HISTÓRIA

O dia em que os inimigos José Porfírio e Wilson Campos deram-se as mãos

O Náutico vive um período crítico dentro e fora de campo. Se a comunidade alvirrubra não se entende, logicamente o futebol do clube não evolui, antes pelo contrário. Chegou-se a um ponto em que duas facções não apenas divergem entre si, mas se odeiam. A realidade é que houve muito radicalismo na eleição que levou Glauber Vasconcelos à presidência. Mesmo há quase ano da disputa, o estado beligerante continua. Todavia não é a primeira vez.

Lembro-me que nos anos sessenta, existiam nos Aflitos dois líderes que se digladiavam… e se odiavam. Eram Wilson Campos e José Porfírio. Este, da alta cúpula do Banorte, acusava o outro, prestigiado comerciante na praça, de querer usar o clube como trampolim político. Wilson terminou chegando ao Senado Federal, mas ninguém podia desconhecer seu imenso amor ao clube, que estava acima de qualquer outro interesse. Por outro lado, Porfírio foi o responsável pela quebra de um paradigma ao contratar o primeiro negro para dirigir a equipe alvirrubra, o técnico Gentil Cardoso, em 1960. (Quanto ao time, este permaneceu por mais uns anos sem contar com jogadores pretos, porém, a contratação do Moço Preto já fora um avanço).

Pois, certa vez o time do Náutico brigava no Mineirão com o Atlético – a quem eliminaria – pela antiga Taça Brasil, ao mesmo tempo em que se realizava no “palacete” da Avenida Conselheiro Rosa e Silva uma quentíssima reunião do Conselho Deliberativo. Enquanto o rádio trazia as emoções da batalha em Minas Gerais, nos Aflitos o clima tornara-se tão pesado, que foi necessária a presença de uma guarnição da Rádio Patrulha, preparada para agir se preciso fosse. Porém, entre mortos e feridos escaparam todos.

Cerca de um ano e pouco depois, o Náutico entrava em campo para o jogo que o tornaria hexacampeão pernambucano. Qual não foi a surpresa da torcida ao ver despontarem à boca do túnel dos Aflitos, à frente da equipe, os inimigos, mas sobretudo cavalheiros e sensatos, Porfírio e Wilson, que naquele momento relegavam a segundo plano suas eternas desavenças em torno das pretensões do clube?

O Náutico nem qualquer outro clube pode viver a reboque de vaidades ou objetivos pessoais. Faz-se mister que os dois segmentos antagônicos em que o Timbu está dividido estabeleçam uma trégua na troca de ofensas que foi um prato cheio no período pré-eleições e prossegue, até com maior intensidade. Chegou o momento de se pensar na instituição centenária, pois ninguém é maior do que o Náutico. O problema é saber quem está disposto a dar o primeiro o passo…

Por: Lenivaldo Aragão
Foto: Divulgação

14 respostas a HISTÓRIA

  1. Timbu_de_Coração disse:

    Levinaldo boa matéria !
    Mas, Mas vc tem que rever os motivos das discórdias em tempos passados ! Hoje está claro que a discórdia só existe por falta de ética, vaidades, desonestidade dos que perderam o poder para os representantes da geral e da arquibancada , o movimento que surgiu naturalmente entre os torcedores indignados com a cachorrada que havia se tornado o clube que tanto amamos ! O Náutico, recordo, havia se tornado caso de chacota NACIONAL ! O CLUBE DO CAVALINHO MORTO ! Nós torcedores que apoiamos e formamos o MTA temos principíos e não podemos ser comparados aos canalhas bandidos e rabujentos que fuderam o clube nos últimos 10 anos ! O MTA É FRUTO DA INDIGNAÇÃO DOS TORCEDORES QUE PAGAM INGRESSO E/OU MENSALIDADES EM DIA , POR AMOR E PAIXÃO AO SEU CLUBE DE CORAÇÃO – O NÁUTICO ! Se o MTA falhar nos seus príncipios outra onda irá se formar para salvar o Náutico ! Se ainda houver tempo ! Sem dúvida o Náutico parece estar a caminho da extinção !

  2. CADO I disse:

    Na minha opinião os três maiores benfeitores da história do Náutico foram: Eládio de Barros Carvalho, José Porfírio e Sebastião Orlando.

    • Caro amigo alvrrubro legítimo,

      Concordo com esses três beneméritos, destacando que o primeiro era político irmão de Senador e Delegado da Receita Federal em Pernambuco (os outros dois não). Mas, gostaria de saber por que você não incluiria Wilsom Campos (que também era político) para fazer um quarteto dos maiores beneméritos, considerando que sem esse último o clube não teria chegado ao seu maior título, o Hexa?

  3. MARCIO MACIEL disse:

    ESSE FOI UM EXEMPLO DE PRESIDENTE, DE ALVIRRUBRO PRA VALER, DE AMOR AO CLUBE…ENQUANTO SEU FILHO…QUE DECEPÇÃO, ACREDITO MUITO QUE NEM TODO FILHO DE GATO E GATINHO…ESSA FRASE TEM A VER APENAS COM A GENÉTICA, MAS COM MUITAS OUTRAS COISAS, NÃO FUNCIONA MESMO…ANDRÉ CAMPOS QUE DECEPÇÃO.

  4. Só tem uma diferença em relação aos dias de hoje / , Nos naos 60 se rivalizavam para provar quem era mais sábio em ganhar TÍTULOS , QUE O DESTAQUE ERA OS ESTADUAIS , HOJE EM DIA É BRIGA DE LISOS E QUERENDO PROVAR QUEM É MAIS HONESTO E ERRA MENOS .

  5. CADO I disse:

    Agora é diferente. Não dá prá “dar as mãos” a bandidos que saquearam o clube durante décadas e que ainda hoje boicotam o clube.

    • Ricardo disse:

      Esses bandidos estão todos a solta rondando o Náutico através dos bastidores e com informações do CD. A qualquer momento compram os votos de muitos cafajestes e voltam ao poder.
      Com bandidos não se brinca. Lugar de bandido é na cadeia.
      Glauber não devia ter prometido nada. Apenas que ia tentar salvar o clube com seu trabalho.
      Mais uma andorinho só não faz verão. Sozinho ninguém chega a lugar algum.
      Em 1974 Sebastião Orlando do Nascimento carregou o piano nas costas sozinho. Tirou o hexa do Santa Cruz. Mais quando veio 1975 continuou sozinho sem apoio de ninguém o que o fez renunciar e caiu fora enquanto teve tempo.
      Depois venderam o Casa e Pesca para pagar o que ele colocou no Náutico em um ano e meio.
      A mesma coisa fez o presidente Roosevelt Menezes que assumiu se não me engano o lugar do fracassado Márcio Borba. Em 1996 ele colocou do seu bolso mais de R$ 500 mil para tentar subir para série A. Não conseguiu, pois faltaram R$ 200 mil para atingir esse êxito. Ninguém lhe apoio na hora H. Ainda deixou nos cofres do clube R$ 90 mil. No ano seguinte 1997, caiu fora muito acertadamente, pois do contrário ia falir por causa do Náutico.
      Sozinho não há como chegar ao sucesso num clube como o Náutico que viveu sempre às custas dos cheques dos outros e nunca com dinheiro próprio e capital de giro.
      Hoje em dia com o profissionalismo do futebol nenhum clube pode viver de favores e doações.
      O Náutico precisa ir por esse caminho o do profissionalismo.
      Treinador e jogador nenhum tem amor a clubes. Eles amam os salários deles. Se pagam, jogam. Se não pagam,, não jogam.

      • Caro Ricardo,

        Elucidativa a sua análise !

        Acompnaho o futebol desde os anos 60′s mas, de lá para cá, passei 20 anos consecutivos fora e não pude, assim, vivenciar a alienção do Caça e Pesca do Náutico e você agora trouxe essa informação. Seria bom que este “site” trouxesse, à baila,este assunto. A análise dos erros do passado podem evitar o cometimento de novos erros. Confesso que tenho medo da alienação dos Aflitos. Vamos perder nossa identidade e nossa torcida que já é pequena ficará ainda menor se não soubermos compensar a demolição dos Aflitos.

  6. Bruno Marinho disse:

    Vamos abraçar nosso Clube Alvirrubros, só nós poderemos evitar que o Timba vire um américa.

  7. Théo Sabiá disse:

    Uma sugestão básica é que a torcida de merda, enquanto ainda vive, se aproxime do seu clube e entenda, de uma vez por todas que o clube lhe pertence e é preciso ajudar. Esses sanguessugas que estão lá no CD precisam levar um bom susto pra caírem na real e pararem de dilapidar o patrimônio do clube. Os políticos aproveitadores parecem já terem entendido o recado e sabem que nosso TIMBU não mais será usado como trampolim político. Temos exemplo bem fresquinho. O torcedor precisa acreditar e participar mais das decisões no clube, já que o CD parece ser um dos cânceres que impede o desenvolvimento do nosso amado Hexacampeão. Saudações!

  8. colorau disse:

    É ISSO AI PORRA

    DEPOIS TORCEDORES MASOQUISTAS
    NÃO GOSTAM
    ]
    ESSA MERDA PODE FECHAR A QUALQUER MOMENTO TIME FULEIRO
    NÃO GANHA NADA FAZER O QUE?

    VAMOS PENSAR GRANDE TORCIDA FROUXA DA PORRA

  9. Paulo Aragão disse:

    Lenivaldo foi ótima sua matéria, se o Náutico não se unir, por questão de vaidade, ficaremos assim, um titulo em dez em dez anos, até fechar. Porque, a cada ano fica mais difícil fazer um jovem torce pelo Náutico. Depois que a geração do Hexa acabar , quem irar torcer pelo clube que não ganha nada.

    • Ricardo disse:

      Esses caras brigavam nos anos 60 mais não eram bandidos naquelas épocas. Tratava-se de brigas políticas dentro do clube, fatos esses que eu já conhecia.
      Mais de uns anos para cá, instalaram-se verdadeiros bandidos dentro do clube, joãos ninguém, empresários e políticos falidos, que viram nos cofres do Náutico a forma mais fácil para suas sobrevivências.
      É por esses motivos que o Náutico é um clube de futebol inviável.
      Eu sinceramente quero manisfestar meus sentimentos de que não acredito mais no ressurgimento do Náutico. É uma questão democrática de opinião.

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