Carlos Celso, uma memória inapagável

Carlos Celso Cordeiro foi embora, mas sua memória permanecerá viva. O futebol pernambucano certamente lhe será eternamente grato pelo trabalho braçal a que se dedicou após ter se aposentado da Chesf, onde exercia a função de engenheiro eletricista – era também formado em administração de empresa. Durante anos dava um expediente voluntário diariamente no Arquivo Público de Pernambuco, na Rua do Imperador, sempre pela manhã, consultando jornais antigos e levantando dados completos de todos os jogos, inicialmente do Campeonato Pernambucano, e em seguida do Náutico, do Sport e do Santa Cruz. Depois vieram coproduções com os médicos Lucídio José de Oliveira e Roberto Vieira, alvirrubros como ele. Uma das produções do trio foi “O Clássico dos Clássicos – 100 anos de História”, em que num capítulo intitulado Reabertura dos Aflitos, ele afirmava, com a convicção de quem domina o assunto: “Em algumas publicações, existe a informação de que o Estádio dos Aflitos foi inaugurado no jogo realizado em 25/06/1939, contra o Sport. Esta informação é equivocada.

A verdade é a seguinte: em 1917, a LIGA SPORTIVA PERNAMBUCANA, como era chamada a Federação Pernambucana de Futebol naquela época, arrendou um terreno para construir o campo dos Aflitos. Após 1 ano a LIGA desistiu do campo e o Náutico assumiu o arrendamento. Posteriormente o Náutico comprou o terreno e este campo é, hoje o Estádio dos Aflitos. A partir de 1918, já sob a administração do Náutico, periódicas melhorias foram feitas no campo. Em 1939 foi feita uma grande reforma. O campo foi praticamente desmanchado, e reconstruído. As balizas, que ficavam na direção Leste-Oeste, foram colocadas na direção Norte-Sul, como estão hoje.”

A vasta obra desse sertanejo de Tabira é uma fonte inesgotável e indispensável de consulta para qualquer um que pretenda pesquisar a caminhada dos três grandes clubes de Pernambuco, passo a passo, jogo a jogo, sejam as partidas amistosas ou oficiais. O zelo de Carlos Celso pela informação era tanto que nos seus dados não existe qualquer referência sobre um badalado título de campeão do Nordeste que o América do Recife teria conquistado em 1923, em Alagoas. “Nunca encontrei a menor citação nos jornais da época, por isso não me senti seguro para trazer o assunto para meus livros”, disse-me, certa vez.

A paixão pelo Náutico surgiu no começo dos anos 50 do século passado, quando, saído de Tabira, sua cidade natal, era aluno interno do Colégio de Caruaru. Anos depois, uma vez no Recife, só fez aprofundar esse amor ao único clube que povoou seu coração.

O presidente do Náutico, Marcos Freitas, deu esse depoimento sobre a perda desse grande alvirrubro:
“Perdemos, hoje, um dos mais destacados alvirrubros. Carlos Celso, com sua imensa sensibilidade concedeu forma escrita a milhares de episódios, fatos e momentos esportivos da vida do Náutico. Seus escritos traziam precisão e emoção, posto que neles colocava, em muito, seu imenso e bondoso coração. Agia assim, na vida profissional, familiar e como apaixonado alvirrubro. A perda de Carlos Celso foi muito significativa para toda a família alvirrubra, não só pela grande pessoa, mas também como excelente profissional e alvirrubro”.

Lenivaldo Aragão, jornalista, escritor e historiador. Especial para o CNC.

3 respostas a Carlos Celso, uma memória inapagável

  1. luis mello disse:

    Grande amigo alvirubro de verdade . Está em bom lugar

  2. Bruno Marinho disse:

    Perda irreparável.

  3. Ricardo disse:

    O conheci pessoalmente na época da ampliação dos Aflitos nos anos 90. Conversei muito com ele e comprei as duas primeiras edições dos seus livros.
    Uma pena ter ido tão cedo. Notícia bastante triste a que li agora.
    Que DEUS o abençoe e que seu espírito se renove na próxima encarnação. Que assim seja.

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