O futebol ensina

Por: José Gomes Neto

O futebol ensina, a cada jogo, que não se pode prever como será a atuação de uma equipe, independente dos últimos 90 minutos apresentados, na rodada anterior. O Náutico vinha de sonora goleada sofrida para o líder São Paulo, no Morumbi, e foi encarar o quase imbatível Vasco, em São Januário – faz quase um ano que o time cruzmaltino não perde nos seus domínios.

A considerar pelo que foi o confronto entre pernambucanos e cariocas, o Náutico estava com um futebol mais condizente para figurar entre os quatro primeiros colocados do Brasileirão 2007. Porém, como nem tudo nas quatro linhas são domínio e posse de bola, o placar é quem vai determinar a diferença favorável ao time que colocar o maior número de bola nas redes adversárias.

De nada adiantou ao Timba resumir o Vasco ao seu campo de defesa, desde os 34 minutos do primeiro tempo, até os 29 da etapa final. Independentemente da expulsão do volante Andrade. Aliás, acho que foi uma “compensação” pela criação do árbitro goiano, quando ele inventou um pênalti para o clube de Eurico Miranda.

O supremo domínio de jogo imposto pelo Náutico colocou o Vasco na defensiva. Um recuo que custou relativamente caro ao time da casa, que sofreu o empate com 11 minutos do segundo tempo. Até os 28 minutos da etapa final, o Alvirrubro não traduziu em gol a sua superioridade e, por ironia do detalhe (dá-lhe, Parreira!), com apenas com rápido e competente contragolpe, no minuto seguinte, a equipe cruzmaltina mostrou o que realmente faz a diferença, ao final da partida. Os outros gols já foram conseqüência dessa falha.

Não quero entrar em rota de colisão, muito menos de desespero. Mas o incrível de tudo é perceber que só o Náutico não está fazendo a sua parte. Os adversários que estão na árdua luta para permanecer na Série A, em 2008, até que se deram mal, mas o Hexacampeão pernambucano amargou a quarta derrota seguida e está estagnado na 18º posição, após 22 rodadas.

Como ainda restam 16 partidas para tirar o atraso e sair da famigerada área de degola, o Náutico continua a depender das próprias pernas para conseguir se safar. Serão noves partidas no Caldeirão Alvirrubro, e sete fora do Recife. Nos cálculos quase unânimes de todos que acompanham a competição, a conquista de oito vitórias garantirão o Timbu na elite nacional. Com os pés no chão, esperança no coração e uma vitória na cabeça, chegou a hora de o Náutico variar. Mudar a Nau alvirrubra de rumo e voltar a vencer no Brasileirão, e já contra o Internacional. Nada melhor que seja num clássico produzido em vermelho e branco!

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