Reabilitação e virtualidade

Por: José Gomes Neto

Confesso que não gostei do que vi da apresentação do Náutico, na vitória diante do Porto por 3 a 2, nos Aflitos. O time precisa melhorar, e muito, o nível do futebol e de competitividade. Não me venham com a argumentação de que “a equipe não é aquela”, pois o primeiro turno do Campeonato Pernambuco é esse!

Mas, ao menos o resultado de reabilitação serviu para dar um alento para a torcida alvirrubra. Por sinal, ela tem resistido bravamente ao teste de paciência neste começo de temporada. O martírio começa ainda antes de ingressar ao estádio, com filas ininterruptas e catracas que não fazem o quê deveriam, ou seja, registrar o quantitativo de sócios que pagaram a “razoável” quantia de R$ 50,00 para terem o direito não-lido, ou não-atendido.

Com relação ao time do Náutico, me decepcionei com um futebol desarticulado, de pouca criação, e de quase nenhuma objetividade nas conclusões, além de alternar com um marasmo de fazer bocejar até o mais entusiasmado espectador.

Moral da história: o trabalho para o técnico Hélio dos Anjos será dobrado. Até que os jogadores tidos como titulares sejam regularizados (esse capítulo é historicamente anacrônico nos Aflitos) engrenem na equipe principal, acredito que o primeiro turno esteja distante da possibilidade concreta de ser conquistado pelo Timbu. Com sinceridade espero estar equivocado na minha análise. Porém, a experiência mostra que não adianta ir de encontro à lógica de preparação, entrosamento e condicionamento físico que fazem parte da rotina do futebol contemporâneo.

A cada rodada, ou o Náutico perde um atleta por contusão, ou o treinador coloca outro, que ainda não havia estreado. Isso não é o procedimento ideal e, portanto, não adianta tentar iludir a ninguém. Improvisar às vezes leva ao resultado indesejado.

Destaque para o eterno guerreiro/artilheiro Kuki, que tem se configurado como um assistente de mão única, desde 2005. É que ele raramente recebe os passes que costuma fazer, ao deixar os companheiros de cara para o gol adversário.

Além dele, gostei do meia Thiago Laranjeira, do lateral Jaime, dos volantes Vágner Rosa e Felipe Dias. O episódio com o atacante Danilo, artilheiro do time e um dos goleadores do Pernambucano, em lance isolado, sofreu uma torsão que pode tirá-lo deste turno da competição estadual.

Catracas equivocadas

Por sinal, uma prova de que os números não mentem, mas podem ser maquiavelicamente manipulados, ocorreu em relação à contagem de público, nas sociais do Eládio de Barros Carvalho. O número oficial total, e real, registrado foi de 8.064 espectadores. De fato foram omitidos os 2.388 sócios timbus. Se liga, diretoria!!!

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