O bom filho à casa torna. A frase é clichê, mas simboliza perfeitamente a volta de um dos maiores ídolos da torcida do Náutico. Sempre de bermuda, sandálias havaianas e uma camiseta com o escudo do Timbu à mostra, Welker Marçal Almeida, o Kieza, transita entre os Aflitos e o Centro de Treinamento Wilson Campos sem pressa, olhos atentos aos chamados dos meninos da base que sonham um dia jogar bola como o ídolo. De perto, a timidez do atacante esconde a bravura com que ele comandou a equipe alvirrubra na conquista do acesso à Serie A, ano passado.
Ao final da conquista, Kieza deixou o clube para se arriscar em Dubai até negociar o retorno. A volta demorou, mas ele garante que chegou cheio de vontade. Tanto que se dependesse apenas do jogador, o período que ele ficou nos Emirados Árabes, onde defendeu o Al-Shabab durante os primeiros quatro meses de 2012 não tinha existido. De acordo com o jogador, nada melhor do que retornar ao Recife para vestir a camisa alvirrubra.
- Aqui me sinto em casa, pois o Recife é um lugar que me adaptei muito bem. Ainda por cima no ano passado tive uma passagem muito boa pelo Náutico, mas infelizmente teve um momento que precisei sair. A minha vontade era ficar, de não ter saído, mas aconteceu – lamentou.
No ano passado, o atacante foi o heroi do Timbu na classificação do clube pernambucano para a Série A do Brasileirão. Kieza, inclusive, conquistou a torcida alvirrubra quando conduziu o Náutico ao vice-campeonato da Série B com 21 um gols na bagagem e a artilharia do torneio. Embora tenha consciência que não deveria ter abandonado o clube em um momento de glória como foi a transição de 2011 para 2012, Kieza confessa que aprendeu bastante com a saída e a pequena temporada no futebol do exterior.
- Foi bom porque eu compreendi o funcionamento de muita coisa, principalmente a dar valor a tudo que é de origem brasileira. Pude ir para fora, adquiri mais experiência e agora eu posso ajudar o grupo, oferecer minhas perspectivas do campeonato através de conversas. Passo para eles o que eu acho válido. Se foi bom eu sair do País, foi ainda melhor eu poder voltar para casa, para os meus amigos, voltar para o Náutico e continuar me empenhando e realizando um bom trabalho.
Temporada nos Emirados Árabes
Foram cerca de quatro meses morando nos Emirados Árabes. Lá, Kieza teve a primeira experiência no futebol estrangeiro e pode analisar que atuar fora do país tem suas desvantagens. É que o atacante de 26 anos sofreu muita pressão e, apesar de contribuir bastante para o clube, era culpado junto com os outros atletas estrangeiros pelas derrotas do Al-Shabab. Além disso, ele contou que a adaptação aos hábitos asiáticos foi dura, mesmo com a presença da família dando suporte no dia a dia.
- A gente aprende a dar mais valor ao trabalho realizado no Brasil. Também conseguimos enxergar de outra maneira como se trabalha aqui e fora. Lá, por exemplo, o profissional não é tão valorizado, o treino acontece de outra forma, o jogo também. Trabalhar em grupo se torna muito mais complicado, eles enaltecem o individualismo profissional, aquela coisa de ‘fazer só o nosso’ – revelou Kieza.
Acostumado ao ‘jeitinho brasileiro’ de ser, em que o espírito coletivo é se sobrepõe ao individualismo, o jogador confessou que ao voltar para a casa percebeu a diferença de um time que joga junto e permanece unido tanto nos momentos de glória e nas derrotas em relação a equipe que preza por separar as atividades.
- Aqui não, aqui tem o calor da torcida, calor do clube, dos companheiros, sempre estamos juntos, procurando trabalhar juntos, escutando as orientações do técnico. O ambiente é completamente diferente. Ainda teve o fato de que eu não queria ter saído do Náutico. Eu ajudei o clube a voltar para a Série A, a gente trabalhou muito no ano passado, abrimos mão de muitas coisas, sempre juntos e agora na Série A vou poder dar continuidade ao trabalho que comecei. Então eu fiquei muito chateado com isso. Eu fui porque eu precisei, mesmo não querendo ir.
Planos com o Náutico na Série A
Quando questionado sobre a volta ao campo, Kieza dispara um “estou louco para jogar e me reencontrar com a torcida alvirrubra”. Por outro lado, o atacante lembra que a responsabilidade de carregar o Timbu nas costas é de todo o elenco e que ele, sozinho, não resolverá os problemas do Náutico. A princípio, o jogador realizou atividades de força para chegar ao condicionamento físico ideal, e com a evolução, já participa dos coletivos sob à análise de Alexandre Gallo. A previsão da reestreia do atleta está marcada para o jogo contra o Corinthians, no dia 14 de julho, no Pacaembu.
O principal objetivo é deixar o Náutico na Série A, mas não custa sonhar com a Sul-Americana”
Kieza
- Qualquer jogador quer estar ali dentro de campo, ajudando da melhor forma possível e eu não sou diferente. Eu estou trabalhando muito para quando a hora chegar eu poder dar continuidade à campanha realizada pelo Náutico no Brasileirão. Sei que a condição agora é bastante diferente comparada ao ano passado, o clube vai cobrar mais, a torcida vai cobrar mais e a gente precisa estar preparado para encarar esses desafios de cabeça erguida.
O objetivo do Náutico é continuar na Série A do Brasileirão. Kieza, por outro lado, sonha mais alto e acredita que o clube pode conquistar a classificação para a Sul-Americana.
- Torcedor quer sempre ver a gente atuando da melhor forma possível, deixando nossa marca em cada nova partida. Ano passado eu fiz muitos gols, então é natural eles cobrarem novos gols. Estou lutando para deixar tudo no lugar, ficar preparado para quando a hora chegar satisfazê-los com os gols que eles tanto esperam. Mas o principal objetivo é deixar o Náutico na Série A, onde é o lugar dele. Também não custa sonhar com a Sul-Americana, até porque o pessoal está absorvendo bem as orientações de Gallo e a equipe tem tudo para fazer uma excelente Série A.
Análise do desempenho do Náutico por Kieza
Veterano e ídolo alvirrubro, o jogador entende quando o assunto é o Náutico. Para ele, não existe tempo ruim quando a partida é nos Aflitos e qualquer justificativa de resultado ruim fora de casa pode ser trabalhada para que os erros se tornem virtudes do elenco. Segundo Kieza, os jogadores alvirrubros estão seguindo à risca as orientações de Alexandre Gallo e a apesar da 13ª colocação na tabela, grupo vai emplacar na competição.
- O Náutico está muito bem na competição, embora o Gallo ainda precise ajustar alguns aspectos no grupo. Mas isso é normal de qualquer equipe, sempre haverá erros a serem corrigidos. O time vem evoluindo muito bem, jogando muito bem principalmente em casa. Aqui é muito difícil a gente ser derrotado. Temos que entrar como a gente sempre entra em todos os jogos. Só precisamos treinar ainda mais para ganhar agilidade no meio-campo. Fora de casa a gente tem que errar o mínimo possível, fazer as coisas certinhas até que o jogo termine. Só dessa forma vamos conseguir os objetivos fora de casa. Se não der para vencer, pelo menos não perder para somar pontos. E fazer o dever de casa. Vencendo em casa a gente vai conseguir manter o ritmo.
Por: Gabriela Máxima/GE
Foto: NauticoNET
Concordo com a visão do Kieza, mas se não for colocado em prática e só ficarem falando não vai adiantar de nada… A torcida está com vcs(Time e diretoria) vamos todos juntos em busca da ascenção.
Avante Timba!!!!!