Variações sobre um irreverente Timbu

Por: José Gomes Neto

Após as duas primeiras rodadas do campeonato brasileiro da primeira divisão 2009, o Náutico parece ter superado expectativas. Em especial as negativas. De maneira antagonicamente diferente do que vinha apresentando nas competições desta temporada, o Timbu demonstrou espírito de luta e poder de superação para somar quatro dos seis pontos que disputou. A equipe ainda não está pronta e o técnico Waldemar Lemos está apenas no início do seu longo e árduo trabalho. Mesmo assim, já é possível antever uma perspectiva de boa campanha nesta edição do Brasileirão 09. Mas faço questão de repetir que ainda é cedo avaliar a Série A, para os 20 clubes que estão nela.

O empate na estreia contra o Goiás, no Serra Dourada, por 3 a 3 denota o espírito competitivo e a vontade de vencer dos jogadores. Depois de estar perdendo por dois gols de diferença, após os 10 minutos do segundo tempo, o time não se intimidou e foi buscar um resultado digno. Não digo que fora o ideal, mas é preciso reconhecer que somar ponto (ou pontos) fora de casa é mais do que necessário para se estabelecer numa boa posição nesta competição.

Aliás, sem esses pré-requisitos, fica muito difícil esperar qualquer coisa de qualquer time numa competição longa, equilibrada e de pontos corridos. A experiência mostra, desde 2003, quando o Brasileirão passou a ser disputado nestes moldes. E o Náutico, enfim, parece ter reencontrado a pegada e o espírito competitivo, até então esquecidos nesta temporada.

Na rodada anterior, o Náutico recebeu e encarou “o Cruzeiro”, nos Aflitos. Além da estreia diante da torcida, o fato de ter superado uma das melhores equipes brasileiras da atualidade. Desta vez, o time alvirrubro aliou raça e técnica para dobrar o time estrelado das alterosas. E de maneira convincente. Firme e atento na marcação, os atletas fizeram uma exibição nobre, com direito a dois golaços, construídos com qualidade e consciência. Destaque para a pintura de gol de Carlinhos Bala, sem dúvida, um dos mais belos deste campeonato.

O detalhe, que também é fato, e pra variar pouco citado por aqui, é que esta foi a segunda derrota da Raposa na temporada. Antes havia perdido apenas para o Estudiantes, por 4 a 0, em La Plata, Argentina, na fase de grupos da Copa Libertadores da América 09. Na sua estreia no Brasileirão, o Cruzeiro ganhou do Flamengo por 2 a 0, no Mineirão.

Sem se deixar levar pela empolgação, ou mesmo me iludir com este bom começo de competição, o Náutico pede inúmeras reparações no time. Os reforços contratados ainda vão estrear, outros estão por vir, enquanto alguns atletas da base retomam o seu lugar no grupo. Mas é preciso reconhecer o mérito atingido em duas partidas. Primeiro porque é importante começar bem. Além do fator pontuação, o time precisa desta confiança para decolar mais cedo. Depois, porque as capciosas comparações com o início do ano passado não procedem.

Para quem não se lembra de todos os detalhes, aí vão os fatos: o Náutico estreou em casa diante do Goiás e ganhou por 2 a 1. Depois, foi ao Maracanã enfrentar um mistão do Fluminense e também ganhou por 2 a 0. A equipe carioca fez uma excelente campanha na Copa Libertadores, mas perdeu o título contra a LDU, nas cobranças de tiro livre da marca do pênalti, fato este que o levou a quase a um rebaixamento na Série A.

Porém, o fator crucial foi a saída do técnico Roberto Fernandes, que optou por uma proposta do Atlético Paranaense. Para não terem o que falar de sua pessoa (era perseguido sistematicamente por grande e irresponsável parte da crônica esportiva pernambucana), ele resolveu deixar o Náutico na liderança do Brasileirão (feito único para uma equipe nordestina na era dos pontos corridos), e assumiu o Furacão.

Agora, ao contrário daquela realidade, o atual treinador alvirrubro dará sequência ao competente trabalho do grupo na terceira rodada. Isso faz uma diferença enorme. Eu diria favoravelmente grande… Por sinal, houve um grupelho de choque que andou criticando Waldemar Lemos por qualquer coisa, menos o seu trabalho à frente da comissão técnica do Náutico. Que coisa, hein…

Potanto, o momento pede serenidade da parte de profissionais do elenco e da comissão técnica, que precisam mais do que nunca manter o foco e dar continuidade ao bom trabalho deste começo de Série A. Além disso, dirigentes e torcedores devem se manter coesos e aliados na busca, quem sabe, da primeira vitória fora do Recife.

Acosta

Um misto de surpresa, expectativa positiva e desconfiança tomaram conta da minha pessoa quando soube da notícia do retorno do meia-atacante uruguaio Acosta ao Náutico. Sua história no Clube Náutico Capibaribe foi escrita de forma antagônica, dentro e fora do campo, sob duas vertentes.

Porém, eu prefiro falar e analisar apenas a que ocorreu nos gramados. Em 44 partidas oficias com a mística camisa 25, Acosta deixou a sua marca por 23 vezes, sendo a maioria absoluta no Brasileirão 2007, quando chegou à vice-artilharia daquela edição, com 19 gols.

Seu retorno é marcado não apenas por questões controversas, mas por outra, de ordem médica. De maior relevância, espero que esta versão não corresponda e que tudo não passe de uma informação equivocada. Até lá, seja bem-vindo Acosta!

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