Pela segunda vez, o Náutico insiste na contratação de um zagueiro experiente para ser a grande referência do elenco. No início do ano, a diretoria acertou o retorno de Leandro Euzébio. No entanto, o atleta não ficou no clube. Foi embora sem ao menos estrear. Agora, a tarefa de ser o mais velho do elenco, que vai contribuir com uma vasta experiência aos mais jovens, será Fabiano Eller. Os dois jogadores têm perfis parecidos e grandes títulos na bagagem. No entanto, a diretoria espera por resultados distintos no Náutico. A dor de cabeça causada por Euzébio serviu de lição para um trabalho de pesquisa mais minuncioso que resultou na contratação de Eller.
A passagem de Leandro Euzébio pelo Náutico foi um fiasco. O jogador chegou com a pompa de ídolo do clube (foi zagueiro titular do Timbu no acesso à Série A em 2006). No entanto, por conta de uma lesão no joelho, demorou muito até mesmo para treinar por causa de uma lesão no joelho. Depois de ficar novamente em condições de jogo, pediu um jogo-treino para ser testado, mas não apareceu. Foi a gota d’água em um período que se mostrou pouco engajado com a causa do clube. Após 45 dias de uma passagem conturbada, foi liberado em fevereiro pela diretoria, que parece ter se esforçado mais e pesquisado melhor na nova busca por um jogador experiente, com o mesmo perfil de Euzébio.
- Já era uma preocupação nossa, trazer um jogador desse nível e experiente. O grande acerto, neste momento, é que estamos trazendo jogadores com esse perfil, mas que estão jogando. Fabiano Eller está jogando em alto nível. É necessário para equilibrar o perfil desse grupo. Até os outros jogadores que estão jogando são atletas com mais rodagem entre Série A e Série B – disse o gerente de futebol Carlos Kila.
Fabiano Eller faz um perfil parecido com o de Leandro Euzébio. Currículo com passagens por grandes clubes e títulos de expressão (os dois têm títulos brasileiros, por exemplo. Eller tem Libertadores e Mundial de Clubes). Mas, diferente de Euzébio, nunca passou por uma cirurgia na carreira e vinha atuando em todos os jogos do seu antigo clube. Ritmo de jogo não parecer ser problema. E o comprometimento com a causa alvirrubra também.
- Eu joguei em 2012 em um clube que todo mundo considera pequeno, que foi o São José-RS. E eu vi que tudo o que fizesse, poderia chamar a atenção de quem estivesse lá. Eu vi que eu tinha de ser o exemplo. Se eu fizesse uma coisa boa, os jogadores iriam aceitar fazer também. E quem não fizesse, eu teria a condição de cobrá-los. Os jogadores mais novos me olham com admiração às vezes. E eu tenho de ser exemplo, principalmente fora de campo – disse o defensor.
O fato dos dois serem zagueiros, segundo Carlos Kila, é apenas uma coincidência. Não mostra que a preocupação da diretoria era dar uma maior experiência ao setor defensivo.
- É casual. Fabiano Eller, trouxemos por uma questão de desempenho atual e por necessidade que tínhamos desde a saída de Leandro Euzébio.
Por Daniel Gomes/Globo Esporte
Foto Imprensa Náutico