NÁUTICO 114 ANOS

O goleiro Lula e a greia dos jogadores do Náutico
O Clube Náutico Capibaribe esta completando 114 anos de fundado nesta terça-feira 7 de abril. Através do goleiro Lula Monstrinho, morto em 26 de dezembro de 2014, com 72 anos, presto minha homenagem ao Alvirrubro.
A todo que ilustra este texto mostra uma das formações do Náutico em 1964, no segundo ano da fase do Hexa: em pé (esquerda-direita): Salomão, Zequinha, Nelson, Gilson, Lula e Toinho; agachados: Nado, Bita, Nino, Ivan e Geraldo
Quando chegou para o Náutico, em 1963, procedente do Centro Sportivo Alagoano (CSA), o goleiro Lula, logo apelidado de Lula Monstrinho, ainda era um jovem, esperançoso de vencer no futebol pernambucano, seguindo os passos de outros alagoanos, como Carijó, Tomires, Mourão, Itamar e Claudinho. O dono da posição era Waldemar, um baixinho que viera do São Paulo e era ídolo da torcida alvirrubra. Lula assumiria mais tarde o posto, tornando-se tão idolatrado quanto seu antecessor. Suas boas atuações, principalmente na Copa do Brasil, terminaram levando-o para o Corinthians. Chegou a defender o Brasil nas eliminatórias para o Mundial de 1970, no México, mas não conseguiu ir à Copa. Encerrou sua carreira, anos depois, no Timbu.
Nos Aflitos, Lula passou a fazer parte de um trabalho baseado no aproveitamento da prata de casa e dos valores da Região, à frente o argentino Alfredo Gonzalez, ajudado por Alexandre Borges, que trabalhava com os juvenis. À turma juntava-se um jogador que tinha vindo do Sudeste, Ivan. Sua procedência era o Palmeiras, clube que mantinha um ótimo relacionamento com o Náutico. Lá tinha chegado a trabalhar com Gonzalez, nas divisões de base do alviverde paulista. Em 1960 integrou a seleção brasileira na Olimpíada de Roma. Não foi titular porque para assumir o posto teria que barrar o fenomenal Gerson.
O futuro esquadrão alvirrubro ainda estava em formação, como já foi dito. Alfredo Gonzalez era um técnico à antiga, que procurava agir como pai dos jogadores, vigiando, orientando e ralhando. Foi com ele que o Náutico levantou o primeiro título da série do Hexa, em 1963. Alexandre, que trazia aquela ‘meninada’ na palma da mão, ajudava o argentino, dentro e fora de campo. Finalmente, tinha sido ele o responsável pela montagem do elenco.
Como não poderia deixar de ser, em se tratando de um pessoal tão jovem, as brincadeiras eram uma praxe. Geralmente, quem puxava a greia era o centroavante China, apelidado de Bode, que passou por uma infinidade de clubes por esse Brasil afora, incluindo o Palmeiras, no tempo em que se conhecia o alviverde paulista por “colônia pernambucana”, pois chegou a ter seis jogadores saídos de Pernambuco. China era irmão do meia-armador Mituca e do ponta-esquerda Zeca, que brilharam intensamente no futebol pernambucano. Zeca, inclusive, fora campeão estadual pelo Náutico em 1950/51/52 e 1954. Um dos alvos prediletos de China nas suas lorotas era Lula, dono de um vozeirão, que sempre exercitava quando o elenco estava concentrado. Lula entrava no clima, como aconteceu depois de um amistoso contra o Centro Limoeirense, que se preparava para debutar no Campeonato Pernambucano.
Vitória do Náutico, muita festa dos alvirrubros da cidade e a volta para casa. Em meio à viagem, Lula começou a entoar uma música que estava no ápice, na voz da exuberante de Ângela Maria. O goleiro solava e os outros jogadores respondiam em coro, parodiando a letra original. Era assim:
Lula:
Essa noite eu chorei tanto
Sozinho sem um bem
Por um amor todo mundo chora
Um amor todo mundo tem
Eu, porém, vivo sozinho
Triste sem ninguém.
Lula
Será que eu sou feio?
Coro
Não é não senhor
Lula
Então eu sou lindo?
Coro
Você é um horror
Lula
Respondam, então, por que razão
Eu vivo só sem ter um bem
Coro
Você tem o nariz de elefante
A todos espanta
E não agrada ninguém
Lula
Ah, eu não tenho o nariz de elefante
Nariz de elefante, vocês é que têm
E a galhofa prosseguia. Lula voltava ao começo da música e em determinado momento, na repetição do verso “respondam então por que razão eu vivo só sem ter um bem”, o coro deu sua resposta:
Você tem o cabelo de arame
A todos espanta e não agrada ninguém
Volta Lula com sua voz melodiosa, surpreendendo todo o mundo, com uma resposta contundente
Ah, eu não tenho o cabelo de arame
Cabelo de arame suas mães é que têm.
Gargalhada geral diante da inesperada reação do goleiro, de cabelo meio encrespado. Rapidamente, Gonzalez, que achava graça com o duelo musical entre Lula e o resto da cambada, deu um basta na farra. Isso para salvaguardar a honra da mãe de todos eles, pois coisa pior poderia vir.

Por: Lenivaldo Aragão

8 respostas a NÁUTICO 114 ANOS

  1. Laerte disse:

    Endosso palavras do “timbu ferido”. Nos iludem com histórias de uma era passada, de muitas glórias. Falam do passado com se fosse conquista sua. Nos prometem transformação, lisura, prestação de contas que nunca chegam. Tiram de nós a nossa casa, nos levando para distâncias enormes. Tiram nossa casa, onde o timbu era temido, pois jogava na sua toca, junto ao calor de sua torcida. Quando o time mais teve renda, mais afundou. Não coloquem o nome deste clube na lama. Voltem aos Aflitos, quebrem contratos escusos…Antes que vendam o resto. Meu papel é só pagar minhas mensalidades. E esperar o caos total,o término, a dissolução, que é preferível a passar tanta vergonha!!!

  2. TIMBU FERIDO disse:

    SÓ VIVEMOS DO PASSADO….ÍNFIMAS COISAS DE MUSEU DE 114 ANOS….INFELIZMENTE…VERGONHOSO…E NÃO ME DIGAM QUE NÃO É….POIS É SIMMM….

  3. Bruno Marinho disse:

    Pena que não o vi jogar de grandes goleiros que eu vi foram Mazaroppi, Mauri, Nílson e agora Júlio César.

  4. Cado I disse:

    Concordo, Lula foi o melhor goleiro que vi jogar. Ele não foi à Copa do México devido a uma hérnia de disco. Não fosse esse problema, ele teria sido titular absoluto (como foi nas eliminatórias).

    • Ricardo disse:

      Confesso que eu não me lembrava desse detalhe. Mais haveria também pré conceito de Zagalo, pois Lula foi titular ou jogou várias partidas na época de João Saldanha. Quando a ditadura militar tirou Saldanha do cargo de treinador da canarinha, Zagalo assumiu e fatalmente não convocaria Lula. O que Zagalo fez de imediato foi obedecer o presidente e ditador Médici e convocou a merda do Dario do Atlético MG que jogou aqui na coisa em 1975 quando ganharam o 20º campeonato com ajuda de Sebastião Rufino. Médici era fã de Dario. Ver se pode.

  5. Ricardo disse:

    Esse sim foi o melhor goleiro do Brasil na época das glórias alvirrubras. Pena que não foi hexa campeão, pois foi vendido ao Corinthians depois do penta.
    Morreu esse ano sem a lembrança de quase ninguém. Se eu tivesse tomado conhecimento do triste fato teria ido ao enterro dele que de conhecido parece que só tinha Ivan Brondi.
    Honrou a camisa número 1 do clube a vida inteira.
    Lula Monstrinho o maior goleiro do Brasil de todos os tempos para mim.
    Injustiçado não foi ao México na Copa de 1970.
    Colocaram 3 goleiros da panelinha Rio São Paulo. Félix, Ado e Leão. Esse último com uns 20 anos apenas. A vaga tinha de ser de Lula, Manga e um terceiro.
    Mais valeu Lula. Que estejas em paz junto ao bom DEUS.

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