O efeito espelho

Por: José Gomes Neto

Todo tipo de jogo traz como pressuposto nuance de sorte ou de azar. Mas o futebol apresenta cada peculiaridade que até mesmo o mais cético torcedor sequer imagina. A partida do Náutico contra o Palmeiras mostrou por que não se deve deixar de concluir com competência as oportunidades que são criadas, ao longo dos 90 minutos. E como o jogo só termina quando acaba…

Mais uma vez, o Náutico deixa de somar um precioso ponto ao apagar das luzes. Assim aconteceu na estréia do Brasileirão 2007 diante do Atlético Mineiro, no Mineirão, e agora, em pleno Caldeirão Alvirrubro quando amargou aquele fatídico tropeço contra um apenas esforçado, mas chafurdante porquinho verde. O resultado não poderia ser diferente: o Timba é agora lanterna absoluto. Ainda bem que só são 20 clubes, pois poderia ser pior!

Em 30 pontos disputados, o Náutico desperdiçou “apenas” 24. A situação, em termos de tabela está pesada. Aliás, daqui por diante, é vencer, vencer e somente a vitória interessa ao Náutico. Mais uma rodada sem somar três pontos e a equipe alvirrubra irá depender de resultados paralelos – além do próprio, é óbvio – para tentar fugir da até agora blindada zona de rebaixamento.

São exatas cinco rodadas nesta área de queda, sendo quatro delas na condição de penúltimo, e agora a “estréia” como o time mais iluminado da Série A. Se antes eu havia afirmado que limite tem limite, o que posso dizer a partir de então, hein? Não me restam mais palavras (ao vento) para explicar o inexplicável.

Só quero deixar claro que ainda não perdi a esperança de ver o Náutico permanecer na Primeira Divisão, em 2008. Como? Só não pergunte!

Porém, a falta de planejamento (sério e profissional) da diretoria de futebol está mais do que refletida nesta vexatória campanha do Clube Náutico Capibaribe. Após 12 anos fora de elite do futebol nacional, as pessoas que comandam o Timbu Coroado não conseguiram desvencilhar-se da cabeçinha atrasada e do pensamento pequeno, de curto alcance, sem visão ampla nem perspectiva de evolução estrutural.

Como é que um clube dispõe de um Centro de Treinamento e raramente utiliza aquele local para treinos? Cadê os jogadores formados nas divisões de base do Náutico? O que estão fazendo com os recursos que deveriam ser aplicados com o intuito de estruturar o clube, como um todo? Qual o destino do dinheiro de patrocinadores e investidores no clube?

De uma coisa eu sei: o único que vai pagar por isso é o torcedor do Náutico!

Ao contrário dos adágios populares, prefiro analisar a situação do Náutico como sendo a repetição de atos falhos, sistematicamente praticados no provinciano futebol pernambucano. Para quem não entendeu, a questão é a seguinte: o Náutico está realizando a mesma trajetória vergonhosa que o Santa Cruz teve na temporada passada! A diferença é que o ex-presidente coral não elegeu sucessor para o biênio 2007-2008.

O que mais me perturba é saber que a diretoria já está na tentativa de montar uma terceira equipe nesta temporada. Eu disse mais de 33 atletas já foram contratados e dispensados!!!!!!

O suado, escasso e mal aplicado dinheiro foi irresponsavelmente investido em jogadores de má qualidade, treinadores aventureiros, agentes de jogadores aproveitadores e, ao final será sempre o torcedor do Náutico que deve pagar a conta pelo fracasso de quem teve o capital na mão?!

Vergonha na cara também serve para dirigente de futebol, sim senhor! Saiba você, caro diretor alvirrubro, que não está fazendo favor nenhum em administrar o clube! A sua obrigação é a de apresentar resultados e transparência administrativa! Chega de amadorismo no Náutico!

Dentro de campo, o time é apenas um reflexo do acontece fora das quatro linhas. Quanto ao jogo contra o Juventude, seja lá o que os deuses do futebol quiserem… Onde não existe profissionalismo e planejamento, “o que vier a acontecer, aconteceu”.

Avante, Náutico!

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