Ayrton Senna era um gênio nas pistas.
Um gênio em uma profissão que exige bons carros – vide Vettel 2014.
Senna que viveu e foi responsável pelo fim do romantismo nas pistas.
Tanto ele quanto Schumacher que veio em seguida.
Isso nem é bom nem é mal.
Apenas é.
Como Leônidas lutando pra sair do Bonsucesso e ganhar dinheiro.
Como Fausto querendo grana pelo seu trabalho.
Trabalho que inicialmente era apenas diversão inconsequente.
Pra quem julga Senna um missionário.
Missionário foi Fittipaldi, largando o tricampeonato pela Copersucar.
Fittipaldi que sempre foi um cavaleiro medieval.
Pra quem imagina Senna um prodígio.
Prodígio ele foi – como Jim Clark.
Clark que nem por isso erguia espadas contra seus colegas de automobilismo.
Creio que Senna foi um gênio… solitário.
Um gênio que descobriu na torcida brasileira veneno e antídoto.
Gênio de uma torcida que não tinha alegria, só inflação.
Gênio de um país corrupto no qual ele era um exemplo de trabalho e amor à bandeira.
Os governos e a Vênus Platinada utilizaram Senna como a válvula de escape do Sarney e do Collor.
Válvula contra a seleção brasileira que só levava porrada e pedia grana na Copa de 90.
A morte fez do gênio um documentário da TV vinte anos depois.
A morte transformou a viúva em apresentadora.
A irmã em símbolo de fraternidade universal.
E Senna virou revista em quadrinhos.
Por: Roberto Vieira
O cara morreu e ninguém foi punido.