Tudo era festa,
a rua embandeirada,
a festa preparada para o aniversário
- mas falta uma coisa!
Ah, se faltava!
Faltava o título,
a taça tantas vezes sonhada,
faltava o olhar de Martha na derradeira casa
da derradeira esquina dos meus olhos.
Não posso negar
era feliz.
Como só os jovens podem ser felizes
com meus sonhos
com meu time
com a absoluta poesia dos jovens numa tarde de domingo.
Mas faltava a taça,
faltava o beijo da moça da calçada,
faltava o que só o tempo pode nos dar.
Quando a bola de Fernando cruzou as redes,
quando o chute de Estacio virou história
lembro na memória que o Edgar e o Lucídio se ajoelharam,
Carlos Celso enxugou uma lágrima
- que eu vi.
Durval Valença abraçou os antepassados e os descendentes.
Newton Morais saiu pulando do passado,
mãos dadas com Geandre, Robpe e Herbenio,
no pretérito presente.
André Gustavo não disse nada,
pensando que nem devia estar ali,
coisa também pensada por Antonio Ricardo,
Newton Pinheiro e Rafael Alves,
Lucíolo Ferraz e Lucíolo Oliveira,
Carlos Henrique – já de lupa e estetoscópio,
coisa pensada pelos Pires
- milhares de Pires nos Aflitos.
Sérgio Oliveira abandonou Zapata,
foi visto com Trotski e Frida no vagão do tempo,
Guilherme Dias cantou por toda a noite.
Sérgio Galvão, então?
Metallica no portão da Rosa e Silva no walk-man da Sony.
Appel dando dicas ao Epaminondas.
Até Antonio veio – campeão de baleia, Araken e Junqueirinha.
Ulisses desembarcou dos mares e teias,
com Erik, Otoni e Penélope a tiracolo,
Harold tocava o come e dorme na gaita de fole,
e Chico corria em volta do campo da Malaquias,
para espanto das arquibancadas rubro negras
- até 1939 chegar…
Francisco Aurélio insistia:
Não é possível!
Mas Carlos Leite e Rigoberto
explicavam o faz de conta Lobatiano para Osvaldo.
Palmas é que não existia.
Muitas coisas aconteceram naquele dia.
Pois na amizade tudo é possível.
Até mesmo um baile,
quando éramos todos hipótese,
imaginário,
fantasia.
Nada disso eu vi
- confesso que nem mesmo a garota me sorria.
Mas, e daí?
Tudo era festa,
a rua embandeirada,
a festa preparada para o aniversário,
tudo isso foi verdade.
7 de abril de 1935.
O dia em que o Náutico foi campeão.
O dia em que Arsenio, Houldine, Pordeus e Elvimario,
apareceram pra dar os parabéns,
amigos que são – atemporais..
Pois os tempos eram de bailes
e inocência.
Tempos que voltam e voltam e voltam
- helicoidais…
NOTA DO BLOG: As fotos são do Baile de 1935 no Clube Náutico Capibaribe, após a conquista do primeiro título pernambucano
Por: Roberto Vieira, Colaborador NauticoNET
Foto: Blog do Roberto
Muito bonito, epoca de respeito ao proximo.
Muita bonita sua poesia…tempos voltam.