Pouca gente percebeu, mas a rodada do Campeonato Pernambucano promoveu uma estreia: da nova bola do Estadual, que deveria ter sido lançada na primeira rodada. Bastaram dois jogos para que jogadores de Náutico e Sport começassem a reclamar da mudança. O primeiro a questionar foi o volante alvirrubro Souza. Para ele, uma das justificativas para seu chutes, considerados mortais para os adversários, não entrarem nos dois últimos jogos é que a bola que está diferente.
- A gente treina com um tipo de bola e está jogando com outro tipo. Essa que estamos atuando é mais leve, parece ter uma película de plástico, deixando-a escorregadia. Sei lá, não parece de couro. Dificulta, porque estava acostumado a bater de uma forma e agora a bola está tendo variações no chute. Tá mais complicado. Dificulta para os goleiros, porém para quem chuta não tá ajudando – criticou Souza, arma do Náutico nas cobranças de falta, no qual já fez cinco gols no Pernambucano.
O peso da bola é uma das principais críticas relacionadas à mudança, mas a proteção plastificada também foi questionada. O goleiro do Sport, Magrão, engrossou o coro:
- Essas bolas são feitas para facilitar a vida dos atacantes, para fazer com que o espetáculo tenha mais gols. Mas a bola que estava na partida contra o Porto era de segunda categoria, tinha uma cobertura plastificada, que ficava ruim até de agarrar. Deus me livre um dia de chuva, não vou conseguir defender – afirmou o camisa 1 do Leão.
Feita pelo mesmo fornecedor esportivo, a bola do campeonato faz parte de um contrato de patrocínio entre a empresa e a Federação Pernambucana de Futebol. O goleiro do Náutico, Gideão, acha que essas transações deveriam ser revistas.
- Deveria fazer uma avaliação entre os atletas, uma votação para aprovar a bola. A mais votada, seria a pelota ultilizada. É o nosso instrumento de trabalho e por isso, ninguém mais capacitado para dizer se presta ou não do que os jogadores – sugeriu Gideão, que ainda alfinetou a conservação destas, pois segundo ele, algumas estão mais cheias do outras.
- Uma hora ela está mais cheia, mais leve. Outras bolas estão mais pesadas, mais murchas – disse.
Apesar de reconhecer a sugestão de Gideão, o atacante do Sport Jheimy é mais realista. Ele acredita que é uma questão de adaptação. O centroavante disse que já foi prejudicado em dois lances por causa nova bola.
- Toda vez que trocam as bolas acontece isso. É questão de tempo para nos acostumarmos, apesar de achar que trocam demais as bolas sem necessidade. Teve dois lances no jogo contra o Porto, que foi o da mudança, em que perdi dois gols em que normalmente não perderia. A bola estava muito leve. Mas nãoi adianta, é dar tempo. Rogério Ceni cansou de reclamar e nunca fizeram nada. É uma questão comercial entre as federações e as fornedoras – lamentou Jheimy.
Se não fosse por Souza, o tema não seria levantado, mesmo que a bola tenha dado insatisfação para quem joga. Por enquanto, a tendência apontada por Jheimy em se adaptar a nova realidade deve ser seguida.
- A gente já conversou sobre essa bola no elenco. Mas como dizem, se só tem ela, vai com ela mesmo – finalizou Gideão.
Por: Globo Esporte
Foto: NauticoNET