Sangue, suor e lágrimas

Por: Frederico Lira

O estádio Eládio de Barros Carvalho completamente lotado era o cenário perfeito para o retorno do Náutico à série A dentro de sua casa, após longos 12 anos. Enfrentar, logo de cara, o atual campeão e o treinador responsável pelo ressurgimento do Timbu nesse início de século eram atrativos a mais para uma partida que, por si só, já merecia toda atenção e espaço especial no coração dos alvirrubros – dentre os quais, milhares, como eu, que nunca haviam presenciado nos Aflitos uma partida do Náutico na primeira divisão.

Homenagem ao mestre Muricy Ramalho e protestos da torcida contra as péssimas arbitragens, extremamente prejudiciais ao alvirrubro de Conselheiro Rosa e Silva, nas últimas rodadas, precedem a partida.

Quando a bola rola, por mais significativa que fosse a disparidade técnica entre as duas equipes, a partida se nivela. O Náutico jamais poderia se igualar tecnicamente ao São Paulo – indubitavelmente uma das melhores equipes do país, repleta de talentos individuais que podem resolver a partida em um único lance. Nem nós torcedores cobraríamos isso. Mas, de alguma forma, as adversidades tinham de ser superadas.

E se faltou técnica, se faltou inspiração, sobrou garra, brio e transpiração. O Náutico lutou bravamente do primeiro ao último minuto – foi empurrado por uma torcida que não silenciou, nem mesmo quando as coisas iam mal. E isso deve deixar os alvirrubros orgulhosos.

A segurança de Gléguer, a bravura de Valença, a garra de Elicarlos, a disposição de Marcel, o sacrifício de Felipe e a determinação de Acosta refletem, de alguma forma, o desempenho timbu na partida. Acosta que, mesmo se arrastando em campo após sentir uma contusão na coxa, teve raça para meter a “perna de ganso” na bola cruzada por Marcel e estufar as redes de Rogério Ceni. O estádio vem abaixo em comemoração. Os minutos seguintes seriam intensos e sofridos, mas com muita luta o Náutico conseguiu segurar um grande resultado.

PC Gusmão é conhecido nos Aflitos por fazer preleções profundas, que tocam nos sentimentos dos jogadores e servem de motivação para a batalha iminente – como o grande Estadista inglês Winston Churchill, na corajosa luta contra os nazistas, durante a segunda guerra mundial. Não sei o que PC falou aos atletas, mas, de fato, essa foi uma vitória memorável, construída à base de “sangue, suor e lágrimas”.

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