No ano de 1970 acompanhei atentamente a Taça de Prata, mesmo o Náutico estando de fora dela. Quem representava o estado de Pernambuco era o Santa Cruz, que fazia os seus jogos no estádio da Ilha do Retiro. Assistia aos gols da rodada pela TV Tupi do Rio, e comprava os exemplares da Revista Placar, com a minha minguada mesada.
Em outubro daquele ano pude assistir pela TV aos gols da partida Botafogo 1×2 Grêmio, em pleno Maracanã. Naquele jogo um jogador em especial me chamou a atenção. Ele foi o autor dos dois gols que deram a vitória ao Grêmio. Seu nome, Paraguaio!
Era um atacante alto, forte, porém clássico e elegante no trato com a bola. Sabia fazer gols com tanta beleza, que mais pareciam obras de arte. Além disso, possuía uma capacidade de realizar assistências com rara perfeição. A Revista Placar da semana seguinte ao jogo trazia estampada a foto do gol da vitória do Grêmio, e Paraguaio correndo para a comemoração. No seu rodapé os dizeres: “É gol! Paraguaio festeja pela segunda vez a queda do gol do Botafogo”!
Naquele longínquo outubro de 1970 imaginei como seria maravilhoso se o Náutico tivesse um Paraguaio nas suas fileiras. E não é que, para minha alegria e contentamento, por obra do destino, e como se fosse um vento minuano, em junho de 1972, numa negociação envolvendo Marinho Chagas, chegava ao Recife para defender o Náutico aquele atacante gaucho que, anos antes já havia me encantado. Natural de Farroupilha-RS, e oriundo das divisões de base do Grêmio, Paraguaio chegou ao Recife com 27 anos. Pertencia ao Botafogo-RJ.
Sua estréia se deu num jogo amistoso contra o América-RN, em 29 de junho de 1972, dia de São Pedro, onde o Náutico venceu por 3×1, e Paraguaio deixou a sua marca. Era o primeiro de uma série de muitos gols que ele faria com a camisa alvirrubra.
Paraguaio ajudou decisivamente o Náutico, na conquista do Torneio Eraldo Gueiros (agosto/72), garantindo a segunda vaga de Pernambuco no Campeonato Brasileiro da 1ª divisão daquele ano. A primeira vaga era do Santa Cruz, campeão estadual de 1971. O Náutico estava de volta ao cenário esportivo nacional, após três anos de ausência.
No Torneio Eraldo Gueiros de 72, Paraguaio deixou sua marca de artilheiro em jogos decisivos, como no 3×1 contra o Santa Cruz, que garantiu por antecipação a conquista do Torneio. Numa investida pela esquerda ele fuzilou de canhota a meta tricolor, sem chances para Detinho. O jogo seguinte contra o Sport serviu apenas para cumprir tabela, e a tradicional entrega de faixas. Vencemos o Leão por 2×1, de virada, com dois golaços de Paraguaio. Uma festa, inesquecível.
Em julho 1973 chegava ao Náutico o jovem atacante Jorge Mendonça, que mais tarde se tornaria seu companheiro de ataque e grande amigo fora dos gramados. A dupla Paraguaio/Jorge Mendonça marcou época no Náutico. Os dois atacantes foram peças chaves no time campeão de 1974, sob o comando do técnico Orlando Fantoni.
Selando a grande amizade entre ambos, Paraguaio convidou Jorge Mendonça para ser o padrinho de batismo de um dos seus filhos (o Gustavo), o qual tive o prazer de conhecer recentemente. Gustavo guarda com todo zelo e carinho um acervo documental sobre a carreira do pai. Entre fotos, anotações e recortes de jornais, muitas lembranças e muitas saudades de um atleta que marcou época no Clube Náutico Capibaribe.
Durante quase quatro anos de Náutico Paraguaio vestiu por 177 vezes a camisa alvirrubra, e marcou 57 gols. O último deles em dezembro de 75, na despedida do Brasileirão daquele ano, contra o São Paulo, no Arruda. Sua despedida do Náutico se deu num jogo amistoso contra o Campinense, em fevereiro de 1976.
Homem culto e esclarecido, sabedor de que é curta a carreira de jogador de futebol, Paraguaio dedicou-se a estudar Odontologia, na FOPE (Caruaru-PE), período em que chegou a jogar pelo Central de Caruaru, conciliando os estudos e a vontade de jogar futebol.
Paraguaio nos deixou muito cedo, aos 51 anos, vítima de uma doença neurológica degenerativa. No dia primeiro de outubro de 1996, Paraguaio foi contratado pelo time dos Deuses do futebol, juntando-se a Bita, Nino, e tantos outros craques da bola.
Se eu perguntasse aos torcedores do Náutico quem foi Clóvis Moreira Rodrigues, acho que a maioria deles não saberia me responder. Mas se eu perguntasse quem foi PARAGUAIO, aí meu amigo, a emoção e a saudade bateriam fortes, os olhos se encheriam de lágrimas, e a voz se embargaria. Quem viveu aquela época tem bem viva na memóriaa imagem do raçudo gaucho/pernambucano.
Caso tivesse a oportunidade de enviar uma mensagem para o ídolo eu diria: Descanse em paz, Paraguaio! Seu nome será sempre lembrado e reverenciado pelos torcedores do Grêmio, Botafogo e, principalmente, por uma legião de alvirrubros espalhados por esse Estado, que lhe adotou como filho!
Eternas saudades, saudoso Paraguaio!
Por: Carlos Henrique Menezes
Bom demais do ler sobre o Paraguaio. Em 1972 logo que Ele chegou nos aflitos época que eu tinha 14 anos e frequentava o clube e a noite era movimentada à sede e aí conheci o Paraguaio na quadra e lembro que ele queria ficar mas era empréstimo de contrato com Botafogo Rj. Mas deu certo ficou muito tempo em Pernambuco. Até falei assim: qual sua idade e ele respondeu sou jovem para ficar no Nautico. Final de 1974. Ele jogou e na melhor de duas partidas com gol do Lima fomos campeões. Si me falha a memória ele teve uma boa fase no América Rj. Enfim falar de Paraguaio eh saudades muita.
Hoje, com 55 anos de idade, tive a honra de ir com meu pai assistir vários jogos com esse grande jogador. Parabéns pela homenagem.
paraguaio! doutor Clóvis. foi meu dentista por muito tempo antes de falecer.
Esse eu queria ter visto jogar.
Clóvis, lateral esquerda, assistir , infelizmente o dia em que rompeu os ligamentos, e devido a idade, o “velho” Clóvis encerrou a carreira………………
Clóvis, lateral esquerda, assistir , infelizmente o dia em rompeu os ligamentos, e devido a idade, o “velho” Clóvis encerrou a carreira………………
Apesar de terem nos tirado, ESCANDALOSAMENTE, o título de 1975, realmente, nesta década, só ganhamos o de 1974.
Tenho 56 anos e só vi (que me lembro – os da década de 60, era muito jovem) o Timba ganhar 7 títulos estaduais. O de 1974 foi o primeiro. LAMENTÁVEL!!!!
Paraguaio, simplesmente…um grande jogador!!
Eu quero entender pq com esse time arretado o nautico só ganhou 1 título de 74 e todos sabem da verdadeira estória de Raul Marcel etc…
grandes jogadores sem dúvida mas o nautico é ruim de títulos
se o nautico fosse forte mesmo
o nautico já era pra ter mais de 30 títulos
Infelizmente não vi o Paraguaio jogar, mas tive o prazer de ver Lupercínio, Heider, Baiano, Manguinha, Mirandinha, Cantarele e muitos outros.
em 74,no eladio de barros,o náutico enfiou
5×0 no sport,com paraguaio e Jorge mendonça
barbarizando a pobre defesa da cachorra de
peruca.era 27 de outubro de 1974 e eu conta
va na época com 11 anos e me deslumbrava ao
ver aquele time admirável.
paraguaio jogava muito e tinha estilo!