MATÉRIA ESPECIAL

NOTA DO BLOG – Logo após a publicação do belo texto do Mestre Carlos Henrique, veio a notícia terrível da morte em Belo Horizonte na noite de hoje do nosso ídolo Juca Show…

Já faz um tempo que alimento a idéia de prestar uma homenagem a um dos heróis da conquista do campeonato pernambucano de 1974. José Aparecido da Conceição, o lendário Juca Show fez história durante a sua passagem pelo Náutico. Ele chegou em Recife no meio do ano de 1974, juntamente com Pedro Omar. Eles faziam o meio de campo do América-MG, e Orlando Fantoni, na época treinador do Náutico fez questão de contar com os dois jogadores, na montagem do super-time que teria a missão de impedir o hexa-campeonato do Santa Cruz.

Juca Show fez parte do time dos sonhos do América-MG, entre os anos de 1971 a 1973. Neneca, Vander, Pedro Omar, Edson Ratinho e Jair Bala eram algumas das estrelas daquele memorável time mineiro. No ano de 74 alguns deles começaram a migrar para o Náutico. Neneca chegou primeiro, em março. Juca Show e Pedro Omar vieram em julho.

No América-MG Pedro Omar jogava de cabeça de área, e Juca Show era um médio volante mais avançado. Acontece que o Náutico já contava com Vasconcelos e Jorge Mendonça do meio para frente. Foi então que Fantoni chegou para o Juca Show e disse: “meu filho, você é o meu homem de confiança lá atrás. Fique bem na frente de Beliato e Sidclay. Só saia na boa, armando para Vasconcelos na esquerda, ou o Jorge na direita. E pronto. O resto deixe com eles, que eles resolvem”.

Juca Show era um jogador de raro talento. Perfeito no desarme, saía jogando com a bola nos pés, cabeça erguida, impecável visão de jogo e perfeito nos passes.   Raramente avançava até o gol adversário. Tanto é que, em mais de 70 jogos com a camisa do Náutico marcou apenas sete gols. E um deles foi logo na sua estréia, em 08 de agosto de 1974, contra o Íbis por 3×0. Era o primeiro jogo do campeonato pernambucano daquele ano, cujo final ficou eternizado na memória dos alvirrubros que viveram aquela época, aquele momento.

Juca Show não era adepto das noitadas. Pelo contrário, ele bebia às claras, à luz do dia. Adepto da cervejinha, não dispensava um só momento ao lado da “loira gelada”. Quando Fantoni foi perguntado por um repórter sobre esse fato, ele saiu com a resposta mais inusitada possível: “meu amigo, se bebendo o que você diz que ele bebe o homem joga a bola que joga, eu mesmo vou trazer mais bebida para ele”!

Juca Show despediu-se do Náutico no final do ano de 1975. No final de sua carreira chegou a jogar pelo Paissandú, de Belém do Pará.

Em agosto de 2010, no jogo de despedida do América-MG do Mineirão (fechado para reformas) foi feita uma homenagem ao ex-craque mineiro. Juca Show foi imortalizado ao colocar os seus pés na “Calçada da Fama” do Mineirão. O ex-jogador, que enfrenta alguns problemas de saúde ficou bastante emocionado. Ele chorou praticamente durante toda a cerimônia. Ao final, ainda balbuciando as palavras, ele agradeceu dizendo: “É o momento mais feliz da minha vida”! “Tenho muito que agradecer ao América, que nunca se esquece de mim”!

Várias são as estrelas do futebol brasileiro que tiveram a honra de serem homenageadas na calçada da Fama do Mineirão. Foi inaugurada pelo Rei Pelé, depois vieram Ronaldo Fenômeno, Dadá Jacaré, Jair Bala, Piazza, Raul Plasman, Dirceu Lopes, Nelinho, Procópio, João Leite, Palhinha, Sorín, e agora o nosso grande Juca Show.

Jogador humilde, de uma simplicidade ímpar, homem de poucas palavras, como todo bom mineiro, Juca Show pode ser bem traduzido pelas palavras de um garoto de 13 anos, torcedor do América-MG que, num jogo América-MG x Uberlândia, quando estava na arquibancada com o seu pai, o mesmo apontou para um velho homem, de cor morena, também sentado próximo a eles e disse: “aquele ali é uma lenda viva do Coelho. O nome dele é Juca Show. Foi um dos maiores meio-campistas que o seu pai viu jogar”! O menino foi até ele, e pediu para tirar uma foto ao seu lado. Juca Show abriu um sorriso, abraçou o garoto e fez pose para a foto. Palavras do garoto: “o cara é super humilde, depois de tirar a foto ele me agradeceu, como se fosse um favor para ele, e não para mim…”!

Muito obrigado, Juca Show!

Por: CARLOS HENRIQUE/Blog do Roberto

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