O IMORTAL MARINHO

Perdão aos céticos e catedráticos.

Perdão.

Não foi o grande Nilton Santos.

Nem Júnior, nem Roberto Carlos.

Não foi o esforçado Everaldo.

Nem o pernambucano Rildo.

O maior lateral esquerdo do Brasil em Copas foi Marinho Chagas.

O único reverenciado em campo por um adversário: Krol.

O único a despertar sonho e admiração na seleção brasileira na Copa de 74.

O único a brincar de atacante num tempo de Zagalo.

Marinho que foi do Náutico ao Olimpo em dois anos.

Marinho agredido por Leão por tentar… vencer.

Marinho considerado um lutador, um gênio, um mito em um tempo de cinza chumbo.

Marinho que se foi para descansar em paz.

Após sofrimento e alegrias.

Após ser Mané e Enciclopédia num mesmo corpo.

Ironia do destino.

Marinho não foi eleito esta semana para a seleção do Náutico de todos os tempos.

Talvez por amnésia.

Talvez porque ninguém é profeta em Nazaré.

Talvez porque isso fosse o óbvio ululante.

E a voz das urnas seja como um segundo na eternidade.

Marinho possui a eternidade.

E o futebol e quem o viu atuar não precisa de voto, nem de urna, nem de eleição.

Por Roberto Vieira

Uma resposta a O IMORTAL MARINHO

  1. JONAS FEITOZA DE CARVALHO disse:

    Marinho Chagas, o “nosso Mário Moore”,como o apelidaram quando de sua passagem pela “canarinho”,foi tão inesquecivelmente marcante como jogador do nosso Clube Náutico Capibaribe, de um futebol tão indiscutivelmente incomparável em sua posição, não só no nosso Alvirrubro, como também na seleção brasileira, quanto unanimidades “timbus” da estirpe de Lula “monstrinho”, Gena, Salomão, Ivan, Nado e Bita. Foi, incontestavelmente um dos jogadores mais virtuosos dentre tantos que vestiram nossa camisa.
    Entre tantas partidas inesquecíveis de Marinho, pelo Náutico, duas permanecem bem vivas em minha memória : contra o sport, num dia primeiro de maio, na ilha do retiro, em que vencemos por 1 x 0, gol de Zezinho, meia ponta de lança, que defendera o nosso rival durante muitos anos, e em que Marinho começara jogando em sua legítima posição de lateral esquerdo e foi deslocado, no segundo tempo, para volante, onde “engoliu” o meio de campo adversário. Foi “um desfile de técnica e pulmão”, inesquecível.
    A outra, foi contra o santa cruz, na última partida pelo torneio Eraldo Gueiros, em pleno arruda, e onde derrotamos o tricolor por 3 x 1, com Marinho marcando um gol de falta, e, muito mais que isso, “enlouquecendo o time das três cores”.
    Vai Com DEUS, Marinho. Muito obrigado por tantas alegria que me destes e a tantos outros torcedores alvirrubros que, como eu, tiveram o prazer de frequentar os estádios de Pernambuco, entre 1969 e 1971.

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