direito de anular gol lícito, tirar o título de um clube com um erro crasso, colocar por água abaixo todo um planejamento que exigiu tempo e dinheiro de uma agremiação, tirar um mando de campo, expulsar um treinador por achar que está sendo muito reclamado ou interpretar uma falta fora da área como pênalti, só para citar algumas delas, e nada vai lhes acontecer. Normal… Problema de quem saiu no prejuízo! “É choro de perdedor!”.

Pois bem, se eles não são mais humanos do que os outros, então por que não estão passíveis de serem julgados, condenados e punidos por absurdos que praticam a cada partida de futebol profissional no Brasil? Serão os árbitros alienígenas – apesar de se dizerem humanos – que estão no planeta bola para dominar o mundo com seus cartões amarelo e vermelho, e um pequeno instrumento estridente?!

O erro faz parte da existência humana e é perfeitamente compreensível. Agora, fazer dessa falha, incompetência, ou má fé, um argumento de defesa para escândalos a cada jogo, de norte a sul, e justificar na maior cara de pau que são humanos, aí eu não agüento mais. Parece ladainha de jogador quando o time perde jogo: “Agora é levantar a cabeça e tentar reverter a situação”.

O fato é que a grita de treinadores contra os erros dos senhores árbitros não é recente e já tem mais regularidade no Brasileirão do que o próprio time do São Paulo. Será preciso que tanto elas (árbitras) como eles tenham que posar nus em revistas do ramo para serem punidos?!

A assistente paulista Ana Paula Oliveira foi punida pela Federação Paulista porque posou nua para uma revista masculina e não por ter prejudicado o Botafogo contra o Atlético Mineiro na Copa do Brasil 2007.

É preciso a imprensa esportiva nacional rever esse conceito, caso contrário seremos obrigados a conviver com o fato de que ninguém regula a arbitragem nacional. Da mesma maneira que ninguém regula os Estados Unidos da América, quando o assunto é invadir e conquistar países por interesses político-econômicos, sob a máscara de democracia e liberdade de expressão.

Náutico – Sobre a partida entre São Paulo e Náutico, até o momento em que o jogo estava sendo disputado entre as equipes, havia equilíbrio. Mas quando o carioca radicado em Santa Catarina Wagner Tardelli resolveu dar uma mãozinha ao time da casa, aí ele levou uma mãozada de Souza (que não apenas reclama durante todo o jogo, mas agora também bate nos árbitros), na carinha de pau. Infelizmente não quebrou nem um dentinho…

Como Acosta chegou a empurrar o boxeador são-paulino durante um princípio de confusão generalizada, então o gringo, que além de uruguaio é nordestino (está defendendo o Náutico) foi escolhido para ser o expulso. Esse foi o “incentivo” que faltava para o time paulista reencontrar o seu futebol competitivo e golear impiedosamente o Timbu por 5 a 0 no Morumbi.

Claro, ou você achava que o Náutico iria ficar impune depois de ter vencido Corinthians (por duas vezes esse ano) e o Santos lá dentro de São Paulo? Né assim, não!!!

É esquecer das preferências regionais e financeiras da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), trabalhar mais ainda para buscar a reabilitação, e partir para a vitória diante do Vasco da Gama, em São Januário, na noite desta quinta-feira (30), contra tudo e contra todos, mais uma vez.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*


− 1 = 4

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>