É de Pedro Tibúrcio a tarefa mais difícil. Afinal, no fundo, todo torcedor é um otimista. No fundo, bem no fundo, acha que seu time pode virar uma partida que está perdendo por 2 a 0, restando cinco minutos para o fim. No fundo da alma, tem a esperança que a equipe de perronhas possa, quase que por milagre, ser campeã. Ou que o destino do seu estádio, o seu velho amigo, não seja o fim. Pedro Tibúrcio é o fim. É o homem que vai, quando não houver mais ninguém, passar o cadeado e apagar as luzes da última partida dos Aflitos. É quem vai pôr um ponto final em histórias, lembranças e esperanças.
Ele não admite. Mas não queria isso. Afinal, desde 1972 convive com os Aflitos. Conhece tanto o estádio que virou seu administrador. Cuida da grama, da limpeza, administra os demais funcionários, fecha o estádio. Hoje, pela última vez. Por tristeza, raiva ou sei lá o quê não admitiu dar entrevista sobre o adeus do companheiro de tantos anos.
Perguntado se os Aflitos vai deixar saudades, apenas fez um gesto com a mão, como se para recriminar o repórter pela pergunta óbvia. No fim, após insistência, acabou com qualquer esperança de uma entrevista. Que no fundo, nem precisava. “Quero sair dos Aflitos como entrei. No anonimato”.
Por: João de Andrade Neto – Esportes
Foto: Roberto Ramos
se não fosse a incompetência de tantos presidentes, principalmente o atual, teríamos muitos títulos no nosso estádio, mas nunca esqueceremos as vitorias em nosso aconchegante
estádio dos aflitos.