Tropicália alvirrubra

Por: José Gomes Neto

Do que vem acontecendo ao Náutico nestas duas primeiras partidas da fase de volta do Brasileirão 2008 não sei o que é pior: se as desculpas esfarrapadas a cada fracasso acumulado, ou as apresentações bisonhas do time. Sinceramente, otimismo tem limite e não dá mais para ficar adiando resultados positivos numa competição de pontos corridos. Para ser bem prático, o técnico Roberto Fernandes tem 17 jogos para definir a situação do Timbu na competição, em termos de permanência na elite ou o amargo regresso à Série B, em 2009.

O jogo diante do combalido Fluminense não foi dos piores. O time mostrou empenho e combatividade. Mais isso apenas não é suficiente numa equipe de futebol profissional. Por sinal, o próprio atacante/ídolo Kuki enfim deixou a sua marca ao fazer o seu primeiro gol com a camisa 11, na Série A. Pena que foi justamente num momento em que o Náutico não venceu, não reagiu e nem tampouco convenceu ao torcedor alvirrubro. Mais uma vez, a torcida fez a sua parte e esteve presente no ex-Caldeirão, atual reduto de festas alheias.

Em contrapartida, o Náutico teve duas oportunidades de ter matado o adversário, mas não teve competência suficiente para este fim. As mais claras oportunidades vieram com o ala/meia Ruy, numa cabeçada fulminante ao final do primeiro tempo; e a outra com o volante Ticão, aos 14 minutos da etapa final. O cara conseguiu deixar o goleiro Fernando Henrique no chão, mas chutou em cima do defensor carioca sentado. Incrível!

Por ironia das circunstâncias, no contra-golpe, o tricolor carioca matou a pau e mostrou como é que ganha jogo. Na cobrança de escanteio, o atacante Washington cumprimentou o atabalhoado Eduardo que, pra variar, nada pôde fazer. Aliás, já está mais do que na hora de Eduardo ir cuidar da sua complicada cabecinha, e abrir os caminhos para André Sangali mostrar serviço e tirar o time deste marasmo. É, Eduardo, infelizmente, o teu desgaste com a torcida chegou ao limite. Não dá mais para te segurar na barra, pois você não segura mais nada que for na tua direção.

Por outro lado, não se decide no futebol sem fazer gols. A ilusão de envolver o adversário, jogar melhor e não marcar, de nada vai adiantar. A solução… Bom, o desespero não contribuiu em nada. Não levará ao Náutico a lugar nenhum. Até mesmo porque pior do que está, só sendo o lanterna absoluto da competição. É trabalhar e fazer valer a máxima na qual a incompetente direção de futebol do clube aposta: esperar que o Náutico vá repetir a façanha do ano passado. Porém, com uma diferença enorme. Desta vez não há time, elenco, preparo físico, goleiro e vergonha na cara! Somente vontade… Sem organização tática e meio-campista para ligar a bola ao ataque. Igual a muitos times de peladeiros de final de semana pelas várzeas brasileiras afora.

Argumentos falaciosos, que chegam a atentar contra a capacidade mental do torcedor, não podem ser acatados como se tudo estivesse normal no Clube Náutico Capibaribe. O torcedor não é idiota, mas o presidente Maurício Cardoso acha que sim! O torcedor cansou de acreditar em um Náutico abstrato. Sem comando. Sem alma. Que não se planeja e nem pensa grande. Que não está preocupado com o time, mas na eleição de alguns pares de alvirrubros, que estão mais é concentrados em suas campanhas político-eleitorais do que com o futuro do clube no Brasileirão. Triste palanque político da Avenida Conselheiro Rosa e Silva…

Desculpem-me a falta de “sensibilidade” para as suas questões pessoais, mas vocês me decepcionaram com esta postura anti-alvirrubra. Em primeiro lugar, a vidinha pessoal de vocês. Depois, se sobrar tempo e dinheiro, vamos pensar no Clube Náutico Capibaribe!

A gente só colhe aquilo que planta. Pois então, que façam uma boa delícia do ABACAXI que vocês planejaram para o Náutico nesta temporada. Abaixo os amadores tropicais!

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