AFLITOS

O ano era 1917. A avenida Rosa e Silva ainda não tinha o trânsito congestionado dos dias atuais. Na verdade, ainda era apenas uma ruela de areia, por onde transitavam pessoas, animais e carroças. Moradias eram raras, contavam-se nos dedos.  Ali, numa área adquirida pela Liga Esportiva Pernambucana (atual Federação Pernambucana de Futebol), foi criado um campo que, anos depois, se tornaria o estádio dos Aflitos.

Foi a busca por conforto que fez o estádio ser construído. O Campeonato Pernambucano de Futebol começou a ser disputado no ano de 1915, mas a capital sofria com a falta de locais para abrigar as partidas. Apenas o campo do quartel do Derby e o do British Country Club de Pernambuco eram disponíveis. Até que a Liga entrou em cena.

A área escolhida era de Frederico Lundgren, membro de uma poderosa família de naturalidade sueca que investia no comércio pernambucano àquela época. Após o Estadual de 1917, o contrato de arrendamento com a Liga expirou ainda no primeiro semestre. O Náutico entrou na jogada e adquiriu a área no ano seguinte.

A casa alvirrubra não tinha teto, não tinha nada. Apenas os 105x70m de campo cercado por quatro linhas. Quem quisesse ver os jogos do Timbu ficava em pé, ao redor do gramado. Mas tudo isso foi mudando no fim da década de 1930 e início da década de 1940, quando os lances de arquibancadas começaram a ser construídos.

- É por causa disso que existe um equívoco, cometido até pelo site oficial do clube. Muitos dizem que o Estádio dos Aflitos foi fundado em 1939, mas foi porque neste ano foi feita uma grande obra onde se mudou o lado do campo. Antes, as traves ficavam na direção onde ficam hoje as sociais e arquibancadas frontais, no sentido leste/oeste. Isso mudou porque sempre um goleiro ficava com a luz do sol no rosto de uma maneira muito forte. Então, as barras passaram a ficar na direção norte/sul, como são hoje. Mas o campo já era do Náutico desde 1918, explica o pesquisador Carlos Celso Cordeiro.

Aos poucos a construção foi aumentando, junto com os títulos do clube alvirrubro, até ganhar forma e se tornar o estádio dos Aflitos.

- O estádio dos Aflitos é chamado assim por causa do próprio bairro, que também tem esse nome por causa da igreja de Nossa Senhora dos Aflitos, que foi construída em 1762 e fica ali pertinho do local – diz Carlos Celso Cordeiro.

Eládio de Barros Carvalho

Aflitos é apenas um “apelido”. Oficialmente, o nome do estádio é Eládio de Barros Carvalho. Homenagem a um dos grandes responsáveis pelas obras na área e todas as melhorias da construção. Eládio começou sua história encarnando o Náutico da melhor maneira possível: foi  atleta do clube.

Eládio de Barros Carvalho foi goleiro das divisões de base do Náutico em 1928 e, desde essa época, era tão envolvido com o futebol que se tornou diretor do clube. Também chegou a ser treinador na década de 1930. Como presidente do clube teve 14 mandatos que, entre idas e vindas, começaram em 1948 e só pararam em 1963.

- Na época, não tinha muito profissionalismo como hoje. Falo de uma maneira romântica. Era normal os diretores dividirem suas funções e também treinarem o time. Foi o que Eládio fez. Ele foi importantíssimo para o clube. Um dos mais influentes na história. É só ver a quantidade de mandatos como presidente – afirma Carlos Celso.

Sede patrimônio material

A sede dos Aflitos começou a ser levantada ainda junto com os primeiros lances de arquibancadas, no fim da década de 1930. As obras começaram no setor oeste do estádio. Tanto é que a primeira área a ser construída para abrigar público nas arquibancadas corresponde às sociais.

Só que em 1949, a sede foi alvo de um incêndio. Aí então uma nova foi construída e sua estrutura permanece fiel até hoje, passando a se tornar um patrimônio material tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

- O incêndio foi acidental, mas as causas foram pouco explicadas na época. Isso fez com que a diretoria se preocupasse em fazer algo mais arrojado e a construção permanece lá. Como foi tombado pelo Iphan, nada ali pode ser modificado. A loja oficial continuará lá, por exemplo. A sede não pode ser alterada. A única área que pode sofrer mudança vai da parte que hoje abriga a quadra para trás – detalhou o pesquisador Lucídio José de Oliveira.

Mudança marca uma nova era para o Náutico

A partir do dia 3 de junho, o estádio dos Aflitos vai deixar de abrigar jogos oficiais do Náutico. Mas, por enquanto, vai permanecer de pé no mesmo local onde abrigou as glórias do Timbu e também foi abrigado pelos corações alvirrubros. A diretoria do clube ainda não sabe o qual será seu futuro. A única certeza é que nao haverá venda do espaço. O clube chegou a receber nove propostas de compra, mas todas foram descartadas.

Enquanto aguarda seu destino, os Aflitos pode até receber jogos com público pequeno, além de servir como campo para treino do time profissional e das categorias de base. Estuda-se ainda a possibilidade de realizar shows no local.

Porém, no Brasileirão já está certo que o Timbu vai mandar seus jogos na Arena Pernambuco. O acordo entre o Náutico e a Odebretch foi firmado em 2012. Nele, o clube tem o direito de usufruir da Arena por 30 anos, além de render R$ 500 mil mensais, o que equivale a 1/5 da receita mensal do alvirrubro.

Com uma capacidade de 46 mil lugares (mais que o dobro da capacidade oficial dos Aflitos, que é de 22.856), a estreia do Náutico em jogos oficiais será dia 7 de julho, quando o Timbu enfrenta a Ponte Preta pela 6ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Por: Daniel Gomes/Globo Esporte

6 respostas a AFLITOS

  1. Eduardo Dias disse:

    É LAMENTÁVEL VER ESTA FOTO COM UM TIME TÃO LIMITADO: UM ATAQUE JOGADORES INREGULARES, LATERAIS INEXISTENTES, VOLANTES CANÇADOS E LENTOS, MEIAS INEXISTENTES, DEFESA CABEÇA DE BAGRE E UM GOLEIRO FRANGUEIRO !
    O PRESIDENTE ESTÁ DE PARABÉNS PORQUE NEM OS MAIS PESSIMISTA DOS TORCEDORES IMAGINARIA UM TIME TÃO LIMITADO PARA ESTE ANO. O SENHOR NOS SURPREENDEU COM TAMANHA INCOMPETÊNCIA!

  2. Caro Isac. a Arena pertencerá na verdade ao Estado de PE,dessa forma em 30 anos a construtora entregará ao Estado a Arena,dessa forma o Náutico não ficará sem palco. Como todos sabem em muitos estados brasileiros, como Rio de Janeiro ,Bahia, Ceará ETC , o principal estadio pertence ou ao Estado ou ao Município, com relação em manter o Eládio de Barros é uma obrigação de todos alvirrubros,não vejo nínguem com coragem para encampar esta loucura, afinal é nosso maior patrimônio, pode-se fazer qualquer coisa naquela área, que teremos ótimas receitas sem nos desfazer deste bem tão valioso e tão Amados por todos nós.Seremos um grande Clube Nacionalmente falando, vamos ter muitos alegrias na Arena Timbu, apesar dos derrotista e dos Acomodados, Quem viver verá Náutico Campeão Brasileiro , Sulamerica e Libertadores,muito mais.Saudações .

  3. Campos disse:

    O Náutico na Arena vai ficar desfigurado. Time péssimo, acesso difícil… Vai jogar com o estádio vazio, acabou o caldeirão…
    É uma pena que o último time do Náutico a jogar nos Aflitos é um dos piores da sua história.

  4. O NÁUTICO DEVERIA RESPEITAR A SUA TRADIÇÃO, JOGOS NOS AFLITOS SIM, SÓ CONTRA OS TIMES PEQUENOS, OS GRANDES CLÁSSICOS E JOGOS IMPORTANTES, CONTRA OS TIMES DO SUL DO MAIS PODERIA SIM JOGAR NA ARENA TIMBU, O CNC TÁ NO CAMINHO DO AMERICA FUTEBOL CLUBE DE RECIFE, COMEÇOU ASSIM, SEM TER ONDE JOGAR, E TAI NA ESTRADA DO ARRAIAL EM CASA AMARELA, SÓ TEM A SEDE E NADA MAIS, PARA LEMBRAR DO AMERICA, O NÁUTICO VAI NO MESMO CAMINHO, PQ DEPOIS DE 30 ANOS, NÃO PODERA MAIS JOGAR NA ARENA, O QUE É UM ABSURDO, O CAMPO DOS AFLITOS NÃO SE DEVE VENDER E NEM TROCAR, PODE SER DE MUITA UTILIDADE NO FUTURO !

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