FUTEBOL AMERICANO

Se existe algo que o jogo de futebol americano entre Mariners e Espectros, nesse domingo, na Arena Pernambuco, ensinou é que o nosso futebol, o praticado com os pés, ainda tem muito a aprender no que diz respeito ao tratamento do produto para os principais clientes, que nos dois casos são os torcedores. Enquanto os Mariners conseguiram promover a partida com muita festa e ações de interação com a torcida, o futebol ainda rasteja e se apega ao que ocorre dentro das quatro linhas, quando na verdade tem potencial para ir muito além.

Organizadores do futebol americano souberam acolher bem o público na arena. Foto: Thiago Wagner/Blog do Torcedor

O principal argumento para esse tipo de pensamento é a própria Arena Pernambuco. No domingo, ela estava pronta para entreter o torcedor enquanto o jogo não rolava com ações que fizeram a torcida interagir e conhecer mais o esporte – que ainda não é tão conhecido da maioria do público em geral. Algo bem diferente do que acontece nas partidas do Náutico, por exemplo. Com o Timbu, as iniciativas são quase nulas no que diz respeito a esse aspecto. Sendo assim, não é nenhuma surpresa que os alvirrubros não tenham identificação com a arena. Só que o culpado não é o estádio de São Lourenço da Mata, mas o próprio clube, que parece não se empenhar para fazer o próprio público curtir a experiência da arena.

Entradas como a dos times de futebol americano são consideradas impossíveis nos futebol por causa do excesso de protocolo da CBF. Foto: Gabriel Siqueira/Recife Mariners

Como se isso não bastasse, ainda existe o protocolo da Confederação Brasileira de Futebol que engessa e impede qualquer tipo de festa maior. Entradas como as do futebol americano, com respeito às particularidades e interação com a torcida, são consideradas impossíveis nos dias de hoje no futebol. Uma pena, pois é possível fazer um belo espetáculo com organização e respeito às regras necessárias. Um fato não exclui o outro.

Festa não significa falta de organização nos eventos. Foto: Diego Nigro/JC Imagem

No fim das contas, a festa mesmo cabe aos próprios torcedores atualmente. Mas não deveria ser assim, principalmente para os clubes que querem captar mais sócios e torcedores. Faltam os atrativos que sobram no futebol americano. E olhe que estamos falando de um esporte considerado amador. Só que apesar da falta de profissionalismo, os organizadores do esporte com a bola oval conseguiram dar uma aula nos nosso dirigentes de futebol. A maioria deles, por sinal, parecem mais preocupados em reclamar das dificuldades do que em procurar alternativas para acolher bem o público. Seria bom que abrissem os olhos e observassem bem os bons exemplos que estão logo ao lado.

Técnico do Mariners avalia que jogo na Arena PE foi histórico para o futebol americano

Para o técnico dos Mariners, Lucas Cisneiros, o jogo na Arena Pernambuco, contra o João Pessoa Espectros foi histórico para o futebol americano. De acordo com ele, a final da Superliga Nordeste provou que a modalidade pode ser praticada em grandes estruturas como a de um estádio de Copa do Mundo. Por conta disso, demonstra esperança com o futebol americano nacional.

“O jogo simboliza uma nova fase no futebol americano. Provamos que pode ser praticado em grande estruturas e que não se resume somente ao jogo. Mostramos que não é coisa amadora, de brincadeira e para público pequeno”, disse.

Ainda dentro desse raciocínio, Cisneiros demonstra esperança com a próxima temporada do Mariners. Segundo ele, a final de hoje pode alavancar o interesse pelo time no ano que vem. “Queremos fazer a melhor seleção que o Mariners já teve. O jogo de hoje foi um salto que nunca havíamos dado. Vamos tentar aproveitar essa divulgação para ter mais jogadores”, afirmou.

Sobre a derrota por 38 a 12, Lucas avaliou que a equipe de branco e azul sentiu um pouco o lado psicológico. “Tivemos alguns lapsos que prejudicaram a nossa campanha de ataque.”.

Já Marcos Crispin, técnico do João Pessoa Espectros, considerou que os paraibanos evoluíram em relação ao último jogo contra os Mariners, quando perderam nos Aflitos. “Eu disse que eles seriam ingênuos se pensassem que iriam enfrentar o mesmo Espectros que perdeu na temporada regular. Estudamos demais o Mariners. Neste esporte, se você não se superar a cada dia está fadado a estar sempre perdendo”.

Thiago Wagner/Blog do Torcedor

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